domingo, setembro 02, 2007

Um dia de praia...

Manhã de Agosto. Sol. O vento, misteriosamente, desapareceu. À frente dos meus olhos, na linha de horizonte, apenas o mar. A praia que escolhi é quase deserta. Quase.
Estendo a toalha, dispo o vestido, e deito-me confortavelmente na areia na esperança de disfrutar ao máximo a minha leitura. De David Mourão Ferreira, o livro. Um dos meus escritores preferidos. Abro o livro e leio-o enquanto o sol me toca na pele e a vai queimando. Entrego-me a esta sensação fantástica de pertencer à Natureza: a pele é do sol, o corpo encaixado na areia fina e os sentidos direccionados apenas para o barulho e sabor do mar! Devoro as palavras. Chego a querer parar a minha leitura. É quase como saborear uma refeição que, por estar tão saborosa, apetece comer devagarinho para esmiuçar cada sabor e condimento... Não quero apressar nada.
Gostaria de ser esta mulher que o escritor define. Nunca li descrição mais fiel e pormenorizada. Nunca conheci ninguém que falasse tão bem de e sobre mulheres como ele. Penso que talvez as conhecesse bem demais ( se é que isso é possível). Descobre-lhes os defeitos mais mesquinhos e poeirentos e exibe e enaltece as qualidades de Deusas que diz possuirem. Ama-as e admira-as...
Entretanto, quase em simultâneo, juntam-se a mim, na minha praia deserta, dois casais. Estrategicamente, ou não, fico no meio deles. Mais uma vez interrogo interiormente: por que razão com tanto espaço à volta as pessoas gostam de estar pertinho umas das outras?? Será que é por uma questão de segurança?? Não que eu tenha a veleidade de pensar que estes casais simpáticos vejam em mim uma salva-vidas mas talvez pensem que “como é novita e tal (eu não disse que eram simpáticos??!!) talvez tenha boa goela para gritar por socorro!” Ok, novita sou, tenho boa goela, também é verdade, mas odeio gritos! Adiante.
Dois casais, dois guarda-sóis, os devidos sacos e três criancinhas que, entretanto, encetaram uma luta dolorosa com a roupa que trazem vestida... a vontade de brincar está espelhada nos seus olhos.
Atenta a estas coisas de “educação” dou por mim a ocupar o meu tempo a observar e “ouvir” (é inevitável) estas famílias vizinhas à minha toalha.
Ambos são casais novos. O da minha direita tem apenas um filho (4/5 anos); o da esquerda vem equipado com dois (um rapazito de ¾ anos e outro mais velhito um pouco). And now, find the differences:

O casal da direita chegou, abriu o guarda-sol, estendeu as toalhas, despiram toda a roupa que foi atabalhoadamente colocada em cima de um qualquer saco, não espalharam creme algum pelo corpo (talvez o tivessem feito ainda em casa) e :
- Queres o balde João?
- Na quéo...
- Queres a pá?
- Na quéo...
- Anda cá para te pôr o chapéu...
- Na quéo
(Zangado)
- Queres, queres ( a mãe colocou-o, o filho atirou o dito chapéu ao chão e ficou tudo bem)
- Não dispas os calções filho!
- (Despiu)
E fizeram-se ao mar. Todos sem chapéu e um membro pequenito a fazer nudismo. Na areia molhada, saltaram, riram, criaram fortalezas, atiraram areia uns aos outros e brincaram como se todos fossem da mesma idade! Na hora do banho o pai pegou no miudo, levou-o à água mas dada a relutância do filho em encarar as ondas, devolveu-o à margem para chapinhar ao seu ritmo. De quando em vez ele chamava os pais para o verem a dar um mergulho na areia / água, dependendo das ondas...

O casal da esquerda chegou, abriu o guarda-sol, estendeu as toalhas, despiram-se todos sozinhos e entregaram a roupa à mãe que, meticulosamente, a arrumou nas varetas do guarda-sol azul, o pai começou a espalhar o creme pelos corpos das crianças e só parou quando estas ficaram brancas como a cal e, depois, inesperadamente, pelo menos para mim, diz-lhes para se sentarem na sombra, perto da mãe. O pai vai à água, traz os baldes cheios e entrega-os para que possam brincar mesmo ali. Os dois futuros arquitectos edificaram um castelo digno de um conto de fadas... mas sempre acompanhados pelas frases imperativas dos pais:
- Cuidado com a areia. Para a toalha, não!
- Não te quero ao sol!
- Não metas a pá à boca!
- Pede ao pai para ir buscar mais água. Não te quero no mar sozinho!
- Não dispas os calções. A pilinha constipa-se e depois espirra!
(Juro-vos que ouvi isto!)
Entre uma ordem e outra a mãe, pacientemente, lá os ajudava e estava sempre a perguntar-lhes se tinham fome ou sede. Na altura do banho, saem da sombra e rumaram ao mar. Os quatro. Os miudos eram engraçados e íam ao saltos e a gritar. Nem as braçadeiras do Noddy lhes travavam os movimentos. O pai pega no mais novo ao colo. Entra na água. A criança grita. Não quer. Impávido e sereno, o pai mergulha mesmo assim. O mais velho pensando que a sua sorte seria a mesma, desata a correr, obrigando a mãe a fazer o mesmo. E quando pára a mãe segura-lhe na mão e diz-lhe qualquer coisa que o acalma. Felizmente, num acto de inteligência, o pai desiste e brinca com ambos na areia molhada. Já passou.
Visualizando todos os pormenores faço as minhas comparações... eu que não sou mãe e que desconheço algumas destas preocupações enquanto filha adulta que sou e filha pequena que já fui... Reprovo alguns destes comportamentos e reflicto sobre outros. Qual será a educação mais apropriada para as nossas crianças? A permissiva ou a rigorosa? Será que há um ideal ou é antes a combinação das duas que funciona melhor? Não vi nenhuma destas crianças de que vos falei “infeliz”... e têm, a meu ver, perspectivas completamente diferentes!
O casal da esquerda “corta” constantemente os movimentos dos seus filhos. A palavra “não” é uma constante e vocábulo fácil. A liberdade, conceito tão digno de um dia de praia, é quase inexistente. Protegem mas não deixam que os filhos vivam a areia, o mar e o sol. Mostraram-se sempre muito cuidadosos e atentos. Preocupados.
O casal da direita solta as “rédeas” ao petiz... deixa-o correr, nem que seja em cima das pessoas que os circundam, deixa-o cair, deixa-o provar areia, se ele quer tirar os calções tudo bem, se não quer comer então come mais logo, se quer berrar que berre, se quer todas as toalhas menos a dele então assim será, se quer chamar má à mãe só porque ela o repreendeu por causa da areia que ele lhe atirou está tudo fantástico... Deixaram fazer tudo o que ele queria, é certo, mas para isso “anularam-se”...
Tudo, em tudo, distinto. Duas famílias completamente diferentes com crianças que serão, inevitavelmente, diferentes no futuro...
E chego à conclusão que é fácil criticar e apontar o que está menos bem feito, de acordo com o nosso ponto de vista! Só assim me parece mais justo fazê-lo. O difícil, tenho a certeza, é educar porque não há regras, nem livros de ajuda, porque todos somos diferentes e porque a vida que é a de hoje não será, com toda a certeza, a mesma de amanhã...
Pego no meu livro novamente... Onde ía eu???
David Mourão Ferreira idolatra as mulheres...

domingo, agosto 26, 2007

E se tu não existisses...



Tenho que admitir que nunca me lembraria deste cantor se não tivesse visitado um dos blogs que faz parte das minhas leituras diárias…

E se tu não existisses?
Diz-me...por que existiria eu?
Para vagar num mundo sem ti,
Sem esperança e sem lembranças.

E se tu não existisses?
Eu teria que inventar o amor,
Como um pintor que vê sob os seus dedos,
Nascerem as cores de um dia,
Que não voltam mais.

E se tu não existisse?
Diz-me...por quem existiria eu?
Estranhas adormecidas nos meus braços
Que eu não amaria jamais

E se tu não existisses?
Eu seria um ponto a mais,
Neste mundo que vem e que vai
Eu me sentiria perdido,
Eu precisaria de você!

E se tu não existisse?
Diz-me...como existiria eu?
Eu poderia fingir ser eu
Mas eu não seria verdadeiro.

E se tu não existisses?
Eu creio que não teria encontrado,
O segredo da vida, o porquê,
Simplesmente por acreditar em ti,
E por te olhar.

E se tu não existisses?
Diz-me.. por que eu existiria?
Para vagar num mundo sem ti,
Sem esperança e sem lembranças.

E se tu não existisses?
Eu teria que inventar o amor,
Como um pintor que vê sobre os seus dedos,
Nascerem as cores de um dia,
E que não voltam mais.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Se eu fosse...


Se eu fosse uma árvore... seria uma macieira ( pancada por maçãs)
Se eu fosse um símbolo químico... seria o Md (Mendelévio – é dos mais estranhos que encontrei)
Se eu fosse um animal... seria um golfinho. Alia água, inteligência, bom humor e meiguice. Agradam-me todos.
Se eu fosse um carro... seria o carocha do meu avô. Branco, clássico e eterno.
Se eu fosse uma música... seria “Butterfly on a wheel – The Mission”, porque sim, porque me agrada o ritmo e porque me marcou... “Wise men say all is fair in love and war,There's no right or wrong in the design of love…”
Se eu fosse apenas uma palavra… seria “paz” porque é global. Abraça todas as outras.
Se eu fosse um gesto... seria um beijo. Há coisa melhor?????
Se eu fosse uma profissão... seria bailarina. Deixar o corpo falar.
Se eu fosse uma estação do ano... seria o Inverno. Lareira, chuva, frio, cobertores. Combinação perfeita.
Se eu fosse uma figura mítica... seria Inês de Castro. Amou e foi verdadeiramente amada.
Se eu fosse um livro... seria o Livro do Desassossego, Fernando Pessoa. Só lendo.
Se eu fosse uma comida... seria um Bacalhau com natas. Porquê? Porque automaticamente o associo a um jantar mais demorado, acompanhado por um vinho verde fresquinho. Eu levo o meu tempo e, às vezes, também sou “fresca” eheh
Se eu fosse uma personagem de um conto... seria o menino do conto “A Estrela” de Vergílio Ferreira. Não há nada como acreditar piamente nos nossos sonhos mesmo que o mundo se volte contra nós.
Se eu fosse um líder... seria Nelson Mandela. Pela capacidade imensa de perdoar e viver.
Se eu fosse uma peça de mobiliário... seria um espelho. Grande. Na entrada. Onde as pessoas se reflectissem e mirassem aquilo que realmente são.
Se eu fosse um elemento da natureza... seria o vento. Aquele vento matinal de uma manhã de Verão perto do mar. O cheiro traz histórias de longe, toca e arrepia a pele. (Ok, há gente que provavelmente diria que eu seria mais um "Dean", más línguas dá nisto).
Mas se eu realmente pudesse escolher entre o que sou e o que poderia ser... não mudaria nada. Sou assim, respeito-me. E assumo as qualidades e os imensos defeitos.

segunda-feira, agosto 20, 2007

A minha mulher!

Hoje vou falar da pessoa que resgatou o meu coração na época mais difícil da minha vida e que, agora, comanda todo o meu ser…como é lógico, vou falar da minha mulher.

Vou apresentar alguns vídeos que, garanto, valem mais que mil descrições…

Vídeo um – Isto já aconteceu! Garanto que a minha mulher é assim…quem nos conhece pode confirmar.



As manias :

- Adora dizer coisas como :
* “ Daqui a pouco estás a comer os azulejos!”
* “ Não tens amor à vida”
- Não gosta que a considerem inferior por ser mulher…quem a considerar está, literalmente, tramado.

- Adora arrombar portas…passo a explicar.
A Al tem um fascínio inimaginável por portas, a primeira coisa que ela desmontou quando era pequenina foi uma maçaneta da porta, seguiram-se as dobradiças…A primeira coisa que ela me disse ao ouvido foi : “ Está a tentar derrubar a porta com o poder da mente??”…só porque eu estava a pensar como iria entrar num edíficio.
Continuo a dizer que, uma das razões que a levou a entrar na polícia foi o facto de, inevitavelmente, ter de arrombar algumas portas.
Os vizinhos devem ficar assustados quando ouvem as nossas conversas…”Ela : Queres que mande a porta a baixo?? Eu : Não Al! Não quero que mandes a porta abaixo…eu tenho chave!”

- Não se dá, definitivamente, bem com mulheres fúteis…daquelas que gritam por tudo e por nada…temos isso em comum.

Não existem impossíveis para a minha mulher…qualquer tentativa de favorecimento devido ao facto de ser mulher…não será muito bem aceita ( é melhor não tentarem…a sério).

A minha relação com a Al, ao longo dos anos tem sido, definitivamente, diferente.
Andamos sempre a competir entre nós…um simples jogo de computador pode despoletar uma guerra civil nas nossas casas, basta um de nós estar a ganhar.
Nos almoços de amigos, família, não podemos ficar muito longe um do outro…nós arranjamos maneira de comunicar.
Não podemos, definitivamente, trabalhar juntos…quando duas pessoas querem mandar, alguma tem de ficar a perder.
Apesar da sua aparência fria e racional...consegue ser umas das mulheres mais sensiveis e carinhosas que tenho o prazer de conhecer.
Estão aqui algumas das razões pelas quais eu a amo com todas a minhas forças…aposto a minha vida em como não existe ninguém com uma relação mais forte.



Vídeo dois

Este filme resume em poucos minutos grande parta da nossa relação…até os actores são idênticos em termos de estatura, vozes…etc. Vejam o filme, prestem atenção à música…riam um bocado.

domingo, agosto 19, 2007

O meu mais velho...

Ele : Quero brincar com o mano! ( soa como “ Quelo blincarrrrr com o manu!)
Eu : O mano está a dormir agora. Podemos brincar os dois.
Ele: Mas eu quero o mano! ( “ ma eiio quelo o manu!”)
Eu: Filho, o mano é pequenino, tem de dormir…
Ele: Ele está sempre a dormir! ( “Eile tá semprrre a dormirrrr!”)

O meu filho mais velho está na fase que eu chamei de “R”…ora ignora essa letra do alfabeto ou carrega demasiado na mesma…escusado será dizer que eu passo horas e horas a rir quando o ouço falar.

Gosta muito de ficar a olhar para o irmão, embora não compreenda muito bem porque razão está sempre a dormir…Ainda não começaram os ciúmes. Ainda bem!

sábado, agosto 18, 2007

Amor de Pai

Já disse aqui que tenho dois filhos…um com menos de um mês e outro com dois anos e meio...
Quando se tem que dar atenção a muita gente, algo acaba sempre por ficar para trás…neste caso tem sido o blog…peço desculpa, mas prefiro assim.



quarta-feira, agosto 15, 2007

terça-feira, agosto 14, 2007

"Emigrantices!"


Não poderia passar o mês de Agosto sem falar em ... Emigrantes!! (Consideram-se emigrantes portugueses, os cidadãos portugueses que tiverem deixado o território nacional para, no estrangeiro, exercerem uma actividade remunerada e aí residirem com carácter permanente...)


Porquê? They are everywhere!!!


E porque os admiro. É verdade. Admiro-lhes a vontade de “gozarem” o seu país de origem, o tal que os viu nascer. Passam um ano inteiro a trabalhar, uns com mais sacrifício do que outros, mas entram nas terrinhas com o coração aberto, a carteira solta, o pé mais leve para o bailarico, a goela solta, a sede assumida e a fome na barriga... ""Eu vou comer, eu vou comer, até me lambusar, porque se eu não comer vem outro e come em meu lugar..."


Experimentem ir a um baile de uma aldeia. Experimentem e sintam-se pequeninos. Ele é vê-los a dançar como se o corpo fosse elástico; conseguem fazer malabarismos com as pernas sem entornar um pinguinho do copo que seguram, religiosamente, na mão e refiro o que mais me deixa intrigada: como conseguem eles pegar nas senhoras, fazê-las rodopiar incessantemente, levantá-las, dar voltas à sua volta, e mesmo assim, não cair e não desmanchar as cabeleiras?? Mistério, sorte ou boa laca???


Querem lá saber se só dançam música pimba. É aquela que tem ritmo, alegria e letras malandras. É com elas que esboçam aquele sorrizinho maroto e piscam o olho às meninas das proximidades... E na altura dos “slows” sabem agarrar. Literalmente. E é lindo vê-los a olhar languidamente para o par e depois pousar a cabecinha no ombro...


Querem lá saber se o ouro lhes pesa no pescoço e nos pulsos. Reluz. Fica bem na indumentária escolhida meticulosamente.


Querem lá saber se exageraram no perfume francês que, de tão caro que foi, cheira-se a quilómetros de distância. Cá para mim partilho da opinião: ou se põe ou não se põe de todo. E se se põe não sejamos egoístas: deixemos que TODA a gente o sinta.


Querem lá saber se não os entendem quando misturam línguas e dizem qualquer coisa do género : “ Tu és belle e joli. Queres danser? Coladinhos?” Gosto desta “poliglotice”. É que às tantas já estamos na mesma onda e respondemos: “ Non quiero. Doem-me os pieds”...


Querem lá saber se lhes chamam “avecs”, “emigras”, “franciús” (mesmo que estejam emigrados na América) ou até os “ventania” (há muita imaginação na minha terra)...


Querem lá saber se fazem barulho. Para eles é sinónimo de cumplicidade, de comunhão, de partilha com aqueles que estiveram longe demasiado tempo. Onde há música alta, por estes dias, das duas uma: ou estamos perto de um desses festivais de Verão ou é festa de emigrante!!


E também não pensam na despedida. Vivem cada dia intensamente. Cansam-se num cansaço que faz inveja. Divertem-se numa diversão que só eles sabem construir. Nós, por cá, dizemos baixinho: “Olha-me para aquele... que figurinha... carro alugado, vê-se logo... grande penteado...” mas, lá no íntimo, sentimos orgulho daqueles que se aventuraram para além das nossas fronteiras, que trabalham arduamente e nos representam lá fora. São nossos. Hão-de sê-lo sempre porque à primeira nesga da porta escapam-se para cá...


Dou-lhes as boas vindas e prometo não me rir mais de penteados até ao tecto, de roupas do século “troca o passo”, de carros “chunguing”, de músicas em altos berros para toda a cidade ouvir, e de piropos imperceptíveis... Ok, não prometo, mas vou-me esforçar para não o fazer!!

quarta-feira, agosto 08, 2007


A noite foi praticamente passada com os olhos abertos.
Por mais voltas que desse na cama não conseguia deixar de pensar nele. A sua voz, as suas palavras ecoavam na cabeça e a proximidade do dia desejado deixava-a sem chão e ansiosa.


O dia finalmente clareou. Levantou-se e, depois de fazer todos os seus rituais matinais sempre de cabeça no ar, tomou um banho de longos minutos. Olhou para o seu corpo. E pensou como ele o veria e sentiria...
Saíu de casa, entrou no carro e fez um esforço para se concentrar quer na condução quer no percurso. Poucas horas os separavam. Um momento há muito esperado mas, por uma ou por outra razão, sempre adiado.
Chegou, estacionou o carro e dirigiu-se ao local combinado. Veio mais cedo propositadamente. Sentia que precisava de se preparar. O quarto não era grande mas já o sabia de cor... e jamais esqueceria cada pormenor. Desde as cortinas até à cor dos tapetes.


Olhou para o relógio mais uma vez e o seu coração bateu desenfreadamente. Viu-se ao espelho. Ajeitou o cabelo e a camisa pela milésima vez e optou por esperar sentada... pacientemente.


Sabia muito sobre ele, conhecia-lhe até alguns segredos e naqueles meses tinham partilhado todas as suas vidas em palavras: ditas e escritas. Apercebeu-se que nunca na vida tinha esperado por alguém daquela forma. Sentia-o tão perto e antagonicamente tão longe... desejava-o sem nunca o ter olhado nos olhos. Queria que fosse tudo perfeito. Queria ser ela sem pensar em constrangimentos porque ele, inconscientemente, a libertava e permitia que a sua alma, as suas fantasias ganhassem nova vida. Tinha esse poder!


Olhou uma vez mais para o relógio e os seus olhos pousaram nas suas mãos. Hoje estariam preenchidas com o corpo dele, com o seu cheiro, com o seu calor... quantas vezes quis que aquelas mãos fossem as dele!
Levantou-se. Sentiu os passos de alguém no corredor e o seu coração endoideceu. Ficou parada ouvindo atentamente. Tornaram-me mais próximos e mais próximos e por fim pararam. E a sua respiração adormeceu.


Alguém bate. Ela hesita. Caminha lentamente sabendo que aquelas eram, naturalmente, as horas de ambos. Apeteceu-lhe abrir a porta de olhos fechados, talvez uma forma de “temperar” o momento: primeiro a voz, depois o toque e depois, aliado a isso tudo, a imagem real dele. Mas não o fez. A mão abre a porta e o corpo recua para o deixar entrar... O seu corpo treme e as mãos não encontram posição...


Ele aparenta mais calma e tranquilidade. Aproxima-se dela, ou ela dele, não interessa. Na penumbra daquele quarto ficam frente a frente pela primeira vez. Ouvem-se as respirações de corpos imóveis que se sentem uma única vez no mesmo espaço. As mãos dela vão ao encontro da sua face. Os dedos percorrem os olhos, o nariz, os lábios e desenham as suas formas suavemente... depois tocam no cabelo e pousam no pescoço. O perfume que emana dele anestesia-lhe os sentidos e a respiração cola-se à sua... As mãos dele seguem o mesmo ritual.


São apenas segundos mas prolongados no tempo. Este parou. Cúmplice.


Os lábios tocam-se. Um beijo a medo, típico da adolescência, e quase roubado! Mas... o beijo perde a vergonha e os lábios colam-se e perdem-se apaixonadamente. Ela cabe perfeitamente nos seus braços. Sente-se protegida e feliz. Ele aperta-a contra si. E não proferem palavra. Tornaram-se inúteis e completamente desnecessárias.
A casualidade uniu-os, a oportunidade foi aproveitada e o destino cumpriu-se. Ali vive-se um amor que muitos não entenderão. Sabem-no mas entendem-no eles. É o suficiente. Aquele é o momento. Naquele quarto, naquele dia, naquela cidade, àquela hora...


... e por fim... amam-se!





sexta-feira, agosto 03, 2007

Sempre...

Sempre acreditei que o amor se faz e constrói de muitas coisas que passam pelas palavras, pelo carinho, pelo respeito, pela amizade, pela química, pela verdade, pela partilha até de silêncios...

Sempre acreditei no destino. Não sei porquê mas acredito em caminhos traçados. Se optamos por algo tem alguma razão de ser e não vem do nada. Porque estaria eu naquela sala, naquele dia e não a ver televisão ou a ler um livro como o fazia tantas outras vezes?

Sempre acreditei em pessoas especiais. Aquelas que nos abrem os olhos, que nos ensinam a ver aquilo que está para além do óbvio, do elementar. Aquelas que nos abraçam sem braços, nos beijam sem lábios e nos fazem felizes mesmo distantes... Pessoas especiais enchem uma sala. Não precisa de haver mais nada. Pessoas especiais fazem-nos sentir especiais também. Contagiam-nos e fazem com que sejamos pessoas melhores todos os dias. Num momento difícil, perante um qualquer obstáculo, sorrimos porque simplesmente e só por isso amamos alguém especial...

Sempre acreditei na química entre duas pessoas. Do prazer que sentem quando se unem. Da sensação do mundo acabar a qualquer instante e não importar nada... no partilhar e compartilhar de corpos que se amam e entregam totalmente. A liberdade de movimentos naturais que se coadunam e formam suor e calor. A cumplicidade de gestos que, mesmo descoordenados se encontram e tocam intensamente.

Sempre acreditei em beijos e abraços. São fiéis. Não enganam. Transmitem exactamente o que vai na alma, sem pudor. Não há beijos simples. Ou são o espelho de sentimentos ou então não são beijos. Os abraços exprimem carinho, força, segurança... são perfeitos! É o encaixar perfeito de um corpo no outro. É um acto que, infelizmente, se perde a cada dia... abraça-se sem apertar. Abraça-se por abraçar.

Sempre acreditei em ti. Porque me fazes sentir isto tudo: fazes-me amar-te pelas palavras, pelo carinho, pela amizade, pelo respeito, pela verdade e pela partilha de tudo o que já confessámos e, até, vivemos.
Fazes-me acreditar que o destino fez-se e desfez-se mas cumpriu o seu papel. Mesmo que amanhã nos volte a separar.
Fazes-me acreditar em pessoas especias porque tu és uma delas. Pela simplicidade, pela inteligência, pelo humor, pelo homem que és todos os dias.
Fazes-me acreditar na química, na paixão que já se instalou e existe entre nós... em palavras apenas!
E fazes-me acreditar em beijos e abraços fortes e sentidos. Porquê? Porque não há um único dia que passe sem que pense naquele beijo e naquele abraço que ainda não me deste, mas que, por incrível que pareça, eu já senti...

sábado, julho 28, 2007

O Afonso nasceu!

No passado dia vinte e quatro, pelas sete horas e vinte e sete minutos vi pela primeira vez o meu filho…é um matulão, tem mais de quatro quilos, mais cinquenta gramas para ser exacto, e tem cinquenta e cinco centímetros.
O Parto correu maravilhosamente bem, foi muito rápido, mal chegamos ao hospital fomos logo encaminhados para a sala onde, passado pouco tempo, o Afonso acabaria por nascer.
É um rapaz calminho, chora pouco, fica muito quietinho nos nossos braços, raramente começa a chorar no colo de alguém…está a começar a angariar votos para quando concorrer a presidente da republica.
Estes últimos dias têm sido muito agitados, quer para o Afonsinho que para mim e para a minha mulher…toda a gente que conhecemos quer ter a sua oportunidade de ver o menino e não conhecemos assim tão pouca gente.
O Afonso desenvolveu uma fixação pela médica…que por acaso é minha amiga hà muitos anos…sempre que a ouve começa logo a emitir o lamuriar que nós, após o ouvirmos algumas vezes, identificamos como sendo um pedido de atenção…Ficarei sempre na dívida para com ela.

Falando agora concretamente acerca das manias do Afonso…

- Dorme de dia e está acordado de noite ( estamos a trabalhar para mudar esse hábito..ontem tivemos exactamente setenta minutos para dormir depois da uma da manhã)

- Adora ficar aninhado no nosso peito ( confesso que fui eu que comecei essa mania…era a única maneira de conseguir que ele dormisse)

- Tem uma maneira de mamar muito cómica ( começa muito devagar e o ritmo vai subindo…depois diminui…os olhos acompanham a cena…quando o ritmo é lento estão fechados, quando acelera abre-os)

- Quando adormece no berço tem de ficar com a mão em volta do nosso dedo ( para nos sentir próximos)

- Quando ando a passear com ele agarra-me a camisa como se não houvesse amanhã ( É um moço que presa a segurança)

Quanto à mãe…

- Desenvolveu um fascínio por gelatina ( E é VERDADE!...Foi a primeira coisa que ela disse que queria…depois foram maçãs…)

- Não entrou em stress, nem antes, durante e após o parto ( Provando a toda a gente que é uma grande mulher)

- Não perdeu o sentido de humor em nenhum momento ( até cantou a música do Mika…numa tentativa de me gozar…só conseguiu que eu me risse [ Relax…take it easy :P]

- Não se queixa de nada

- Está sempre pronta a dar-me daqueles abraços que me acalmam e só ela consegue.

…………….Por essas e por muitas outras coisas é que eu a amo…e sempre amarei………………………

Esta está a ser umas das semanas mais felizes da minha vida…Apesar de não ser o meu primeiro filho continua a ser único e especial à sua maneira.
Agora só peço para estar sempre disponível para tudo o que a minha família precisar, pois são eles que fazem com que eu lute todos os dias pelo que acredito…quero vê-los crescer, quero crescer com eles, quero dar-lhes tudo o que tive e muito mais…quero ser o mais perfeito possível…pois os meus filhos e a minha mulher o são.


PS: Como já prometemos...a menina já está a ser pensada.

terça-feira, julho 10, 2007

ONLY HOPEBy: Mandy Moore

There's a song that's inside, filled my soul
it's the one that I've tried to write over and over again
I'm awake in the infinite cold
But you sing to me over and over and over again
So I lay my head back down
and I lift my hands and pray
to be only yours I pray to be only yours
I know now you're my only hope
Sing to me the song of the stars
of your galaxy dancing and laughing and laughing again
when it feels like my dreams are so far
sing to me of the plans that you have for me over again
So I lay my head back down
and I lift my hands and pray
to be only yours I pray
to be only yours I know now
your'e my only hope
I give you my destiny I'm giving you all of me
I want your symphony singing in all that I am
at the top of my lungs I'm giving it back
So I lay my head back down
and I lift my hands and pray
to be only yours I pray
to be only yours I pray
to be only yours I know now
you're my only hope


“Finalmente a Lua, com as suas crateras, resplandecente, iniciou a sua aparente ascensão a partir do mar, projectando um prisma de luz através das águas que escureciam devagar, dividindo-se em mil partes distintas, cada uma mais bonita do que a outra. Exactamente ao mesmo tempo, o Sol encontrava-se com o horizonte na direcção oposta, pintando o céu de vermelho, cor-de-laranja e amarelo, como se o Paraíso acima tivesse subitamente aberto as suas portas e deixado toda aquela beleza evadir-se dos seus confins divinos. O oceano transformava-se em prata dourada à medida que as cores volúveis se reflectiam nele, as águas encrespando-se e cintilando com a mudança de luz, uma visão gloriosa, quase como no princípio do mundo.
O Sol continuou a cair, projectando o seu brilho tão longe quanto a vista podia alcançar, antes de por fim, lentamente, desaparecer sob as ondas. A Lua continuava a sua vagarosa escalada, tremeluzindo em mil diferentes tons de amarelo, cada vez mais pálidos, antes de finalmente se tornar da cor das estrelas.
Jamie observou tudo isto e silêncio, o meu braço apoiando-a com firmeza, a sua respiração ofegante e fraca. Quando o céu, por fim, escureceu e as primeiras luzes cintilantes começaram a aparecer no distante firmamento do sul, tomei-a nos braços. Beijei-lhe delicadamente ambas as faces e depois, por fim, os lábios.
- É isto – disse eu – exactamente o que eu sinto por ti.”



N.Sparks in " Walk to remember"

sábado, julho 07, 2007

Tenho pena...


Tenho pena daqueles casais…daqueles casais que entram numa monotonia tão extrema…que acabam por achar normal.

Tenho pena daqueles casais…daqueles casais em que as datas são recordadas mais por obrigação que por gosto.

Tenho pena daquele casal em que o toque nada mais é que fraternal…

…tenho pena daquele homem que entra em casa, depara com a mulher com quem casou e naquele corpo não vê mais que uma amiga das horas más.

…tenho pena daqueles casais…em que os gestos são calculados, as carícias programadas…frases gravadas: “ Olá como estás? Como foi o teu dia ( beijo na testa e não esperam pela resposta).

Tenho pena daquela mulher que procura o olhar do marido e encontra-o perdido algures no passado.

… pobre do casal que relembra os momentos do passado com saudade, sem esperança…” Lembras-te como nos conhecemos? Foram anos inesquecíveis!”.

... Tenho pena, muita pena, daquele marido ou mulher que questiona continuamente “ Onde está o homem\mulher que eu amei? Como é que pude gostar de tal sujeito?”.

No fundo tenho pena de todos os que não amam e sujeitam-se a uma vida rotineira…tenho pena de ti…tenho pena dele, dela…

Tenho medo…de ficar assim com o tempo…
…vamos fazer de cada momento uma dada para recordar com prazer…vamos fazer com que cada minuto seja o mais perfeito das nossas vidas…vamos fazer que sejamos tu e eu…ou outros também…mas, prometo-te…aconteça o que acontecer, venha quem vier…terás sempre em mim um mundo teu, aquele momento em que nada mais existe, nada mais importa…apenas tu e eu…os outros, também, mas não neste mundo tão nosso.

sexta-feira, julho 06, 2007

Chefe ou o empregado?


É nestas alturas que eu não sei quem devo defender…o chefe ou o empregado?

Por um lado tenho um cargo de comando, tenho umas dezenas de homens e mulheres que respondem perante mim com uma dedicação própria dos militares…por outro, tenho de prestar contas a um oficial superior, como todos os militares mais jovens.

Quem já foi ou é tropa sabe que a primeira regra no quartel é “ Não acordar o comandante”…aconteça o que acontecer o comandante é o último recurso para tarefas de importância reduzida…mas porque é que esta regra não resulta comigo?
Continuo a achar que, como líder, me envolvo muito com os meu subordinados…saímos juntos, bebemos juntos, conversamos, gozamos de uma relação de informalidade fora de muralhas muito pouco característica dos militares…mas gozamos.

Agora falando do meu “chefe”…espero que ele não leia… É um ser desprezível. Quem já foi ao jardim zoológico consegue identificar parecenças entre o “Mr.Barrigudo” e um chimpanzé…

- Não sabe comer ( ODEIO jantar na mesa do comando!)…Não sei como faz mas consegue fazer com que metade da comida se infiltre em todos os locais menos na boca ( o que não condiz com a sua barriga de doze meses)
- Não sabe falar…
- Não sabe andar ( tem aquela maneira característica de andar dos chimpanzés…quase que leva as mãos ao chão, inclina-se para a frente e balança as ancas…imaginem por vocês)
- É grunho ( burro, idiota, iletrado…continuo a dizer que a academia onde ele andou ardeu…deram-lhe o título por pena…promoções dos cravos [ 25 de Abril] é no que dá.
- Tem a mania de deixar as acções difíceis para os subordinados ( tipo eu..[ Faça-me o favor de dizer a fulano X que vai ser suspenso] [ Acha que devemos reagir?]…
- É muito adepto do “Diz que disse” o que me enerva seriamente.

Concluindo…não é a minha pessoa preferida.

PS: Imagino o que é que os meus subordinados dizem de mim…

Chefe, mas pouco...


Já se depararam com um ser tão desprezível mas tão desprezível que só vos apetece esganá-lo???
Felizmente posso afirmar que nesta ainda curta vida (penso viver até aos 100 mas não neste trabalho), as pessoas que se cruzaram no meu caminho foram e são todas de índole positiva. Com os seus defeitos obviamente, também eu os tenho e não são poucos, mas com uma capacidade de entrega à amizade, ao respeito e sinceridade, valores que eu, fundamentalmente, comungo. Mas perdoem-me a sinceridade: há situações em que engolimos muitos deles.
Odeio gente hipócrita. Gente que se esconde atrás de uma cara que não tem. Gente que mente descaradamente para conseguir atingir objectivos. É que parece digno de uma novela mas é a pura realidade deste ser desprezível de que vos falo. É um chefe... mas pouco!! Porque não tem carisma, porque não defende quem trabalha, porque não zela pelo bom ambiente e porque o sucesso dos outros é seu.


Primeiro ponto: é chefe. Provavelmente pensará que logo aí tem o direito de interferir na personalidade de cada um. De fazer o que lhe apetece, quando lhe apetece mesmo que, todos, e repito, todos, lhe digam educamente que a ideia é péssima e pouco prática.


Segundo ponto: é mulher. Este factor, torna-o um ser ainda mais perigoso. Para além de exigente é fria e calculista (acredito piamente que não o somos todas). Uma mulher nunca cai sozinha. Um homem assume o erro sozinho (acredito piamente também que nem todos o façam). Uma mulher arranja alguém para culpar pela falha, nem que seja a pobre da senhora da limpeza que deixou cair os papéis que estavam, caoticamente, espalhados na secretária do seu gabinete. Um homem chefe perdoa mais facilmente um deslize; uma mulher chefe não perdoa e se, por alguma eventualidade o faz, garanto-vos que não esquece.


Terceiro ponto: é um ser só. E gosta de o ser porque nunca foi de outra maneira. Desconhece. Conclusão: todos os seus subordinados têm que ter a sua capacidade de entrega ao trabalho nem que isso implique entrar às 9 da manhã e sair às 9 da noite. Não tem família e como tal nunca entenderá que mulheres como ela, por exemplo, tenham marido, filhos, tarefas domésticas e tempo familiar. É um ser desprezível porque não respeita a individualidade de cada um, impondo-se, valorizando apenas e somente os seus semi- princípios. Mesmo antes desta coisa da “Flexissegurança” já esta senhora praticava muitos dos conceitos base no meu local de trabalho. E agora que falo nisso interrogo-me: “_Humm, há dedinho dela neste novo modelo de trabalho! Segunda-feira, secretamente, falarei sobre isso... aos aliados!!”

E o difícil?? O difícil é fazer com que tudo isto nos passe ao lado; é complicado imaginar que o dia de amanhã será melhor, até porque é muito pouco provável que o seja. Intolerável é ouvir determinadas palavras e tecer um comentário educado e coerente. E é um acto heróico esboçar um sorriso. Não há empregos nem trabalhos perfeitos. Sei-o. A maturidade faculta-nos armas de protecção e de salvaguarda e proporciona-nos a calma suficiente para contarmos até dez, lentamente, e agir com serenidade. É a parte do engolir, a parte da aniquilação do nosso “eu” porque todos temos uma vida lá fora, com responsabilidades com as quais não podemos falhar nem por um milímetro! E depois, olhamos à volta, e em vez de um ser desprezível, aparece outro... e talvez ainda outro...
Mas alguém me explica porque razão um tomate podre dentro do frigorífico, rodeado de tomates frescos e brilhantes, de um dia para o outro contagia todos os que se encontram perto de si e os aprodece???? [Ok, devia ter pensado noutro fruto (sim porque o tomate é um fruto do tomateiro e não um legume como muitos pensam) mas nada mais me ocorreu]. Com maçãs seria bem mais simpático...

Enfim, contagiada pelo mau humor nada próprio de uma sexta-feira, resta-me escrever que neste momento sinto inveja de todos aqueles que, ao ler este texto, estão a dar graças a Deus pelo chefe chatinho que têm.

Uma Analogia...

Decidi. És uma montanha. Pensei e repensei em algo com o qual te pudesse relacionar e tornou-se tarefa difícil demais... Teria de ser algo natural, alguma coisa do mundo da natureza sem mão do Homem pelo meio... É assim mesmo que eu te vejo: simples, sem artificialismos, natural e livre. Como uma montanha.
Uma montanha alta! De difícil acesso para os menos atentos e repleta de surpresas. Esta montanha, que és tu, tem uma estrada! Sinuosa como todas as estradas montanhosas mas sem ser perigosa... é estreita o suficiente para passar apenas um carro de cada vez. Um sentido único que atravessa a montanha e termina no cume. Presumo eu que lá de cima se consiga avistar o mar, as nuvens, e à noite a lua e as estrelas. No entanto, creio que este caminho é o mais fácil, mais sinalizado e o mais perceptível. Por aqui, provavelmente, teremos consciência das curvas perigosas, dos abismos, das pedras que se atravessam e às vezes caem dos socalpos, da velocidade mais ou menos controlada...
Mas há ruas escondidas, ruelas que não se encontram no mapa, caminhos não traçados que, apesar de chegarem ao mesmo destino, levam mais tempo, mais esforço físico, mais coragem, mais paciência, mais curiosidade e desenvoltura... sinto que, quem se atrever a galgar este terreno desconhecido, consegue entrar na alma e coração da montanha e, com certeza, descobrirá a magia de determinadas palavras, sentimentos adormecidos, musicalidade... Os mais audazes chegam ao cume da montanha, exaustos mas felizes!!
Numa paisagem mais ampla, encontras-te perfeitamente enquadrado entre todas as outras montanhas. Aliás, ao longe, pareces-te exactamente igual às que te rodeiam. Porém, um olhar mais observador poderá reparar que, curiosamente, é atrás da montanha que és tu, onde, todos os fins de tarde, o sol se esconde...

quinta-feira, julho 05, 2007

Brian Adams

A pergunta que vai dar origem ao post…conhecem a música “The Only Thing That Looks Good on Me Is You" de Brian Adams? Ok…se não conhecem passam a conhecer.

“I don´t look good in no Armani Suits
No Gucci shoes - or designer boots
I´ve tried the latest lines from A to Z
But there´s just one thing that looks good on me

The only thing I want
The only thing I need
The only thing I choose
The only thing that looks good on me...is you

I´m not satisfied with Versace style
Put those patent leather pants - in the circular file
Sometimes I think - I might be lookin´ good
But there´s only one thing that fits me like it should

The only thing I want
The only thing I need
The only thing I choose
The only thing that looks good on me...is you

Ya it´s you - it could only be you
Nobody else will ever do
Ya baby it´s you - that I stick to
Ya we stick like glue

The only thing I want
The only thing I need
The only thing I choose
The only thing that looks good on me...is you”

Todos os momentos, bons ou maus, têm a sua banda sonora…posso já dizer que se ouvir a música do Mika…”relax” que fico possesso…marcou um momento difícil.


Voltando ao tema…se tivesse que fazer uma banda sonora para a minha vida, Brian Adams seria um dos cantores mais activos, esteve sempre lá, espero que sempre esteja. Esta música em particular deve ter marcado o meu momento de mudança…aquele período em que sentimos que temos de assentar…ela estava lá e sempre que a ouço lembro-me daquele momento único.

PS: Não me ponham MIKA!

terça-feira, julho 03, 2007

Uma destas manhãs (estou a ficar sem títulos)


Aquiles contagiaste-me... é que acredito que esta coisa das manhãs complicadas é problema comum. As minhas não são excepção. Todos os dias acontece algo novo e, dessa forma, nunca poderei afirmar que tenho uma vida monótona. Não o é. Mesmo.
Creio que este texto seria tão mais fidedigno se resolvesse, tal como Saramago, não utilizar nem vírgulas nem pontos finais... talvez assim conseguissem entender na perfeição a rapidez e velocidade dos meus movimentos matinais... mas, provavelmente, isso não interessa nada e, além disso, nunca fui grande fã desse senhor.
Aquele dia era importante. Uma reunião que poderia decidir muita coisa. Conclusão: noite mal dormida, nervos em franja. Não tenho despertador. Quem me acorda, todas as manhãs, de Inverno ou de Verão, dia de semana ou não, faça chuva ou sol, é a minha cadela. Dorme ao meu lado na cama dela. Impreterivelmente às 6,45h, lá está ela pronta para a lambidela e para a festa. Salto da cama, literalmente, agarro numas calças de ganga, numa t-shirt e fujo dali com ela pela mão. Quando a porta da rua abre ainda eu estou a dormitar... E, como ainda estou com um pé na cama, dou folga à trela da menina... puxa-me e foge. Abro finalmente os olhos. Jogging. Sem querer. Meus senhores: a melhor forma de fazer exercício é arranjar um cão.
Atrasada, claro. Subo, dou-lhe de comer, corro para a casa de banho, duche, cremes (ele há hábitos que não se perdem nem que o mundo esteja para acabar), visto-me, dispo-me, visto-me novamente, uma coisa que alguém chama de maquilhagem (eu chamar-lhe-ía outro nome, mas, caramba, mulher que é mulher faz uns riscos), corro para a cozinha, bebo um iogurte só com uma mão (a outra está sempre a impedir que a cadela me salte e faço danos na indumentária matinal), agarro nas chaves do carro e de casa, fecho a porta e, já no elevador, rezo para que ninguém se tenha lembrado de encostar, amistosamente, o seu carro a outro.
Caminho para o carro com a velocidade que me caracteriza. Não que ande sempre com o tempo contado mas antes porque foram muitos anos a acompanhar o passo da minha mãe. Sinto que, de um momento para o outro, um dos meus calcanhares deixou de sentir o chão. Pensei no pior e o pior aconteceu. Olho para trás e lá estava ele. O tacão preso entre duas pedras da calçada. Agarro-o, não sai. Puxo com mais força, nada. Praguejo e já vermelha de raiva, agarro-o com as duas mãos. Venceu-me. Com um andar renovado, subo, troco de calçado, desço, abro a porta do carro e, mais uma vez, desejo fervorosamente que a ponte que me separa de Lisboa não esteja entupida.
Que mais poderia acontecer, pensarão vocês?? Pois é, comigo tudo é possível, principalmente quando corro contra o tempo.
Portagem. Fila. Impaciente bato com os dedos no volante e nem o Pedro Ribeiro me anima. Resmungo contra a minha preguiça, já devia ter tratado da Via Verde. Nem ouço a música que, por esta altura, já está baixa para não me irritar mais. A minha vez. Entrego o cartão ao senhor e, naquele milésimo de segundo em que os nossos dedos se tocam, o maldito cartão cai. Carro à frente, a porta não abria tal era a proximidade entre nós e a cabine. “Menina, acabou de pisar o cartão. Mais à frente um pouquinho!” E assim é. O carro mais distante e saio, apanho o cartão, que entretanto tinha mudado de cor e, estupidamente, entrego-o. Não funciona, claro. Outro cartão. Faço estes movimentos todos com rapidez e sem nunca olhar para quem se encontra atrás de mim, na fila. Não quero ser fulminada logo pela manhã até porque não posso faltar a esta reunião.
Pago e arranco a grande velocidade. Confesso que não gosto de andar devagar mas, nesse dia, voei...
Finalmente, depois destes precalços todos, cheguei. Estava atrasada 30 minutos. E enquanto me sentava, desculpando-me pelo atraso, e esperava pelos restantes atrasados, pensei que realmente há dias em que devia ser proibido sair de casa...
A reunião correu bem. E, mais tarde, quando cheguei a casa, o tacão partido ainda lá estava à minha espera. Baixei-me e sem esforço algum retirei-o. Com calma tudo se consegue, disso tenho a certeza, mas clareza de espírito é coisa que me falta nas primeiras horas do dia.

segunda-feira, julho 02, 2007

A minha vida é um filme!


Acordo com aquele som estridente do despertador ( porque é mesmo estridente…não havia aparelho mais poderoso que aquele…a minha mulher tem de ouvir sirenes logo pela manhã), minuto puxa minuto…mais um bocadinho ( digamos vinte minutos), considerando que o despertador toca de três em três minutos depois da activação ( muito toque…), lá sinto o carinhoso toque da minha amada ( é mesmo ao encontrão) e a voz chega-me ao ouvido “ Levanta-te JÁ! ( desce o tom) ou desliga o despertador ( sobe o tom) OU EU PARTO-O!!”, convencido, pelo seu bom humor matinal, assustado, pela hipótese de o Afonsinho decidir que está na hora, levanto-me ( depois de desligar o despertador e exigir o meu cumprimento oficial! Porque encontrões não me alegram!)…Próxima paragem duche ( onde apanhei com a água gelada nas costelas [ relembrando-me que preciso de mandar a caldeira para o jardim do vizinho]…desfazer a barba…( não sei como é que não me cortei)…olho para o relógio e, digamos, estava muito, muito, mesmo muito atrasado…corri para a cozinha… patinando nos tapetes ( malditas inutilidades…outra coisa que tenho que mandar para o jardim do vizinho)…chegado à cozinha começa o dilema…o que é que vou comer em dois minutos??...Conhecem os iogurtes Puro da danone? ( ou algo assim..), pois bem, foi a minha escolha…Aquelas mensagens alegram-me sempre o dia! Hoje foi “ Não comas à pressa campeão!”, considerando a ocasião, até veio a calhar…( giro giro é quando pegamos num iogurte de pêssego e a mensagem é “ Beijos de banana…”…ou quando acordamos com a nossa mulher a dizer “ Ohhhhhhhh Luís… [ seguido do barulho dos meus passos e da, já decorada, pergunta, “ Vai nascer????”] … O homem dos iogurtes está a fazer-se a mim!”)…Finalmente despedi-me da minha mulher e lá saí a acelerar pelas ruas de Portugal.

Toda a manhã correu bem, considerando o despertar…quando me vinha a vir embora oiço aquela vozinha irritante do meu superior…” Então Capitão? Não consegue deixar o quartel durante as férias?” ( é tão engraçado! Não apetece dar carícias a alta velocidade??”)…mais dez minutos de conversa de conveniência…quando já estou a entrar no parque de viaturas ouço outra voz…” Luís podes assinar o meu relatório?? Vá lá..”, ao que eu respondo: “ Pede ao coronel..”…” Não pode”…” Pede ao outro capitão”, tento eu…” Não sabe!”…” Não sabe assinar??? Ai a minha vida!”, lá vou assinar aquilo que não mandei fazer…quando regresso ao parque de viaturas e entro no meu carrinho…saio dali com tanta pressa ( mal fechei a porta) e começo a dirigir-me para casa…

Cem metros depois…não mais que isso ( ainda via o guarda!!) começo a ouvir a sirene…emergência!
Imediatamente o telefone toca!
Marcha atrás ( porque ainda o podia fazer)…entro no quartel, o guarda com cara de sono…e eu a pensar “ É bom que Espanha nos esteja a invadir!”
Conclusão…Foi um erro técnico ( por outras palavras…a sirene tem de ir para o quintal do vizinho!)

Agora estou aqui…a minha mulher até me recebeu bem…vamos ver como acaba o dia!

domingo, julho 01, 2007

Notícias


Pois bem…( sou só eu que acho que tenho uma forma estranha de iniciar os posts??)…retomando…Muita gente ( pronto, duas ou três pessoas) devem estar a perguntar-se porque razão não tenho escrito nada, já que eu próprio afirmei que tinha tempo de sobra ( se não se lembram de eu ter dito tal coisa finjam que sabem para eu me sentir bem)…


Venho por este meio aconselhar:
- Nunca…Nunca digam que têm tempo demais!
- Nunca digam que têm tempo demais…
Finalmente:
- Nunca digam que têm tempo demais!

Porquê? ( perguntam, muito bem, os excelentíssimos leitores…)
- Pode dar-se o caso do vosso companheiro\a ler e achar que vocês têm que começar a fazer algo mais em casa.
- O vosso chefe pode ler e achar que as férias estão a afectar a capacidade intelectual do funcionário ( “ Desocupado?? Vamos já tratar disso…Ohhh Cunha liga para o Capitão…[Cunha…cinco euros por ter falado em ti])

Falando do meu caso em particular…

A minha vida gira em volta do tudo e do nada…muita dor ou nenhuma dor, muito trabalho ou nenhum trabalho…eu nem digo o resto…então veio tudo ao mesmo tempo! Passo a explicar…
Quando já me estava a preparar para começar com as reparações da casa ( a linha que separa a reparação da destruição é ténue)…quando já começava a gostar de ver as séries da Fox ( Quando finalmente consegui perceber OC!!)…surgiu um trabalhito ( entenda-se que o sufixo “Ito” é para atribuir à frase um certo eufemismo)…eis que toca o telefone: “ O Coronel disse que é uma coisa simples” dizia o Cunha( e vão dez), tentando conferir à expressão uma certa calma…Digamos que de simples não têm nada…estou, digamos, de rastos.

Boas notícias…
-Acabarei o trabalho antes do meu filhote aspirar a primeira golfada de ar…( esta é sem dúvida a melhor notícia)
- Safei-me de algumas tarefas em casa ( quer dizer…adiei)

Más notícias…
- Já não percebo nada de OC… novamente ( a última vez que vi a personagem que me começava a intrigar tinha morrido…é triste…fiquei triste!)
- Estou todo dorido!
- Não vou poder ir à praia tão cedo…

Meus caros leitores…prometo tentar escrever alguma coisa brevemente ( eu até sei que nem fazem muita questão…mas finjam que sim…já me chegam as desilusões com a série…é que fiquei mesmo chateado!!)

Saudações Cordiais! ( Ou seja…abraços de partir costas para os moços…e, digamos, um beijinho às meninas [ sem carícias a alta velocidade (estalos) de seguida…ouviste AL????])

Até uma próxima…talvez amanhã.

domingo, junho 24, 2007

Novidades

Nestes últimos dias tenho tido muito tempo desocupado… o que é que um homem faz quando está desocupado? Inventa…pois é isso que eu estou a fazer aqui no blog.
Agora temos rádio…Digo já que não conheço a estação emissora, da discrição parecia a melhorzinha na minha opinião…ou seja, não me responsabilizo por possíveis danos no canal auditivo.
A publicidade enerva-me, mas pronto…Quando se começa a inventar acabasse por estragar…Ups

quinta-feira, junho 21, 2007

Frases famosas...

“Quase sempre as mulheres fingem desprezar o que mais vivamente desejam” , Shakespeare – Não se nota logo que foi um homem que a escreveu??? É que há “nãos” que só podem ser lidos como tal... não há engano possível!!
“Meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado” – Oh Einstein, devias viver cá em Portugal pá. É que aqui há Democracia mas ninguém é respeitado. E venerados há muitos: principalmente dirigentes de futebol.
“Se se quer ser alguém, deve venerar-se a própria sombra”, Nietzsche – e em dias nublados e de chuva hã???
“Que vantagem têm os mentirosos? A de não serem acreditados quando dizem a verdade.”, Aristóteles – Pára tudo. Onde está a vantagem mesmo????? Não percebi Tótlezinho. Adiante.
“Se não há café para todos, não terá para ninguém”, Che Guevara – O conceito é bonito. E dizer isso lá no local do trabalho????? É um ver se te avias...
“O homem que trabalha somente pelo que recebe, não merece ser pago pelo que faz”, Abraham Lincoln – Deus queira que os patrões deste país não leiam esta frase eloquente.
“O que nos salva é dar um passo e outro ainda”, Saint-Exupéry - Claro, dependendo do sítio onde nos encontramos. Imaginem uma falésia...
“A simpatia consiste em amar as pessoas mais do que elas merecem”, Joseph Joubert – Já lhe ouvi chamar muita coisa... nunca “simpatia”...
“Um sorriso falso é como um cheque sem cobertura,” Jô Soares – Conheço algumas pessoas sem credibilidade bancária...
"Se me obrigassem a dizer porque o amava, sinto que a minha única resposta seria: Porque era ele, Porque era eu” Michel de Montaigne – Uma resposta clara. Quase tão boa como “Porque sim.”
"Não são os outros que nos dão oportunidade, nós é que temos que buscá-la” , Alfieri - Terá este senhor ouvido falar no “Factor C”???
"Dado que o homem é o único animal que bebe sem sede, convém que o faça com discernimento" Farnoux-Reynaud - E é a falta de discernimento que o torna um homem.

terça-feira, junho 19, 2007

Mundo!!


Foi criado um mundo paralelo. Ao real. Porém, este mundo é caracterizado por ser quase tão real como a realidade. Vive-se, respira-se, sente-se, sonha-se...
Neste mundo, criado por ambos, não há casas, nem carros, nem passeios, nem pessoas... apenas janelas! Uma sala enorme, duas cadeiras frente a frente, pouca luz artificial, já que pelas janelas entra a luz suficiente para os guiar. Não lhes importa quem são, apenas o que sentem. Não lhes importa o passado nem o futuro, apenas o presente. Nem sequer lhes importa como se sentem, apenas o facto de se sentirem.
No mundo paralelo de que vos falo não há tempo, nem constrangimentos, nem vergonha, nem limites, nem meias palavras ou meias frases, nem silêncios, nem vozes circundantes, nem ruído... apenas música que acompanha a veracidade destes seres que são aquilo que, na verdade, são. E livres de o serem. Fazem ligações directas entre pensamento e a palavra dita ou escrita. Não pensam interiormente. Ambos o fazem automatica e espontaneamente... entregam-se porque se querem. E querem-se porque a cada minuto, que não existe, se entregam mais...
Este mundo paralelo que foi criado, e que quase ninguém sabe que existe, é feito de histórias passadas, só aquelas que merecem ser contadas; de sorrisos; de tristezas que duram segundos que não são contados; de partilha de sentimentos novos e desconhecidos, porém, intensos; de carícias e mimos; de confissões profundas e sentidas; de surpresas; de descontracções físicas e mentais...
É um mundo pequeno. Novo. Pode até ser um mundo insignificante e comum... Não é isso que realmente interessa. É deles e só deles.
E se mais nada possuirem daqui para a frente, num futuro sobre o qual nunca falam, pelo menos terão a certeza de que, ali, naquelas horas que existiram sem minutos ou segundos, foram felizes...

segunda-feira, junho 18, 2007

Uma breve reflexão sobre: Os Agricultores… porque eles alimentam/ comem o mundo…


Hoje acordei para criticar tudo e todos…Será que me estou a transformar no Saramago??
Enquanto estava perdido a ver as notícias, a minha atenção foi chamada a intervir…fixei o ecrã, num daqueles minutos raros em que não se fala do Pinto da Costa, da OPA do Benfica, ou da Madeleine ( que é o único assunto que na minha opinião ainda merece um pouco de antena…embora esteja a tornar-se exageradamente mediático)…retomando, num desses momentos em que se discute alguma coisa nova falaram de Agricultura.

Pois bem, começando com as questões…
Lembram-se de existir algum ano próspero para a agricultura em Portugal??
Já ouviram algum agricultor a dizer que a produção foi muito acima das suas expectativas?
Algum agricultor doou parte dos seus excedentes a alguém que não eles próprios e as suas famílias?
Muda o ano, não muda a cassete. Todos,e quando digo todos são mesmo todos,os anos os agricultores de Portugal têm alguma queixa:

- Choveu muito;
- Choveu pouco;
- O Verão chegou muito cedo;
- O Verão chegou muito tarde;
- Foram atacados por pestes;
- As sementes não pegaram;
- etc., etc.…

Existe alguém mais infeliz e insatisfeito que um agricultor? Conhecem alguém com mais argumentos que um agricultor?? Conhecem alguém mais *****( a palavra que antecede este aviso não pode ser pronunciada por mim…temos pena).
Se chove... querem indemnizações por causa das inundações… se não chove querem que o estado os indemnize pela seca…se arde o estado tem que reconstruir as casas ( sim, porque foi o estado que não limpou a mata…em frente da casa do agricultor!)…Eu acho que se tiverem produção a mais vão pedir uma indemnização por não terem a quem vender tanto produto!
Resumindo, o estado ( através dos nossos impostos) paga por tudo e por nada indemnizações aos agricultores…e depois o estado é mau…eu continuo a defender que o estado é “burro”…porque isto de dar indemnizações e não ver nada em troca é…um bocado mau…

Agora vou pensar no que vou criticar mais tarde.

Uma breve reflexão sobre Os média…porque eles governam o mundo.

Há muito, muito tempo eu considerava que para se ser jornalista era preciso ser-se uma pessoa bastante culta…interessada um pouco por todos os temas, com vontade para aprender…para descobrir… Passando um dito um tanto ou quanto modificado por mim ( porque eu quero, se alguém se importa que me processe), mudam-se os tempos mudam-se os requisitos e as funções.
Passo a explicar, sucintamente (ou não), a minha modesta opinião ( admito que é modesta…só estou a escrever isto porque não me lembrei de nada mais poético).
Quando a principal função dos jornalista era informar ainda assistíamos a demonstrações de grande erudição…agora, como querem governar o mundo começaram a adoptar as características dos seus principais oponentes…os políticos, ou seja, ( atenção agora é importante…façam a “cena” do rufar dos tambores) ficaram ignorantes.

Passo a exemplificar…porque não há nada como ver (ler) para crer:

- O acidente fez um total de um morto e três desaparecidos. Teme-se que não haja vitimas. ( Acabaram de fazer outra vítima…eu estou em choque)

-Os nossos leitores nos desculparão por este erro indesculpável. ( Eu quanto a vocês não sei…mas eu não desculpo…Recuso-me!)

- Quatro hectares de trigo foram queimados. Em principio trata-se de um incêndio. ( Não terá sido inundação??)

- Os sete artistas compõem um trio de talento. ( Eu nem encontro comentário possível…)

- A vitima foi estrangulada a golpes de “facão”. ( Ao menos admitem que é Vítima!)

- Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça. ( Eu acho que ele perdeu a cabeça quando leu este comentário).


E muitas mais poderia colocar aqui…Nem vou transcrever as “calinadas” dos políticos…porque amanhã trabalho e teria que ter um blog extra…ponho só a mais, digamos, estranha ( estou a ser simpático)

- Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para satisfação dos habitantes.

Ainda dizem que o poder político não influencia a nossa sociedade, que as pessoas não admiram os políticos…eu diria que admiram…ou pelo menos gostam de os imitar.
Se eu começar a ficar com perfil de político…por favor…digam-me.

Selene...

Espero que não te importes…estava a ficar farto do tom claro do nosso blog…

Para ti camarada iluminada

Ela bem dizia que saía Pessoa…”Memorial do Convento…aquele pseudo romance, cínico, contra tudo e contra todos??Não…Vai sair Pessoa…” Disseste ou não disseste senhora futura polícia?
Pois bem, em homenagem aos jovens que hoje fizeram o exame Nacional de Português…e principalmente em tua homenagem…o poema que te fez gastar a tua caneta da sorte :

Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo.
São – tictac vísivel – quatro horas de tardar o dia.
Abro a janela directamente, no desespero da insónia.
E, de repente, humano,
O quadrado com cruz de uma janela iluminada!
Fraternidade na noite!

Fraternidade involuntária, incógnita, na noite!
Estamos ambos despertos e a humanidade é alheia.
Dorme. Nós temos luz.

Quem serás? Doente, moedeiro falso, insone simples como eu?
Não importa. A noite eterna, informe, infinita,
Só tem, neste lugar, a humanidade das nossas duas janelas,
O coração latente das nossas duas luzes,
Neste momento e lugar, ignorando-nos, somos toda a vida.

Sobre o parapeito da janela da traseira da casa,
Sentindo húmida da noite a madeira onde agarro,
Debruço-me para o infinito e, um pouco, para mim.

Nem galos gritando ainda no silêncio definitivo!
Que fazes, camarada, da janela com luz?

Sonho, falta de sono, vida?
Tom amarelo cheio da tua janela incógnita…
Tem graça: não tens luz eléctrica.
Ó candeeiros de petróleo da minha infância perdida!




Álvaro de Campos

Assim de repente ocorrem-me algumas coisas que pudessem ser ditas…mas o que tu disseste…é teu e só teu…segredo de justiça.

domingo, junho 17, 2007

O teste =)

You Will Be a Cool Parent

You seem to naturally know a lot about parenting, and you know what kids need.
You can tell when it's time to let kids off the hook, and when it's time to lay down the law.
While your parenting is modern and hip, it's not over the top.
You know that there's nothing cool about a parent who acts like a teenager... or a drill sergeant!

sábado, junho 16, 2007

Saber

Quando te conheci, ou começava a conhecer ( pois o acto de conhecer é infinito), desejava saber tudo acerca de ti…inconscientemente, mas era o meu desejo.

Lembro-me das perguntas parvas que fiz, das perguntar impertinentes, “saídas da casca” como tu costumavas dizer…lembro-me de uma…ora relembra:
“ – Ama-lo?
- Ah? – Perguntaste tu como se não esperasses a pergunta.
- Amas o teu namorado?
- Não me podes perguntar isso! – Disseste “chocada”.
- Tanto posso que perguntei…se não responderes eu deduzo pelo silêncio.”
Respondeste…e sinceramente nunca nenhuma resposta me fez sentir tão bem e tão mal ao mesmo tempo. O remorso e a esperança aliados numa batalha que apenas tinha começado…Foi o principio não concordas?

Em todas as relações, principalmente no inicio, existe a vontade de saber “ Quantas pessoas te amaram? Quantas amaste?”, é instintivo…saber para proteger...proteger mais a nós mesmo que à cara-metade.
Depois de muitas perguntas lá vamos ouvindo a famosa “ Mas o que é que isso importa??O que passou, passou, estou aqui não estou?”…E, friamente, é verdade.
Nesse momento começamo-nos a focar em planear o futuro. Antes de se largar o passado o futuro não pode ser construído, todos trazemos “bagagem”, uma mais pesada que outra, mas toda pode ser arrumada.

Algumas respostas fui descobrindo enquanto traçava o futuro, a cada pergunta respondida surgem mil por responder porque…sejamos sinceros, o amor é interessante, estimula todos os sentidos, naquele momento todos somos poetas, polícias, médicos e filósofos…sabemos o que dizer, quando dizer, sabemos o que investigar e como o fazer, sabemos satisfazer e provocar a dor, elaboramos teorias e vivemo-las…naquele momento todos sabemos o que fazer, porque é inato…tudo na vida nos prepara para aquele momento…aquele momento prepara-nos para a vida.

Por isso, meu amor…e como já dizia Virgílio Ferreira:
“Que importa que já o saibas? Só se sabe o que já nos não surpreende.”Prefiro não saber tudo sobre ti…quero ter sempre novas perguntas…novas respostas…mas sobretudo interesse em descobrir. Porque tu surpreendes-me e surpreenderás até ao fim dos meus dias…porque ainda tenho muito para te dar e descobrir…é uma promessa.





( Pareço um rapazito obcecado…eu sei…mas, não sei explicar, é mais forte que eu falar de ti…porque, epah…és, digamos…hum…ah…tudo para mim :D)

quarta-feira, junho 13, 2007

Uma breve reflexão sobre :



Pois bem…em Portugal parece que tudo acontece por acaso..até as grandes coisas…

O texto que se segue é baseado em factos verídicos, facilmente comprovados ( ou não), extraídos de uma longa pesquisa ( porque vinte minutos pode ser muito tempo)…Não tentem isto em casa.

O Vinte Cinco de Abril…uma teoria fechada a discussões ( AZAR!) Versão para totós ( sem ofensa aos possíveis leitores)Era uma vez um senhor muito mau que decidiu que este país à beira mar plantado haveria de ficar para todo o sempre ligado à agricultura, à igreja e à tradicional família ( pai, mãe e montes de filhos…ainda bem que ele não sabe que agora vai passar a ser pai, pai, um filho…vice versa)…para isso criou uma policia muito má…muito má…
Ok…vocês sabem a história, desenvolvendo…
Certo dia…uns senhores que por acaso estudaram e que, só por acaso, eram militares, receberam a triste notícia de que outros senhores, que por acaso não estudaram, não sabiam usar talheres e para eles a pistola ainda tinha uma “espada” à frente, iam receber cursos intensivos para receberem o estatuto de oficial miliciano…os primeiros são ( quem advinha?)Os famosos…os únicos…capitães..futuros capitães de Abril…os segundos são ( não que interesse para a história) os grunhos dos milicianos das colónias ( que ainda hoje conseguem entrar facilmente em qualquer coisa em Portugal..porque será?)…Prosseguindo…como é lógico os capitães acharam que os milicianos iriam substitui-los..porque não tinham poder reivindicativo, trabalhavam e não falavam, não precisavam de andar tão equipados…vestiam-se tipo à índio e matavam os inimigos à dentada, etc.…etc ( lembra-vos alguém??).…juntaram-se no chamado Movimento dos Capitães ( muito original se me é permitido opinar…se não é AZAR) contra a integração dos milicianos na carreira militar.
Tiveram tanto sucesso…mas tanto sucesso que pensaram “ Epah nós somos mesmos bons! Bora libertar o povo da tirania do Estado Novo? Pelo caminho até podemos resolver a questão do Ultramar…é que está a dar é o futebol e o pessoal não quer ficar sem pernas na guerra!” ( pronto…esta alegoria pode ofender algumas pessoas…não é a intenção).
Por acaso…andavam pela cidade uns oportunistas…tipo Spínolas e Costas Gomes que decidiram negar o apoio ao Governo…estavam de mau humor naquele dia…o governo não gosta de ser gozado e exonerou-os…ou, mais comummente falando, mandou-os procurar um trabalho novo…
Esses oportunistas ( para não dizer pior) pensaram, “ Não temos nada para fazer…daqui a uns dias o dinheiro que fomos desviando da messe para o bolso acaba…depois o que fazemos?? É melhor irmos comandar aquele movimento reles dos capitães…deixa de se chamar movimento dos capitães e passa a ser das Forças Armadas…é mais sonante e tudo…”
Lá foram a correr ter com os capitães…que tão generosos ( ou não) que são deixaram-nos mandar.
Passados uns tempos saíram à rua…os capitães ( porque à hora que foi os comandantes ainda estavam a dormir…não se deve acordar os comandantes!)…cercaram aquilo tudo…e,quando iam prender o Sr. Marcello Caetano este disse…” Oh Capitão! Tira lá as mãozinhas daqui…eu mereço um oficial superior!” ( sim porque quem tinha o poder de decisão era ele…os capitães nem estavam armados…ok tinham cravos nas armas…à América latina, se me permitem ou não). Foram chamar o Sr. Oficial Superior…Exmo.General Spinola que, apesar de não ter feito nada…ficou com o poder…e passou a acordar ainda mais tarde.

Moral da história:
- Se forem os capitães da vida não deixem que os generais se metam nos vossos projectos pessoais…podem ficar a ser comandados no vosso próprio plano…
- Melhor ainda…Em Portugal…se não fores chefe…arranja maneira de seres, ou então…é melhor não pensares em mudar o mundo.

Ps: Viva o Maia! ( agora a sério…era o único inteligente)

domingo, junho 10, 2007

Ain't No Sunshine - Bill Withers

“Ain't no sunshine when she's gone
It's not warm when she's away
Ain't no sunshine when she's gone
She's gone much too long
Any time she goes away”



Por alguma razão esta música é interpretada por vários cantores, grupos…Na minha opinião é uma das músicas que melhor descreve a sensação de estar apaixonado…
No outro dia, numa festa, passaram esta música no karaoke…não a ouvia há muito tempo, mas sempre que a oiço desperta em mim aquela sensação de necessidade extrema de olhar para aquela pessoa…a “tal” que nos faz brilhar os olhos…entre desatinos, tentativas desesperadas para interpretar a música, risadas e gritos, tentei captar aquela sensação…tentei analisá-la, perceber a pessoa que a escreveu…que para mim é um génio, porque conseguiu descrever em música o que eu nunca conseguiria por palavras…escusado será dizer que me foi impossível descodificar os sentimentos da pessoa que a escreveu ( os gritos desafinados de certas pessoas também devem ter ajudado ao fracasso)...independentemente do autor sentir tudo ou nada do que transpôs para a música…continua e continuará a ser uma das minhas músicas de eleição.

“Ain't no sunshine when she's gone
It's not warm when she's away
Ain't no sunshine when she's gone
She's gone much too long
Any time she goes away

Ain't no sunshine when she's gone
Wonder if she's gone to stay
Ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't no home
Anytime she goes away


I know
She's gone to stay
It's breakin' me up
Anytime she goes away
Gotta leave the young thing alone
There ain't no sunshine when she's gone


Ain't no sunshine when she's gone
It's not warm when she's away
Ain't no sunshine when she's gone
And she's gone much too long
Any time she goes away


Ain't no sunshine when she's gone
I wonder if she's gone to stay
There ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't a home
Any time she goes away


I know
She's gone to stay
It's breaking me up
Any time she goes away
Gotta leave the young thing alone
There ain't no sunshine when she's gone


Ain't no sunshine when she's gone
I wonder if she's gone to stay
Ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't no home
Any time she goes away
Any time she goes away”

sexta-feira, junho 08, 2007

Porquê?

_ Porque é que é de noite?



_ Porque é a vez das estrelas entrarem pela tua janela...



_ Porquê?



_ Porque o sol cansou-se e é a altura certa para a lua brilhar...



_ Porquê?



_ Porque é a lua que tem o poder de adormecer as pessoas e os animais...



_ Porquê?



_ Porque a sua luz tem muita força e obriga-nos a fechar os olhos...



_ Porquê?



_ Porque os nossos olhos estiveram abertos o dia todo, atentos a tudo e todos e agora querem dormir...



_ Porquê?



_ Porque amanhã é outro dia e, se os olhos não estiverem despertos, há muita coisa que não vão ver...



_ Porquê?



_ Porque todos os dias aparece algo novo...



_ Porquê?



_ Porque todos os dias são diferentes...



_ Porquê?



_ Porque sim...



_ Isso não é resposta...



_ E isso não serão “porquês” a mais?



_ Porquê?



_ Hora de dormir. Amanhã explico-te o porquê de ser dia...

quarta-feira, junho 06, 2007

E uma música...

Simples, para ti...

http://www.youtube.com/watch?v=USFr5VeLQ2o

O meu cão e eu!


Sempre gostei de ler biografias e livros de histórias reais. As fantasias e contos imaginários estão na minha cabeça e já os considero demasiados. Não sei porquê mas tenho curiosidade em saber como foi ou é a vida das pessoas, viajando pelo livro, como foram ou são experiências vividas e gosto de bisbilhotar (não me parece muito bonito) pormenores na esperança de encontrar esta ou aquela semelhança, este ou aquele ponto em comum com a minha própria vida!

Acabei agora de ler um livro desses e decidi escrever sobre o assunto. Marley e Eu é o título. Faço questão de um dia o oferecer a alguém.
Houve uma altura em que pensei que era impossível chorar ao ler um livro. Ao ouvir uma determinada música, ao ver um filme, tudo bem, mas a ler um livro?? Mas de facto, há livros que possuem uma vertente cinematográfica muito grande, que ilustram na perfeição personagens e acontecimentos e nos levam para dentro dele. Ultimamente acontece-me chorar ao ler algumas histórias. Penso que acontece por duas razões: primeiro porque são narradas situações que sei que aconteceram e logo o sofrimento, a alegria, o entusiasmo, a dor existiram num tempo e espaço realmente vivido. Segundo porque são bem escritas e as palavras são claras e combinam na perfeição com os meus ideias de vida. Confuso??
Este livro alia dois factores importantes: uma família, normalíssima não fosse a entrada, sui generis, de um... cão. Não é um cão qualquer. É um cão fotocópia do meu. Aquele que vive feliz da vida na casa dos meus pais. Vi-o nascer e acompanhei cada fase do seu crescimento. A cada instante descobria-lhe uma “pancada” nova. Definitivamente fui constantemente enganada por ele. Gritava-lhe, ele lambia-me. Batia-lhe com o jornal, ele gania. Ignorava-o, ele saltava-me para o colo sabendo que era mesmo impossível não o sentir. Tal como o Marley, o meu cão tem uma personalidade forte, é inteligente e meigo e só aprende o que lhe convém... mais importante: quando lhe convém!!
A cada capítulo do livro revi-me no desespero do dono mas igualmente na capacidade de amar um animal sem regras, doido varrido, bem como na entrega a uma amizade incondicional, a uma protecção simultânea e à dor dos castigos (des)necessários.

Tanto ele como eu adorávamos a barragem perto de casa. Ao fim de semana, enfiava-o, literalmente, no carro e íamos para lá, os dois... durante a viagem fazia-me a limpeza aos ouvidos, gania e ladrava a todas as alminhas que passavam por nós. Nem os biscoitos que comprei, para o manter mais ou menos quieto, funcionavam. Devorava-os e estava pronto para a brincadeira num instante...
Quando chegávamos, prendia-o e era arrastada para um lado qualquer. Lindo de se ver. Com frequência ouvia comentários destes: “Mas, afinal, quem passeia quem???”. Sorria e dizia sempre que o meu cão era doido e não tinha emenda.
Fugiamos sempre das multidões. Tinha um cão muito dado a contactos físicos, portanto, era bem mais seguro irmos para um lado da barragem mais isolado e calmo. Aí soltava-o e deixava-o snifar incessantemente flores, ervas, árvores, pedras e tudo o que mais houvesse por ali... Normalmente nunca saía de perto de mim. Eu ficava sentada perto da água a observar os seus movimentos. Nesse dia, não sei se por distracção minha ou por excesso de olfacto dele, fugiu... Rapidamente encetei numa corrida, tresloucada, chamando o seu nome vezes sem conta... nem vê-lo...
Passados longos, pelo menos a mim pareceram-me ser, minutos e já perto de um local próprio para piqueniques e afins, vejo o meu cão a correr velozmente na minha direcção. “Ahhh, estás aí. Olha o que eu encontrei!!??” parecia dizer... na sua boca, nada mais nada menos, do que um naco de carne, enorme, crú... incrédula, vejo um senhor atrás dele praguejando coisas menos bonitas a seu respeito. Por segundos desejei que o meu cão passasse por mim e não me conhecesse.
Ele sabia o que eu estava a pensar e, por isso mesmo, fez exactamente o contrário. Parou, deixou cair a carne, saltou-me para cima, lambeu-me a cara, pegou novamente na carne, sentou-se aos meus pés e começou a comer o produto do seu roubo. Não tinha como fugir. O cão era meu!!
Desculpei-me da melhor forma que consegui, sugeri até ir comprar carne mas o senhor, vermelho de raiva, só dizia que tinha toda a gente à espera das febras. Nada feito. Metade das febras já tinham ido à vida...

Este livro, teve este efeito em mim: não me senti tão sozinha na angústia de querer educar um cão e não conseguir. Era mais forte do que ele. E sempre acreditei que há instintos que não podem e, talvez até, não devam ser aniquilados. O meu cão é mal educado, maluco, irrequieto, enérgico, bruto e desobediente. Mas se ele não fosse assim, eu também não teria história nenhuma para contar... e as nossas vidas são tão mais ricas e felizes se tivermos alguma coisa a dizer...

quarta-feira, maio 30, 2007

Sicilia Patria Mia!


Seguindo o exemplo da minha camarada de caneta, Selene, decidi descrever a ilha onde nasci.

Para quem não sabe, nasci na Sicília, uma região autónoma de Itália.
Desde pequenino que percebi que, independentemente do que crescesse ou do que fosse, iria ser sempre o “ menino”, o filho do senhorzinho e neto do senhor…” Menino o senhorzinho e o senhor já estão à espera para jantar” ( quem apanhar a conversa a meio não percebe a quem é que se estão a referir.
As tradições são tão poderosas na minha ilha que estender a mão a um familiar mais velho é quase tão ofensivo como esbofeteá-lo…pelo menos na minha zona, Siracusa…Os dois beijos na face continuam a prevalecer, ou então o beijo da mão ( não, não é só nos filmes), depende tudo da influência da pessoa, a sua idade e sexo.
Por exemplo a um senhor de mais idade deve-se inclinar ligeiramente a cabeça em sinal de respeito. A uma senhora devemos beijar a mão, assim como a um familiar mais velho e mais influente. Aos muitos primos, irmãos ou indivíduos mais próximos, os dois beijos na face são o indicado…mas vai depender muito de cada um e, como é lógico, as tradições têm-se esmorecido, e as gerações mais novas já não são tão cordiais.
Na zona em que nasci todos se conhecem uns aos outros, nem todos se dão bem…as rivalidades entre famílias são tão intensas que nos são incutidas logo à nascença, derivam já de guerras passadas, lares passados e não é muito complicado imaginar essas disputas a terminarem em banho de sangue ou lágrimas. Essa é uma das coisas que menos gosto na minha terra natal, as distinções que se fazem…questioná-las quase que conduz à expulsão da família.
Os jovens ficam a viver com os pais quase sempre até ao dia do casamento, por essa mesma razão as regras para utilizações secundárias dos carros são diferentes das dos nossos países. Não é raro encontrar um homem de trinta anos a viver em casa dos pais…se não casou dificilmente sai de casa. Existem apenas duas excepções…os universitários e os das forças armadas ( e mesmo assim dentro da excepção existem excepções).
A minha ilha tem influências de vários povos, por isso temos um dialecto só nosso. Os conterrâneos do continente continuam a ter alguma dificuldade em nos perceberem ( o contrário não se aplica).
Crescemos em contacto com a água…Não existe um único Siciliano que não saiba nadar, mesmo os mais citadinos…pelo menos eu nunca ouvi falar de tal espécime.
Aprendemos desde novos a respeitar o Etna e, ao mesmo tempo, a admirá-lo pela sua beleza e “ simpatia”…pois a sua lava nunca atinge populações e fertiliza os campos em redor.
A coisa melhor na minha terra é a abundância de histórias…muitas exageradas, como a da Máfia…mas mesmo assim interessantes o suficiente para as querer ouvir várias vezes, ouvindo o som do mar ou desfrutando do calor da lareira.


...amuri e fantasìa,
Sicilia, Sicilia, Tu si' la Patria mia...!

terça-feira, maio 29, 2007

A minha cidade...

Era uma cidade pequenina mas especial. Penso até que o nascimento desta terra não esteve nunca devidamente previsto porque foi construída num local onde quase nada poderia existir...Não há árvores, nem pássaros, nem jardins, nem parques, nem fontes... apenas casas aleatoriamente empoleiradas no mar!!
Nesta ilha onde me encontro tudo tem a mesma cor: amarelo, amarelado, torrado, da cor do pó que o vento Suão traz aos braços. O mar que banha esta ilha é turbulento, inquieto e impaciente. Nunca o vi calmo. Os barcos estão sempre em movimento e provavelmente os seus cascos já foram reforçados mais vezes do que aquelas que os pescadores desejariam...
Quase todas as tardes vou até ao paredão do porto da minha ilha. O mar é a minha companhia predilecta e sinto que me chama ao fim de cada dia de trabalho. Faço-lhe companhia livremente. Sento-me, dobro as pernas e encosto-me às rochas...à minha frente, um mar de infinitas fantasias e desejos!!
Numa dessas tardes observo dois grandes peixes a dirigirem-se para o paredão onde me encontrava. Automaticamente pensei em golfinhos e levantei-me nem segundo de tempo. Vi-os a chegar. Roçaram-se nas rochas velhas e gastas e partiram. Mais uma vez e o mesmo ritual... Mais tarde disseram-me, com a maior naturalidade do mundo, que os tubarões coçavam-se no paredão da minha ilha... de longe a longe apareciam!! No fundo, descobri que tanto eles como eu eramos fiéis dependentes daquele bloco de pedras: eles coçavam-se, eu encostava-me!!
Para além do horizonte marítimo também me distraiam os barcos que atracavam no porto da minha ilha. Pousava os olhos em qualquer pessoa que entrava ou saía deles e tentava adivinhar-lhes a razão da visita: trabalho, férias, visita familiar, trabalho, perdido... Dei por mim a querer escapar-me por entre alguns deles. Gostaria de ser aquela senhora de branco, ou aquela criança que vai de mão dada com o pai, ou aquela menina que vai sorridente... sentia que a cada barco que partia, uma parte de mim estava numa mala qualquer!!
Mas todos os barcos partiam e eu nunca saí do meu lugar. A solidão era atroz e o silêncio de tal forma avassalador que, em alguns momentos, gritei e cantei com a intenção precisa de saber se ainda tinha voz... Quando o sol começava a desaparecer, despedia-me dele e regressava a casa. Nunca saí do paredão da minha ilha sem antes ter a absoluta certeza de que o sol daria mesmo o seu lugar à lua. Era a vez dela. Merecia-o.
Pelo caminho encontrava sempre as mesmas pessoas, no exacto lugar onde estavam no dia anterior, a fazer mecanicamente o que faziam desde que se conheciam. Delas destacou-se sempre o Sr. Baldé. Pescador. Nunca lhe soube a idade porque nem ele próprio sabia. Uma vez contou-me o seu maior desejo:
“Bô tá bê aquele barco ali abandonado? Quando 'tiver pa morrê mi querer qui bô botâ ali. Querê morrê sem vê à terra, só água em todo o lado! Dixâ-m’ quétu!”.

Baldé tinha na cara, nas mãos e nos braços o peso e a crueldade do mar, do sal e do sol. Desconfio até que era feliz. Era o seu mundo, sabia-o de cor e conhecia-o como ninguém... quantos de nós temos um mundo com tudo e não nos sentimos presença nele??!!
A estrada era poeirenta. Era engraçado ver as casas apenas pintadas na fachada. Para a fotografia. Atrás e de lado eram amarelas e cinzentas. A tinta era fornecida pela Câmara e como tal tinha de chegar para todos... os menos influentes pintavam uma porta ou uma janela... cidade estranha a minha!!!
Na beira da minha casa estava sempre o Aitô. Pequenino, sujo e rasgado. Esboçava um sorriso e timidamente me perguntava se íamos à água. “Sim, Aitô, vamos! Vou buscar os garrafões.” Pelo caminho nem uma palavra. Houve alturas em que pensei que ele me via como um ser de outro planeta, de hábitos estranhos. O pior deles era fumar. Ficava atónito quando me observava a fumar da janela. Com vergonha, muitas vezes, escondia-me dele... tinha um olhar que me fragilizava. Perguntou-me uma vez, num daqueles dias estanhos em que lhe apetecia conversar:
- Bô tê crianças?
- Não, ainda não.
- Bô tê quanto ano?
- 25, porquê? Estou velhota é isso?
- Sim.
As meninas eram mães cedo. Tão cedo que eram crianças a criar crianças. Deixavam de brincar e de ir à escola para cuidarem de um filho que, muitas delas, não queriam. Os homens excluíam-se dessas tarefas. Faziam e existiam como se não fosse problema deles.
No Natal chamei o Aitô e ofereci-lhe um helicóptero. Eu própria o embrulhei cuidadosamente. E fiz questão de colocar um laço. Pegou no embrulho, olhou-me nos olhos para se certificar que era verdade, era mesmo para ele, sentou-se no chão e, lentamente, começou a abrir o presente. Fiquei em cócoras a estudar as reacções.Quando o papel deixou de tapar o helicóptero, pegou nele e analisou meticulosamente cada pormenor. Esqueceu-se de mim. Fotografou clinicamente cada peça. Levantou-se num ápice. Beijou-me timidamente e correu com o braço levantado a segurar o helicóptero, deixando atrás de si um rasto de poeira misturada com felicidade... Os meus vizinhos não devem ter gostado desta oferta porque, desde aí, sem hora certa para voar, ouvia-se na rua “BRUUUBRRRRR BBRRUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUBRUUUMMMMMMMMMMMMM” e o Aitô descalço desaparecia por entre as casas...
Finalmente, à noite, quando o meu corpo não aguentava o cansaço, abria as janelas do quarto e deitava-me... Adormeci algumas vezes a chorar. Mas adormeci sempre embalada pelo som das ondas, do vento e do mar. E hoje, à luz da distância, tenho saudades... da tranquilidade, do tempo para tudo, do estar só comigo mesma...
Um dia volto à minha ilha. Talvez hoje a minha cidade esteja mais crescida e madura. Espero que não. O seu encanto residia naquela ingenuidade de ver o mundo passar ao lado e nem ligar. Provavelmente o Sr. Baldé já só vê a água e talvez o Aitô não se lembre de mim... mas ainda gostaria de lhes provar que já não sou o “sorriso triste”... como muitas vezes me chamaram...


Ôi Cábu Vêrdi,Bô qu’ ê nhâ dôr más sublími
Ôi Cábu Vêrdi,Bô qu’ ê nhâ angústia,
nhâ paxõNhâ vída nâceDí disafíu dí bú clíma ingrátu
Vontádi férru ê bô nâ nhâ pêtu
Gôstu pâ lúta ê bô nâ nhâs bráçuBô qu’ ê nhâ guérra,
Nhâ dôci amôr
Stênde bús bráçu,
Bú tomâ-m’ nhâ sángui,
Bú rêga bú tchõ,Bú flúri!
Pâ térra lôngi
Bêm cába pâ nôs
Bô cú már, cêu í bús fídju
N’ úm dôci abráçu dí páz