terça-feira, outubro 09, 2007

Sento-me. Ligo o computador. Ultimamente este é o meu porto de abrigo, a minha ligação preferida, o meu tempo... e usufruo dele com a alma cheia, o coração aberto e um sorriso nos lábios.

Os anos que já vivi sempre se pautaram, felizmente, por acontecimentos maioritariamente fáceis. Deles retirei a alegria de viver, de trabalhar, de lutar pelos meus objectivos e de construir uma vida, de certa forma à minha maneira: simples, clara e objectiva.

Quando todos os outros achavam que estava na altura de sair, de conhecer pessoas, de romper as noites até à madrugada, já eu me tinha cansado e decidido fugir dali. Não isolar-me dos que me acompanham desde que me conheço, apenas seguir um rumo diferente e tentar perceber se os outros me respeitam pela opção. Quase sempre o fizeram...

Quando tinha tudo para vingar numa profissão escolhida por mim, num local certo, com horário certo, com colegas certos, com casa certa, decidi fazer as malas e partir para uma ilha. Queria sentir-me útil, queria estar só, queria fechar os olhos e tentar conhecer-me... Sei hoje que a minha utilidade teve os seus dias, a minha solidão quase me endoideceu mas conheci-me. Completamente!

Quando tudo o que me rodeava estava mais do que preparado para que a minha vida estabilizasse, com a casa dos sonhos, com o marido ideal, com a perspectiva de filhos, com o cão no jardim… decidi fugir dos planos, envergar pelo incerto sem rodeios, tomar as minhas decisões, arriscar, bater com a cabeça mas aceitar esse erro como forma natural de aprender, usufruir do não planeamento, do caos, da anarquia de sentimentos que me invadiram… Sei hoje que o egoísmo se paga caro, que não nos podemos desligar daqueles que se unem a nós, que há sentimentos que não podem e nem devem ser quebrados com facilidade, até porque, são dolorosos, e, acima de tudo, sei hoje que a verdade magoa. Muito.

Quando todos diziam que a realidade era o que existia, que os factos não se discutem, que as tristezas são incontornáveis e que as lágrimas são um caminho e não uma reacção já eu acreditava que a realidade só faz sentido vivendo em sintonia com o sonho, que os factos só são factos porque podem ser discutidos, que as tristezas são perfeitamente combatidas quando lhe atiramos à cara alegrias, por mais pequeninas que sejam, e que as lágrimas não são nem caminho nem reacção. São antes gotas de nós que, aqui e ali, se mostram… gotas que têm sabor a mar. E, arrisco-me a dizer que, só por saberem a maresia já são imensas…
Simples, clara e objectiva!! Não vos parece, pois não??!!

quinta-feira, outubro 04, 2007

Who Will Cry for the Little Boy?



Who will cry for the little boy?
Lost and all alone.
Who will cry for the little boy?
Abandoned without his own?

Who will cry for the little boy?
He cried himself to sleep.
Who will cry for the little boy?
He never had for keeps.

Who will cry for the little boy?
He walked the burning sand.
Who will cry for the little boy?
The boy inside the man.

Who will cry for the little boy?
Who knows well hurt and pain.
Who will cry for the little boy?
He died again and again.

Who will cry for the little boy?
A good boy he tried to be.
Who will cry for the little boy?
Who cries inside of me?
Antwone Q Fisher

segunda-feira, outubro 01, 2007

Não te amo..

Não te amo..
Já te amei, muito, mas já não te amo.
Custou-me a perceber que sensação era esta que me corrompia a mente noite e dia, que me mantinha acordado a pensar em tudo e em nada…custou-me a perceber porque já não olho para ti da mesma maneira…agora percebo, já não te amo.
Não penses que deixei de te amar de um dia para o outro…é mentira. O processo já começou há muitos meses…muitos mesmo...
O verbo amar não tem qualquer significado na nossa relação, já teve…O amor não explica o que sinto por ti, fica muito aquém…
Eu não te amo, eu vivo-te. Tu não és a minha amante, tu és a minha vida, conheço-te como me conheço a mim…e o “eu” sem “tu” não faz sentido…nós seremos, sempre Nós…
Há quem diga que é impossível morrer por amor…mentira, tu sabes…Eu era capaz de morrer por amor…porque se te levassem de mim, levavam a minha vida…

Eu vivo-te e viverei..porque a finitude não é para aqui chamada!~

"I hope you don't mind, I hope you don't mind That I put down in words"

domingo, setembro 30, 2007

Ela seguia-o…

Inconsciente, torpe e quase levitando… caminham calmamente por entra a multidão mas a ela, parece-lhe, que vão quase a correr. Ele prende-lhe mais a mão e lança olhares por cima do ombro talvez com o intuito de se certificar que é a mão dela que segura firmemente…
O percurso não foi em nada planeado, surge naturalmente, e os corredores cresceram e multiplicaram-se estupidamente… Impunha-se sair dali. Era fundamental estarem apenas os dois. Ninguém falava, nem sequer era preciso. Ele tomava as rédeas e ela concordava com as atitudes… Uma comunicação perfeita e bilateral mas, ao contrário do normal, apenas feita e pensada com o corpo…

A noite já ia alta e apenas umas luzes aqui e ali iluminavam o caminho que o carro dele, velozmente, percorria. Não sabiam para onde estavam a dirigir-se. O caminho era totalmente desconhecido mas o que realmente era importante é que estavam juntos novamente. Respiravam o mesmo ar e podiam olhar-se sempre que quisessem… Ele conduzia concentrado. Ela colocou a mão dela na perna dele para não perder o sentido da realidade. Desta vez, recusava-se veementemente a sonhar. Queria a terra, queria o chão, queria a objectividade, queria algo físico e material… por um momento que fosse exigiria a verdade, os factos em detrimento das suas ficções, da sua imaginação, dos seus sentidos! Aquele indelével e mero toque de perna certificava tudo isto…

A estrada estava deserta e as luzes deixavam ver apenas alguns buracos e defeitos do percurso que faziam… sinuosas curvas e um deserto de casas. O céu estava pintalgado de estrelas. Ela olha pela janela e observa-as. Para ela são velas acesas… muitas…

Pensou que talvez aquela fosse a altura ideal para falar qualquer coisa que fosse e colocar algumas interrogações mas vendo-o tão calado e sério, optou apenas pela quietude das palavras e pensamentos. Não o queria perturbar mas era um facto que a sua curiosidade começava a alcançar o limite máximo. O que fazia ele ali naquele dia? Teria sido a primeira vez? Como a encontrou? Procurava o mesmo que ela procurou naquela loja? O que tinha feito durante todo o tempo que não se viram, ouviram e sentiram? Continuava só? Será que ele a vê como ela o vê em quase tudo que a circunda? Sente a falta do seu corpo, da sua voz, do seu sorriso? Tinha a certeza que qualquer coisa que dissesse naquele momento iria parecer inevitavelmente disparate e despropositado. Tentou desviar a sua atenção e os seus olhos fixaram-se nas mãos que seguravam masculamente o volante. Grandes e finas. Suaves sabia. As mãos que conheciam o seu corpo, aquelas que percorreram como não outras cada pedaço do mesmo… Estavam ali, paradas. Ao alcance das dela.

Subitamente ele pára o carro. E pára num pedaço de terra, no meio do nada…

O que se passa a seguir é pautado pela impulsividade, pelo desejo, pela ansiedade e pelo ímpeto de corpos que se reconhecem até porque são feitos da mesma massa, exactamente na mesma altura…

Sai bruscamente do carro. Atrás de si bate uma porta furiosamente. Fica parado do lado dela segundos apenas, mas que a ela, lhe pareceram uma eternidade. A barreira que os separa foi destruída e ele arranca-a dali. Encosta-a ao carro. Olham-se e despem-se totalmente com o olhar. Nada os impede hoje. Estão sós. Amam-se e vão continuar a amar-se… mesmo que amanhã acordem em camas diferentes, em quartos diferentes, em cidades distintas…

Ele aperta-a contra si e ela enrosca-se nos seus braços. Um abraço apertado, sem medida nem definição possível! Uma lágrima cai pelo rosto dela e, suavemente, ele trava-a e desenha o seu fim nos seus dedos… Beijam-se, num beijo que nasce tímido e depois se transforma em intensidade, ritmo e movimento. As mãos deixaram de ter lugar certo: as dela agarram-lhe o pescoço, as dele percorrem o cabelo dela e partem para as costas…

As velas continuam acesas agora numa noite que era prevista ser passada da mesma maneira que todas as anteriores… sem ele. Naquele instante de tempo, ela entrega-lhe e partilha o seu corpo. Ele faz parte dela. Misturam-se respirações, oos peitos disparam e exigem-se partilhas... daquelas que só são possíveis quando se ama profundamente, quando se é metade, quando se assumem definitivamente cumplicidades e vontades...

E... finalmente... no meio do nada mas com o mundo todo nas mãos... amam-se...

Lembranças ...


Porque os sorrisos, esses ... se soltam a cada minuto
E a cada momento, os seguras na tua memória...
Como quem guarda um segredo ...
Sem medo, de não o saber guardar ....
E os gestos, que se perdem no horizonte ...
Perto daquele monte, onde um dia te ouvi cantar ...
Palavras murmuradas de cores vivas radiosas ...
Com cheiro a rosas ...
Nesse teu secreto jardim ...
E foi assim ...
Que me lembrei de ti!
Pandora

sexta-feira, setembro 28, 2007

Alguém lhe toca no ombro… suavemente…

Ela abre os olhos e fixa-os na prateleira de perfumes que tem à sua frente… não, não pode ser… O tempo esticou-se novamente… e pela sua cabeça correram mil e uns pensamentos, mil e uma probabilidades… tinha a certeza que no momento em que se voltasse para encarar quem queria a sua atenção, quebraria o encanto… ou talvez não!

Apetecia-lhe eternizar aquele momento de dúvida… Fingir que era ele! Imaginar que ele pensou nela e ela nele exactamente à mesma hora, no mesmo local… Quase juraria que os dedos que lhe tocaram o ombro lhe pertenciam. Mas não… sabe que sonhar só a tem magoado ainda mais! A realidade era bem mais cruel… iria finalmente ganhar coragem para se virar… fá-lo-ia sem medo até porque a decepção era a garantia final.

Quase em câmara lenta volta-se…

Naquele preciso momento o tempo espacial sofre outra alteração: não se esticou nem prolongou… simplesmente… parou. A música deixou de se ouvir, as pessoas ficaram estátuas, mudas, e o espaço, que outrora fora amplo, ficou reduzido a míseros centímetros.
Ele estava ali à sua frente. Tinha vindo ao seu encontro e, quem sabe, até a esperava… estava de olhar sério e preocupado. Ela reparou que os seus lábios estavam secos e os seus olhos denunciavam cansaço. Olharam-se profundamente. Calmamente. Ninguém falou.

Ela aproxima-se mais dele. Solta uma das mãos do frasco que ainda segurava religiosamente e leva-a à face dele. Sente a pele macia. Toca-lhe nos olhos, nas sobrancelhas, nos lábios. Convencida de que ele é real procura a mão dele…encontra-a gelada. Agarra-a e aperta-a contra si. Finalmente ele esboça um sorriso tímido. Parece perceber, também, que é ela… que ela está ali, presente!

Num movimento brusco puxa-a para si… os corpos colam-se e ficam imóveis… ambos fecham os olhos e entregam-se a um abraço apertado… ele toca-lhe no cabelo, sente-o por entre os dedos… passeia as mãos pelo pescoço dela e beija-o suavemente… ela crava as mãos nas costas dele!

Sentiu vontade de lhe dizer tanta coisa, de tantas maneiras diferentes: gritar-lhe por se ter demorado tanto, por teimosamente permanecer longe e por ter suportado as saudades durante aquele tempo; dizer-lhe que a vida sem ele não fazia sentido e admitir que com ele seria tudo menos fácil, sussurrar-lhe ao ouvido que o queria como nunca tinha desejado ninguém na vida; reconhecer a falta dele mas, da mesma forma, afirmar que a vida tem de continuar… pedir-lhe secretamente que fujam ambos dali, que desapareçam do mundo real e que se escondam num local secreto só deles mas, ao mesmo tempo, reconhecer que a coragem dele não chega para os dois, que ela é cobarde… garantir-lhe que o sorriso dela depende, inevitavelmente do dele… agarrar-lhe com força os colarinhos, puxá-lo contra si, encostar a sua cara à dele e acentuar que o vazio deixa de existir quando ele está por perto…

Naquele dia que em tudo se previa normal, ele quebrou-lhe todos os pensamentos… Afastou-se um pouco, prendeu a sua mão à dela e proferiu, finalmente, as primeiras palavras. Fê-lo de forma segura, firme, rápida e quase autoritária. Pareceu gritar apesar de ser nada mais do que um suspiro.

“ Quem disse que há momentos e horas para se amar? Segue-me…”

De um momento para o outro a vida voltou ao normal, como se um ser algures por ali tivesse carregado no play no filme da vida de todos os outros… A música, essa, regressou baixinho…

Ela seguia-o…

quinta-feira, setembro 27, 2007

Ok...já que é isso que querem...


A caminho da cama

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.

Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

Luís de Camões

A rotina diária regressára...

O trabalho, as refeições rápidas e mal tomadas, as idas à sua terra no final da semana,em busca de algo que nem ele próprio sabia definir...
Talvez fosse a vontade de rever a família, de falar das traquinices que fazia em miudo com os seus amigos...
Ou talvez fosse, simplesmente, falar sobre ela com alguém. Nunca o fazia...não porque não tinha vontade, claro que tinha, gostaria de dizer a todo o mundo aquilo que ela era, o que representava para ele,mas nunca o fazia...
Além disso quem é que acreditaria??
Quem é que acreditaria que existe alguém que nos faz sorrir todos os dias?
Que nos faz assim tão feliz?
Que nos faz ter vontade de ser melhores pessoas?
Que faz dum momento banal,a experiência mais enriquecedora das nossas vidas?
E tudo isso sem estar presente fisicamente?
Só pessoas muito especiais têm esse dom.

Quem o conhecia melhor sabia que ele andava diferente, apesar de ser alguém bem disposto, aquele não era o sorriso de sempre... Notavam-lhe diferenças, diziam-lhe que parecia até viver num mundo diferente...e, realmente, vivia.
Perguntavam-lhe vezes sem fim o que se passava, ele limitava-se a responder o mínimo. Insistiam...ele sorria.
Quando regressava a casa, sentava-se por breves instantes e imaginava-a ali... O seu cheiro, o seu toque, a sua voz, o seu sorriso...
Pensava no quanto seria bom tê-la ali... naquele momento... Ouvi-la falar, vê-la sorrir, ver aquele seu jeito envergonhado quando ele a fixaria nos olhos...
Todos esses pensamentos pareciam ser reais... ele tinha a certeza de que a ouvia falar,de que a via rir, de que a sentia respirar...
Entretanto voltava a si e olhava em direcção à janela, aproximava-se dela e olhava para a rua deserta... Nada se passava.
Tinha vontade de a ver,de estar com ela... as saudades sufocavam-no...
Não lhe apetecia estar em casa... saiu,pegou no carro e foi até uma esplanada. Sentou-se e observava em seu redor... Observava tudo e todos,via os namorados a abraçarem-se, beijarem-se e imaginava-se com ela... Todos os carros parecidos com o dela, ele observava-os atentamente... afinal,nunca se sabia...
Ficou ali algum tempo...a observar...a imaginar...a pensar...
Queria ter a coragem de se sentar no carro e ir... jà o tinha feito três,quatro,cinco vezes e nunca tinha chegado ao seu destino... Fazia o trajecto na sua metade e acabava sempre por regressar ao ponto de partida. As perguntas que o assaltavam durante o caminho impediam-no de prosseguir...
Mas hoje sentia-se diferente...as perguntas e as respostas?? Não queria pensar nelas...
Entrou no carro... e foi...

quarta-feira, setembro 26, 2007

Divagações ...

Ele :

"Pareço um puto quando te vejo ... quando fico a olhar-te assim ... serenamente! Só eu sei como este querer me percorre a alma, de uma ponta á outra em segundos ... como dói, este doce querer, este doce arfar que me sai do peito, em jeito de agonia por apenas te poder olhar... e é tão lindo, ver-te assim, adormecida, nessa doce expressão celestial, onde não existe bem nem mal ... dói querer assim e não poder ... tocar, cheirar, sentir, ver sorrir ... os actos de loucura pagam-se com preços muito altos, juros que não acabam nunca ... e eu paguei!
Cada sorriso teu, é um amanhecer, mais brilhante que o próprio Sol, essa estrela divina, que nos indica que mais um dia chegou, não a mim, que para mim o meu dia só começa quando vejo o teu doce sorrir ... ficas linda vista daqui ... serena, calma, raio de luz replandescente ... e nunca foste minha! Nunca! ... Só eu sei o que sinto, quando fecho os olhos e não estás.
Só eu sei como fico, quando choro o tempo que perdi; os momentos que poderiam ter sido vividos ... e este amor que sufoca o peito provoca mágoa, e a mágoa que sinto, só desaparece quando finalmente me deito a teu lado, e passo os dedos no teu cabelo, que cheira a jasmim no meu pensamento ... é um tão bem querer... amar-te sem limites, sem preocupações, como um amor deve de ser vivido, pleno de sentires ... lá fora chove, a janela está semi aberta .... inclino-me para te sentir e uma lágrima minha acorda-te. Levantas-te, olhas o Mundo lá fora, vês como chove e pensas que a minha lágrima foi um pingo de chuva trazido pelo vento ... estou atrás de ti .... sentes a brisa nos teus cabelos ... fechas a janela e eu recuo!
Pareço um puto quando te vejo .... só me apetece sorrir ...
Deitas-te e voltas a adormecer ....
Dou-te um leve beijo, tiro as asas, coloco-as a um canto e deito-me a teu lado .... a ver-te dormir!"
Pandora

terça-feira, setembro 25, 2007

Depois daquele dia nunca mais se cruzaram. Sentiam-se no mesmo País, sabiam-se em cidades diferentes, pressentiam-se quando algo corria menos bem, ouviam-se quando chegava a hora do silêncio… tinham a certeza da existência um do outro. Algo permanente, forte e presente. No entanto, em nenhuma altura, se encontraram… nem no canto deles nem em outro local qualquer. Tudo foi estranhamente natural: não se apresentaram nem se despediram. No íntimo talvez soubessem que uma despedida seria impossível e sem sentido!

Aquele seria um dia como tantos outros. Levantar cedo, correr contra o tempo e entrar no local de trabalho com o sorriso e a disposição que lhe eram sua característica. Muitos já a tinham abordado algumas vezes gabando-lhe a felicidade quotidiana, o trabalhar com a calma necessária… outras tantas vezes ela agradeceu a simpatia mas interiorizou tristezas que, em nada, se identificavam com aquele estado de espírito. Sentada na cafetaria reparava nos outros que a rodeavam, observava comportamentos e partilhava conversas triviais. Queixas, sobretudo queixas era o tema principal. Ninguém estava satisfeito com o que tinha, aliás, nem ela própria estava. Nunca o confessou. Teve, porém, a certeza que muitas daquelas pessoas nunca tinham vivido o que ela viveu em apenas semanas. Sabia-o. Imaginou que muitos deles não soubessem o que é sentir-se dentro de alguém. Como sendo parte de um todo. Como complemento. Como prolongamento de algo que só existe quando há soma de dois. De um “eu sou tu”… Tristes por desconhecerem o que ela conheceu com todos os sentidos, com o corpo e com a alma… Será esta a razão da sua “felicidade”: não vive o amor no presente mas respira-o porque ficou-lhe tatuado no corpo.

Depois do dia de trabalho arrastou-se até ao centro comercial perto de casa. A lista ficára esquecida em casa, como sempre, e durante a viagem de carro apontava-a mentalmente. Nada poderia ser esquecido porque, a cada dia que passava, detestava mais a “ida às compras”! Estacionou o carro. Fez a chamada habitual aos pais e entrou.

Muita gente. Muito barulho, alguma confusão… não sabia porque razão aquilo acontecia mas, de quando em vez, procurava-o na multidão. Procura sempre esperada vã, mas mesmo assim fazia-o… Alguém tinha o andar semelhante… outro o cabelo… outro ainda os olhos… mas nunca ele!! Engendrava mil e umas razões para ele, por casualidade, aparecer por ali… uma saída planeada ou não, trabalho, saudades dela, um passeio, qualquer coisa mais ou menos plausível que obrigatoriamente exigisse a presença dele ali. Chegava sempre à mesma conclusão: nada, nada o faz estar ali. Uma conclusão tardia. Feita praticamente à porta de casa.

Porventura poderia ser considerada louca e alienada do mundo terrestre mas há muito que ela tinha desistido da ideia de se preocupar com o que os outros pensam: sobre ela ou sobre a vida.

Talvez por isso, naquele dia que, em tudo, seria igual a todos os outros, não tenha percebido porque lhe apetecia tanto cheirar o ser que ele era… Era algo quase incontrolável. Como um qualquer vício. Precisava de o sentir mais perto e essa seria a forma mais real e possível. Rapidamente elegeu uma qualquer loja de perfumes para pôr em prática o seu plano.

Entrou com a confiança própria de alguém que vai comprar um presente perfumado e que sabe exactamente aquilo que quer. Dirigiu-se paulatinamente à secção de Homem. Pousou os olhos em várias embalagens e apeteceu-lhe, quase instintivamente, sentir algumas fragâncias. Não o fez. Como apreciadora amadora de odores embalados sabe que o sentido seria perturbado por outros cheiros e não aproveitaria na íntegra o eleito.

Viu-o finalmente. Sabia o nome de cor. O interior do frasco também estava gravado em si mas hoje, naquele dia normalíssimo, queria senti-lo mais forte, mais presente, mais intenso.
Pegou no frasco e, contrariando o papel rectangular que pedem para utilizar, levou o frasco ao nariz. Fechou os olhos e por segundos… milésimos de segundos talvez… sentiu os lábios dele, as mãos pelo seu corpo, o abraço forte… de olhos fechados conseguiu vê-lo a rir de tudo o que ela dizia, desenhou-o sentado à mesa, deitado na cama… ouviu-o a ordenar que se calasse e o beijasse, ouviu as juras de amor sem um único “talvez”, sem uma única promessa… sorriu ela também…

Alguém lhe toca no ombro… suavemente…















segunda-feira, setembro 24, 2007


Muito bem…estamos a evoluir!
Agora já não me mandam [Só] dormir!..feliz em ver que, até agora, a primeira alínea continua vazia…e com isto não vos pretendo relembrar da sua existência, nem fomentar o voto na mesma…
Ainda faltam três dias…
Votem! ou querem que eu fique na dúvida para sempre?? [ Cheirinho a recruta a passar para o blog…passaria ainda mais se me ouvissem falar…estou rouco!]

Eu ... Pandora!

É com imensa satisfação que entro nesta parceria com o Aquiles e a Selene ... desde já o meu agradecimento pelo convite :)))
Pandora .... fonte de energia, misteriosa, aquela que desperta curiosidade ...
Sou eu ... euzinha, misteriosa, que desperta muitas vezes curiosidade, e fonte libertadora de energia ... energia para dar e vender ...
Aos meus companheiros de escrita ... espero que apreciem a minha estadia.
Aos nossos leitores, que passem por cá sempre e que cada vez que venham, que saíam com o desejo de voltar rapidamente! :))))

Pandora

A nova Guerreira!

Meus caros, este espaço fez uma grande aquisição…abram alas para a famosa…a única…a talentosa Fabiana!
Devem conhecer a nova contratação do blog “ Voar no Infinito”
Neste blog vai assinar como Pandora…já vai dizer porquê.

Pandora…a bola está do teu lado..chuta!

sábado, setembro 22, 2007

Estupidamente feliz…

É assim que me tenho sentido ultimamente…estupidamente feliz.
Mandam-me fazer um trabalho que odeio…fazer de ama-seca a possíveis recrutas…ensinar pessoas que nunca irão aprender…correr mais do que as pernas querem…e, no fim, não consigo de parar de sorrir…estupidamente feliz.
Tratam-me mal e eu não fico enervado…fazem-me perguntas estúpidas e eu respondo com vontade…Acho estranho! Sinceramente, não é normal na minha pessoa.
Leio na sondagem “ Vai-te deitar!” e só me apetece escrever mais um texto…meu deus…acho que tenho que duplicar a dose dos comprimidos, esta já não está a fazer efeito.
Acordam-me de madrugada…duas vezes seguidas…e não me atiro ao pescoço do infeliz, pelo contrário rio-me e brinco quando o ameaço…É ESTRANHO!
E estou a escrever este texto e ainda não consegui parar de sorrir da estupidez do mesmo!
Acho que atingi a fase mais feliz da minha vida…podia ser perfeita, só falta uma coisa…muito importante, que é segredo =p…mas ela virá, e nesse dia…nesse dia vou poder afirmar com toda a certeza que sou, realmente, muito feliz!
Mas, mesmo assim…nunca fui tão feliz na minha vida…tenho que agradecer a muitas pessoas, elas sabem…fica aqui o meu obrigado.


PS :Já agora…para completar a minha felicidade…Selene…não queres escrever um dos teus textos que me deixam a pensar? Queria saber se, afinal, aquela vez foi mesmo a última..se foi a despedida…Por favor? Muito agradecido *.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Porquê???


Mas porque é que toda a gente responde “Vai-te deitar!” na sondagem??
Eu não quero dormir…a noite ainda é uma criança…e eu ainda tenho que planear o contra-ataque.


L . ( Pensando em aderir ao celibato)

L. segundo Al

O texto que se segue é da autoria da, minha mui amada, Al…ainda não o li…porque tenho alguém atrás de mim a fazer por isso. Divirtam-se…eu vou começar a cavar o buraco para me esconder.


"Preparem-se para um discurso tipo candidatura à presidência da república, com uma diferença:

Aqui só serão lidas verdades!

Em primeiro lugar, como nota introdutória :
- Eu não sei escrever. A única coisa que eu escrevia bem eram cábulas, já lá vão uns anos.
- Eu não gosto de escrever. A único coisa que, ainda hoje, gosto de escrever são relatórios incriminatórios dos mauzões de Portugal.
- O L fez-me uma promessa irrecusável, por isso é que estou a escrever isto. ( ofereceu-se para fazer o JANTAR…lembrou-se também de ameaçar ir dormir para o sofá, eu quero acreditar que fui influenciada pela primeira.)

O que me foi pedido em troca :

As palavras dele – “ Escreves um texto sobre o je…para não parecer que sou imparcial, percebes? Assim podem ler a tua versão da história!”

Então, quem é o L?
- É um mulherengo! Sim, por muito que ele negue, adora saber que conseguiria mudar de mulher todos os dias se assim desejasse. É, portanto, um conquistador com muita lábia.
- É o sentimental cá de casa. É da boca dele que nascem frases como: “ Amorzinho violento da minha vida!”, “ Tão romântico!”
- O L é a madre Teresa de Calcutá encarnada em homem. Ajuda as desamparadas todas. Mencionei o feminino porque é a maioria.
- É o Dalai Lama das mulheres de Portugal. Elas seguem-no e ele discursa e sorri ( o famoso sorriso “ Já cá canta”). É, portanto, um líder incontestável.
- Tem um fragata de chatas, melgas, e loiras oxigenadas atrás dele, não que as loiras não sejam melgas…e chatas.
- É das pessoas mais impulsivas que conheço. Palavras como “ Mafioso” não devem ser-lhe dirigidas, sobe pena de provarem um dos famosos murros e pontapés dele.
- É viciado em ginásio, kickboxing, livros, e, claro, mulheres ( não adianta negares! Eu sei), este último tem estado controlado e centrado em mim…sim LOIRAS, em mim!
- É muitooooo ciumento. E passo a contar um episódio recente :
Quem é que daqui nunca foi abordado por um fornecedor de serviços de internet?? Eu fui, ontem. Dobrei o papel, enfiei-o no meio do livro e, sinceramente, nunca mais me lembrei dele…até o L decidir descer as escadas a trote e perguntar, muito branco, “ Quem é o Rui????”. Primeiro que eu conseguisse fazê-lo acreditar na minha versão, tive que suar muito.
- É um arrogante de primeira. Nunca se sabe quando é que ele está a ser arrogante ou sincero. As pessoas que ele não gosta, não costumam ficar com muito boa impressão dele.
- Tem mau acordar. Muito mau acordar. É capaz de blasfemar contra o despertador durante largos minutos antes de o desligar…por isso é que eu tenho muito cuidado quando o acordo.
- É teimoso.
- Quem diz que os homens não choram, não conhece o L. Ele chora quando tem de chorar e ri quando tem de rir. Faz parte do charme.
- O que consegue enervar o mais calmo dos seres humanos (tipo eu), como por exemplo uma frota de pitinhas histéricas, só faz o L rir e rir. Elas adoram-no, ele nem por isso, mas ri..eu disse que ele conseguia ser arrogante.

São estas coisas que fazem com que o L seja o meu tipo de homem.

Por agora chega. Um dia destes continuo.

Dou o texto por encerrado, alguma dúvida ou pergunta dirijam-na ao Aquiles e ele avisa-me, para assegurar o bem estar físico da suas costas, porque o sofá ainda não está descartado!
Eu ando por aqui, a proteger o território das frotas inimigas de chatas, perseguidoras…sem amor à vida.

PS: Já agora...L. és o tal.

Boas Noites!


Al ( De m9 pronta a disparar!)

quinta-feira, setembro 20, 2007

Sondagem

Eu…Aquiles…mais conhecido por arrogante egocêntrico com a mania da perseguição…venho por este meio pedir a vossas excelências para dispensarem um pouco do vosso precioso tempo a responder à sondagem que se encontra à vossa direita…sim, essa mesmo.
Chamemos-lhe curiosidade profissional…Sou perseguido por essa questão há meses, também sou exagerado…porque acabei de me lembrar de tal coisa.
Respondam ou eu…eu…EU CHORO ( Costuma resultar nos filmes!)

Muito agradecido…

Aquiles o arrogante egocêntrico paranóico ( com o sorriso “ Já cá canta” provisoriamente ausente)

Uma Taça para mim...


Bem…Não sei como, não me perguntem porquê, mas este blog reles acabou de receber uma taça muito gira…dourada e tal, oferecida pela minha companheira de longas conversas…Ana , que escreve no Voar no Infinito,http://sentimentossoltos.blogspot.com/…Ela um dia ainda me vai explicar o porquê da nomeação. Obrigado Ana =D

Um dos requisitos para ficar apto ao prémio é revelar os nossos sentimentos…

Pois bem, como me sinto?


Sinto-me muito bem, a vida corre-me maravilhosamente bem…quer no trabalho, quer pessoalmente.

Sinto-me amado e respeitado e sinto-me capaz de amar e respeitar…para mim isso chega.

E sinto-me mais leve…perdi dois quilogramas ( eu escrevo sempre tudo o que digo!)..ser pai tem destas coisas…

Não vou nomear ninguém em especial…Os blogs visitados por mim sabem..considerem-se, portanto, recebedores da taça.

Selene...passo-te o testemunho...Como se sente a menina??


PS : Um dia alguém me vai explicar porque carga de água é que eu não consigo por links..

domingo, setembro 16, 2007

Eu mereço...


Eu mereço…e para que não restem dúvidas…Eu mereço mesmo!
Desde pequenino…e quando digo pequenino é mesmo pequenino, tipo cinco anos, que tento sempre ter mais e mais.
Quando entrava numa loja com a minha mãe e ela me dizia: “ L, olha um livro tão interessante! Queres que a mãe to compre?”… eu dizia sempre “ Posso levar o carro também??”. ..Conclusão: Não trazia o livro nem o carro…arriscava-me, muitas vezes, a perder os meus direitos como detentor do comando da televisão.

Agora vocês pensam…” Mas que texto parvo, como o autor! Onde é que isto vai dar??”…ao que eu respondo “ Calma! Já vão entender…”.

…o que é que eu mereço?

Eu mereço uma mulher com um feitio igualzinho ao meu!

Hoje, domingo, efectuamos, como habitual, as nossas visitas de médico à minha sogra, à minha mãe, etc…no tempo que sobrou fomos a um local muito conhecido pelos ciclistas pouco civilizados ( isto explico noutro texto)…o parque das Nações!

Agora estão vocês a dizer: “ Sim…desenvolve!”

Passo então a explicar a minha frustração…

Em plena beira-rio a minha querida mulher…AL!...decidiu parar de observar o belo espécime da raça masculina ( que para quem não sabe..ou não entende, o que é muito natural, sou eu!...nos tempos livres sou também gabarolas…convencido e arrogante!)…para comentar os espécimes menos favorecidos que nos rodeavam…

“ Ela – Ahhh! A Primavera está, finalmente, a chegar [ em tom de velho afónico].
Eu- Huh? O que é que estás a dizer? [ Fazendo-me de estúpido…ok, sendo estúpido ]
Ela – Não estou a dizer nada...[ suspiro] Que rio tão bonito!
Eu- Al…o rio não é bonito, é o rio mais sujo de Portugal…Tu acabaste de comentar a aparência daquele coxo, maneta, visgolho, com pinta de homossexual???
Ela – Eu???? Nãoooooo![ Revira a cabeça] Achas mesmo que o âmbito da pesquisa dele são os homens??”

Concluindo…Sai de casa com dois maravilhosos espécimes masculinos ( eu e o Afonsinho, claro está) e queria voltar com três…quer sempre mais, sempre mais!

Não é caso para um homem ficar com os pensamentos a mil??


…Eu sei que não, mas digam que sim só para eu ficar contente…obrigado.

sexta-feira, setembro 14, 2007


Nos últimos tempos, tenho-me visto mais como pai do que como homem, (…muitos de vocês já estão a pensar numa frase de gozo para me dizer…podem esquecer), digo isto porque tudo o que eu faço é a pensar na minha família, nos meus filhos em particular.
Há umas semanas, por brincadeira, comprei umas t’shirts em tudo iguais, menos no tamanho…dei uma ao meu filho mais velho e fiquei com outra para mim…
Conclusão: Desde esse momento que tenho um pequeno clone.
O meu imperador entrou na fase em que imita tudo o que vê. Por exemplo, se eu tiro os sapatos, ele tira os sapatos, se eu pego no copo…ele pega no copo, se eu decido vestir uma camisa preta…adivinhem…certo, ele tem que vestir uma camisa preta.
Tenho vindo a constatar que ele me imita na maneira de falar…também. Eu digo muitas vezes “ Huh?”, ele decidiu adoptar a expressão e decide dizê-la cada vez que a ouve.
Agora vocês estão a perguntar: “ Ok…e o que é que eu tenho a ver com isso?”
Simplesmente não me lembrei de mais nenhum tema para escrever e já me sentia mal por não vir escrever alguma coisa…logo, se não gostaram, aceito sugestões de temas.


PS: Eu tenho lido tudo..tenho estado calado, mas não me esqueci.

Pensamento



“Ensinarás a voar…
mas não voarás
o teu voo.
Ensinarás a sonhar…
mas não sonharão
o teu sonho.
Ensinarás a viver…
mas não viverão
a tua vida.
Ensinarás a cantar…
mas não cantarão
a tua canção.
Ensinarás a pensar
mas não pensarão
como tu.
Porém,saberás que cada
vez que voem,
sonhem,vivam, cantem
e pensem…
estará a semente
do caminho
ensinado e aprendido.”

Madre Teresa de Calcutá

Dito por uma mulher que nunca foi, fisicamente, mãe…

quarta-feira, setembro 12, 2007

Não se pode forçar o “processo” de escrita pois não? Apetece fazê-lo, quer-se muito mas, por uma ou por outra razão, não se consegue... Desta forma, deixo apenas uma música que ouvi ontem... Simples mas, na minha opinião, cheia de conteúdo...


“Man gets tired
Spirit don't
Man surrenders
Spirit won't
Man crawls
Spirit flies
Spirit lives when man dies
Man seems
Spirit is
Man dreams
The spirit lives
Man is tethered
Spirit is free
What spirit is man can be …”

Waterboys

sexta-feira, setembro 07, 2007

A porta do quarto fecha-se bruscamente atrás de ambos! Quase imediatamente, como se fosse um caso de vida ou de morte e se necessitasse urgentemente de ar, os seus lábios unem-se... os braços atropelam-se na ansiedade de se voltarem a tocar... as horas que os separaram pareciam uma eternidade, demasiado longa para ser suportada de ânimo leve... os corpos reconhecem-se, moldam-se e tocam-se...

Seria hoje a despedida? Sim. Não?! Talvez...

Talvez cada um resolvesse seguir a vida que tinha escolhido antes. Uma vida que estava suficientemente preparada, estabelecida por eles e por outras pessoas que a partilhavam. Estavam conscientes, agora, que o que fora construído até então poderia viver durante muitos anos sem que os olhos de ambos se vissem. Era tão forte que sobreviveria a intempéries de tempo, distância e outras partilhas. O que tinham sentido, até ali, seria auto-suficiente, forte e perduraria independentemente do que o futuro e a vida possam trazer...
Sabiam-no. Como ninguém. Mas não falaram.

Ali os corpos completavam-se e os desejos mais profundos vierem à tona. Seriam apenas um. Aliás, creio até, que o foram sempre. Desconheciam e desconfiavam agora... ele adivinhava-lhe os pensamentos, ela as atitudes... ele completava-a, ela preenchia-o... ele ouvia-a atentamente, ela entendia-o na perfeição... ambos sonhavam, alto, riam-se dos sonhos, construíam vidas paralelas, viviam-na e ela ganhava vida... E, de tão reais que se tornavam as fantasias conjuntas, transformavam-se em actos palpáveis, com odor, com gosto e presentes!

O que viveram em conjunto nos dias anteriores tinha-os fortalecido... ou enfraquecido! As músicas ouvidas, escolhidas e interpretadas, dedicadas a um determinado momento, a um segundo apenas... as refeições sempre fugazes, entre risos e conversas rápidas, o degustar de uma comida que foi sempre considerada “inútil” já que o alimento vinha do sorriso, do olhar e do toque... as conversas mais ou menos filosóficas, mais ou menos sérias, mais ou menos intelectuais que apenas serviam para ouvir a voz de cada um deles e para observar as expressões do rosto... o espreguiçar de corpos nús, deitados na cama, entre lençóis, as mãos a percorrer e descobrir cada pedaço, a respiração partilhada que entretanto acalmou... aqueles momentos em que o mundo parou, literalmente, e o silêncio imperou entre os dois... as brincadeiras de almofadas, de força, de água, de cócegas que se desenvolveram infantilmente mas deixou-os livres... as palavras que disseram mais aquelas que não foram ditas e mais aquelas que ficaram por dizer e mais aquelas que não foram ditas mas sentidas em pensamentos... os cumprimentos tímidos de quem não se vê há horas e as despedidas dolorosas...

Seria hoje a despedida? Sim. Não?! Talvez...

A porta do quarto fechou-se, novamente. Pelo corredor apenas as não palavras. As pernas tremem e o coração ficou reduzido quase a pó. Despedem-se. Voltam costas e seguem caminhos opostos! Naquele momento toda a rua, todos os carros, todos as casas, todas as pessoas parecerem insignificantes... estranhamente desnecessárias!!
Em passos diferentes... em direcções opostas... o ser que era “um” voltou a dividir-se e, desta vez, apenas o une o mesmo pensamento: o pretérito nunca existiu, o presente passou rapidamente a passado e o amanhã já não lhes pertence...

Terá sido aquele dia a despedida? Talvez...

terça-feira, setembro 04, 2007

ARACNO-bllhheck-FOBIA

Com este título não há que enganar sobre o teor do meu texto. Há falta de melhor, descrevo-vos quatro situações. Apenas os actores secundários se repetem. As actrizes principais, todas elas personagens-tipo, embora da mesma raça, possuem características distintas. Apresento-as.

Miquinhas – a aranha campestre ( é robusta, de pêlo na venta, rechonchuda e imponente. Mexe-se como ninguém e é activa. As suas teias estão por todo o lado porque é trabalhadora e perspicaz).

Maria Emília – a aranha citadina (êxodo rural – saíu do campo e veio viver para a cidade. Desde aí mudou de nome. Agora é Lili. Um petit nom que se coaduna com a sua falta de pêlo, fruto da depilação a laser, da sua estrutura delgada e pose altiva. As suas teias, normalmente, ficam sempre perto de um espelho ou de um vidro. Vá-se lá entender o porquê destas bichices).

X8 – a aranha futurista ( Fina, quase sem cor e esquiva. Esconde-se nos nossos aparelhos electrónicos, nos buracos mais pequenos e gosta de construir teias em dois locais específicos: ou atrás de televisões, mantendo-se sempre informada, ou em carros, adora viajar).

Edna – a aranha estrangeira ( esta, de nacionalidade caboverdiana. É estranha, diferente e mais à frente compreenderão porque razão faz parte de um grupo minoritário. De média estatura destaca-se pelo ar exótico e queimado do sol.)

Apresentadas que estão as protagonistas partilho convosco os filmes.

1ª Situação
Na aldeia dos avós:
- Vai lavar as uvas antes de as comeres. Estão cheias de sulfato. Faz mal.
- Avôôôôôôô... está uma aranha gigante na lava-louças....
- E?
- Não consigo lavar as uvas assim...
- Deixa-te de fitas. Antes de chegares já ela estava aí. Respeita-a.

Conclusão: Não lavei as uvas. Comi-as mesmo assim. Diarreia no dia seguinte.
Resultado: Um ponto para a Miquinhas.

2ª Situação

Cidade Universitária. Oitavo andar. A minha vez de trocar de bilha (salvo seja!) de gás. Dirijo-me ao elevador. A porta abre-se:
- Susaaaaaaaaaanaaaaaaaaaa...
- Sim? O que foi?
- Está uma aranha enorrrrme no espelho do elevador. Não consigo entrar.
- É assim tão grande para não caberes?
- Tenho medo. Vá, anda cá.
- Não posso. Lamento. Acabei agora de pintar as unhas dos pés.

Conclusão: oito andares a descer a pé, oito andares a subir com uma bilha de gás cheia e pesada.
Resultado: A Lili levou-me à letra. Um ponto para ela.

3ª Situação

Viagem de carro. Numa via rápida. Subitamente, do espelho retrovisor, desce uma aranha, senhora do seu nariz, como se partilhasse comigo a mensalidade do carro, ao banco. Piscas e páro bruscamente na berma. Alguns minutos mais tarde e outro carro se junta a mim.
- Então menina o que se passa?
- Vai achar que sou doida mas está uma aranha gigante no meu carro.
- (rindo) Onde? Vou apanhar a sacana.
- Já está?
- Não a vejo, acho que fugiu. Ou morreu de susto com a sua travagem.
- Não posso seguir viagem sabendo-a aí!
- Olhe o mais certo é ter escapado no momento em que abriu a porta!
Alegrou-me mas não me convenceu. Segui viagem. Que remédio!

Conclusão: Dinheiro gasto numa limpeza extra de interiores.
Resultado: Vencida uma vez mais. Numa guerra desigual!!

4ª Situação:
- Bavvvvvvvaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa....
- Diga menina!
- Está uma aranha esquisita na outra janela do meu quarto!
- É esquisita porque é a única no mundo que não faz teia. Apanha os bichos no ar.
- Lindo. Uma raridade e logo na MINHA janela????
- Não fazem mal menina.
- Mas estão em vias de extinção?
- Quê?
- Se há muitas?
- Sim, por todo o lado..
- Então venha cá cima, por favor, assassinar esta...
- Agora não posso menina...

Conclusão: noite mal dormida, janela aberta, corrente de ar vinda do mar, demasiado fresca, constipação certa.
Resultado: One point to Cabo-Verde; Zero to Portugal. Edna é miss.

Alguém me disse que deveria ver o filme “Aracnofobia” para perder o medo. Não sei quem foi o/a iluminado/a. Não resultou. Durante meses sacudi todo o meu calçado antes de o calçar; andar de mota nem pensar porque isso implicava colocar um capacete; quando entrava na cave da casa dos meus pais examinava cada canto meticulosamente e, talvez o mais grave, eduquei o meu ouvido na direcção dos grilos. Supreendido/as??!

É que onde há grilos não há aranhas grandes...

Bllhheck....

domingo, setembro 02, 2007

Um dia de praia...

Manhã de Agosto. Sol. O vento, misteriosamente, desapareceu. À frente dos meus olhos, na linha de horizonte, apenas o mar. A praia que escolhi é quase deserta. Quase.
Estendo a toalha, dispo o vestido, e deito-me confortavelmente na areia na esperança de disfrutar ao máximo a minha leitura. De David Mourão Ferreira, o livro. Um dos meus escritores preferidos. Abro o livro e leio-o enquanto o sol me toca na pele e a vai queimando. Entrego-me a esta sensação fantástica de pertencer à Natureza: a pele é do sol, o corpo encaixado na areia fina e os sentidos direccionados apenas para o barulho e sabor do mar! Devoro as palavras. Chego a querer parar a minha leitura. É quase como saborear uma refeição que, por estar tão saborosa, apetece comer devagarinho para esmiuçar cada sabor e condimento... Não quero apressar nada.
Gostaria de ser esta mulher que o escritor define. Nunca li descrição mais fiel e pormenorizada. Nunca conheci ninguém que falasse tão bem de e sobre mulheres como ele. Penso que talvez as conhecesse bem demais ( se é que isso é possível). Descobre-lhes os defeitos mais mesquinhos e poeirentos e exibe e enaltece as qualidades de Deusas que diz possuirem. Ama-as e admira-as...
Entretanto, quase em simultâneo, juntam-se a mim, na minha praia deserta, dois casais. Estrategicamente, ou não, fico no meio deles. Mais uma vez interrogo interiormente: por que razão com tanto espaço à volta as pessoas gostam de estar pertinho umas das outras?? Será que é por uma questão de segurança?? Não que eu tenha a veleidade de pensar que estes casais simpáticos vejam em mim uma salva-vidas mas talvez pensem que “como é novita e tal (eu não disse que eram simpáticos??!!) talvez tenha boa goela para gritar por socorro!” Ok, novita sou, tenho boa goela, também é verdade, mas odeio gritos! Adiante.
Dois casais, dois guarda-sóis, os devidos sacos e três criancinhas que, entretanto, encetaram uma luta dolorosa com a roupa que trazem vestida... a vontade de brincar está espelhada nos seus olhos.
Atenta a estas coisas de “educação” dou por mim a ocupar o meu tempo a observar e “ouvir” (é inevitável) estas famílias vizinhas à minha toalha.
Ambos são casais novos. O da minha direita tem apenas um filho (4/5 anos); o da esquerda vem equipado com dois (um rapazito de ¾ anos e outro mais velhito um pouco). And now, find the differences:

O casal da direita chegou, abriu o guarda-sol, estendeu as toalhas, despiram toda a roupa que foi atabalhoadamente colocada em cima de um qualquer saco, não espalharam creme algum pelo corpo (talvez o tivessem feito ainda em casa) e :
- Queres o balde João?
- Na quéo...
- Queres a pá?
- Na quéo...
- Anda cá para te pôr o chapéu...
- Na quéo
(Zangado)
- Queres, queres ( a mãe colocou-o, o filho atirou o dito chapéu ao chão e ficou tudo bem)
- Não dispas os calções filho!
- (Despiu)
E fizeram-se ao mar. Todos sem chapéu e um membro pequenito a fazer nudismo. Na areia molhada, saltaram, riram, criaram fortalezas, atiraram areia uns aos outros e brincaram como se todos fossem da mesma idade! Na hora do banho o pai pegou no miudo, levou-o à água mas dada a relutância do filho em encarar as ondas, devolveu-o à margem para chapinhar ao seu ritmo. De quando em vez ele chamava os pais para o verem a dar um mergulho na areia / água, dependendo das ondas...

O casal da esquerda chegou, abriu o guarda-sol, estendeu as toalhas, despiram-se todos sozinhos e entregaram a roupa à mãe que, meticulosamente, a arrumou nas varetas do guarda-sol azul, o pai começou a espalhar o creme pelos corpos das crianças e só parou quando estas ficaram brancas como a cal e, depois, inesperadamente, pelo menos para mim, diz-lhes para se sentarem na sombra, perto da mãe. O pai vai à água, traz os baldes cheios e entrega-os para que possam brincar mesmo ali. Os dois futuros arquitectos edificaram um castelo digno de um conto de fadas... mas sempre acompanhados pelas frases imperativas dos pais:
- Cuidado com a areia. Para a toalha, não!
- Não te quero ao sol!
- Não metas a pá à boca!
- Pede ao pai para ir buscar mais água. Não te quero no mar sozinho!
- Não dispas os calções. A pilinha constipa-se e depois espirra!
(Juro-vos que ouvi isto!)
Entre uma ordem e outra a mãe, pacientemente, lá os ajudava e estava sempre a perguntar-lhes se tinham fome ou sede. Na altura do banho, saem da sombra e rumaram ao mar. Os quatro. Os miudos eram engraçados e íam ao saltos e a gritar. Nem as braçadeiras do Noddy lhes travavam os movimentos. O pai pega no mais novo ao colo. Entra na água. A criança grita. Não quer. Impávido e sereno, o pai mergulha mesmo assim. O mais velho pensando que a sua sorte seria a mesma, desata a correr, obrigando a mãe a fazer o mesmo. E quando pára a mãe segura-lhe na mão e diz-lhe qualquer coisa que o acalma. Felizmente, num acto de inteligência, o pai desiste e brinca com ambos na areia molhada. Já passou.
Visualizando todos os pormenores faço as minhas comparações... eu que não sou mãe e que desconheço algumas destas preocupações enquanto filha adulta que sou e filha pequena que já fui... Reprovo alguns destes comportamentos e reflicto sobre outros. Qual será a educação mais apropriada para as nossas crianças? A permissiva ou a rigorosa? Será que há um ideal ou é antes a combinação das duas que funciona melhor? Não vi nenhuma destas crianças de que vos falei “infeliz”... e têm, a meu ver, perspectivas completamente diferentes!
O casal da esquerda “corta” constantemente os movimentos dos seus filhos. A palavra “não” é uma constante e vocábulo fácil. A liberdade, conceito tão digno de um dia de praia, é quase inexistente. Protegem mas não deixam que os filhos vivam a areia, o mar e o sol. Mostraram-se sempre muito cuidadosos e atentos. Preocupados.
O casal da direita solta as “rédeas” ao petiz... deixa-o correr, nem que seja em cima das pessoas que os circundam, deixa-o cair, deixa-o provar areia, se ele quer tirar os calções tudo bem, se não quer comer então come mais logo, se quer berrar que berre, se quer todas as toalhas menos a dele então assim será, se quer chamar má à mãe só porque ela o repreendeu por causa da areia que ele lhe atirou está tudo fantástico... Deixaram fazer tudo o que ele queria, é certo, mas para isso “anularam-se”...
Tudo, em tudo, distinto. Duas famílias completamente diferentes com crianças que serão, inevitavelmente, diferentes no futuro...
E chego à conclusão que é fácil criticar e apontar o que está menos bem feito, de acordo com o nosso ponto de vista! Só assim me parece mais justo fazê-lo. O difícil, tenho a certeza, é educar porque não há regras, nem livros de ajuda, porque todos somos diferentes e porque a vida que é a de hoje não será, com toda a certeza, a mesma de amanhã...
Pego no meu livro novamente... Onde ía eu???
David Mourão Ferreira idolatra as mulheres...

domingo, agosto 26, 2007

E se tu não existisses...



Tenho que admitir que nunca me lembraria deste cantor se não tivesse visitado um dos blogs que faz parte das minhas leituras diárias…

E se tu não existisses?
Diz-me...por que existiria eu?
Para vagar num mundo sem ti,
Sem esperança e sem lembranças.

E se tu não existisses?
Eu teria que inventar o amor,
Como um pintor que vê sob os seus dedos,
Nascerem as cores de um dia,
Que não voltam mais.

E se tu não existisse?
Diz-me...por quem existiria eu?
Estranhas adormecidas nos meus braços
Que eu não amaria jamais

E se tu não existisses?
Eu seria um ponto a mais,
Neste mundo que vem e que vai
Eu me sentiria perdido,
Eu precisaria de você!

E se tu não existisse?
Diz-me...como existiria eu?
Eu poderia fingir ser eu
Mas eu não seria verdadeiro.

E se tu não existisses?
Eu creio que não teria encontrado,
O segredo da vida, o porquê,
Simplesmente por acreditar em ti,
E por te olhar.

E se tu não existisses?
Diz-me.. por que eu existiria?
Para vagar num mundo sem ti,
Sem esperança e sem lembranças.

E se tu não existisses?
Eu teria que inventar o amor,
Como um pintor que vê sobre os seus dedos,
Nascerem as cores de um dia,
E que não voltam mais.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Se eu fosse...


Se eu fosse uma árvore... seria uma macieira ( pancada por maçãs)
Se eu fosse um símbolo químico... seria o Md (Mendelévio – é dos mais estranhos que encontrei)
Se eu fosse um animal... seria um golfinho. Alia água, inteligência, bom humor e meiguice. Agradam-me todos.
Se eu fosse um carro... seria o carocha do meu avô. Branco, clássico e eterno.
Se eu fosse uma música... seria “Butterfly on a wheel – The Mission”, porque sim, porque me agrada o ritmo e porque me marcou... “Wise men say all is fair in love and war,There's no right or wrong in the design of love…”
Se eu fosse apenas uma palavra… seria “paz” porque é global. Abraça todas as outras.
Se eu fosse um gesto... seria um beijo. Há coisa melhor?????
Se eu fosse uma profissão... seria bailarina. Deixar o corpo falar.
Se eu fosse uma estação do ano... seria o Inverno. Lareira, chuva, frio, cobertores. Combinação perfeita.
Se eu fosse uma figura mítica... seria Inês de Castro. Amou e foi verdadeiramente amada.
Se eu fosse um livro... seria o Livro do Desassossego, Fernando Pessoa. Só lendo.
Se eu fosse uma comida... seria um Bacalhau com natas. Porquê? Porque automaticamente o associo a um jantar mais demorado, acompanhado por um vinho verde fresquinho. Eu levo o meu tempo e, às vezes, também sou “fresca” eheh
Se eu fosse uma personagem de um conto... seria o menino do conto “A Estrela” de Vergílio Ferreira. Não há nada como acreditar piamente nos nossos sonhos mesmo que o mundo se volte contra nós.
Se eu fosse um líder... seria Nelson Mandela. Pela capacidade imensa de perdoar e viver.
Se eu fosse uma peça de mobiliário... seria um espelho. Grande. Na entrada. Onde as pessoas se reflectissem e mirassem aquilo que realmente são.
Se eu fosse um elemento da natureza... seria o vento. Aquele vento matinal de uma manhã de Verão perto do mar. O cheiro traz histórias de longe, toca e arrepia a pele. (Ok, há gente que provavelmente diria que eu seria mais um "Dean", más línguas dá nisto).
Mas se eu realmente pudesse escolher entre o que sou e o que poderia ser... não mudaria nada. Sou assim, respeito-me. E assumo as qualidades e os imensos defeitos.

segunda-feira, agosto 20, 2007

A minha mulher!

Hoje vou falar da pessoa que resgatou o meu coração na época mais difícil da minha vida e que, agora, comanda todo o meu ser…como é lógico, vou falar da minha mulher.

Vou apresentar alguns vídeos que, garanto, valem mais que mil descrições…

Vídeo um – Isto já aconteceu! Garanto que a minha mulher é assim…quem nos conhece pode confirmar.



As manias :

- Adora dizer coisas como :
* “ Daqui a pouco estás a comer os azulejos!”
* “ Não tens amor à vida”
- Não gosta que a considerem inferior por ser mulher…quem a considerar está, literalmente, tramado.

- Adora arrombar portas…passo a explicar.
A Al tem um fascínio inimaginável por portas, a primeira coisa que ela desmontou quando era pequenina foi uma maçaneta da porta, seguiram-se as dobradiças…A primeira coisa que ela me disse ao ouvido foi : “ Está a tentar derrubar a porta com o poder da mente??”…só porque eu estava a pensar como iria entrar num edíficio.
Continuo a dizer que, uma das razões que a levou a entrar na polícia foi o facto de, inevitavelmente, ter de arrombar algumas portas.
Os vizinhos devem ficar assustados quando ouvem as nossas conversas…”Ela : Queres que mande a porta a baixo?? Eu : Não Al! Não quero que mandes a porta abaixo…eu tenho chave!”

- Não se dá, definitivamente, bem com mulheres fúteis…daquelas que gritam por tudo e por nada…temos isso em comum.

Não existem impossíveis para a minha mulher…qualquer tentativa de favorecimento devido ao facto de ser mulher…não será muito bem aceita ( é melhor não tentarem…a sério).

A minha relação com a Al, ao longo dos anos tem sido, definitivamente, diferente.
Andamos sempre a competir entre nós…um simples jogo de computador pode despoletar uma guerra civil nas nossas casas, basta um de nós estar a ganhar.
Nos almoços de amigos, família, não podemos ficar muito longe um do outro…nós arranjamos maneira de comunicar.
Não podemos, definitivamente, trabalhar juntos…quando duas pessoas querem mandar, alguma tem de ficar a perder.
Apesar da sua aparência fria e racional...consegue ser umas das mulheres mais sensiveis e carinhosas que tenho o prazer de conhecer.
Estão aqui algumas das razões pelas quais eu a amo com todas a minhas forças…aposto a minha vida em como não existe ninguém com uma relação mais forte.



Vídeo dois

Este filme resume em poucos minutos grande parta da nossa relação…até os actores são idênticos em termos de estatura, vozes…etc. Vejam o filme, prestem atenção à música…riam um bocado.

domingo, agosto 19, 2007

O meu mais velho...

Ele : Quero brincar com o mano! ( soa como “ Quelo blincarrrrr com o manu!)
Eu : O mano está a dormir agora. Podemos brincar os dois.
Ele: Mas eu quero o mano! ( “ ma eiio quelo o manu!”)
Eu: Filho, o mano é pequenino, tem de dormir…
Ele: Ele está sempre a dormir! ( “Eile tá semprrre a dormirrrr!”)

O meu filho mais velho está na fase que eu chamei de “R”…ora ignora essa letra do alfabeto ou carrega demasiado na mesma…escusado será dizer que eu passo horas e horas a rir quando o ouço falar.

Gosta muito de ficar a olhar para o irmão, embora não compreenda muito bem porque razão está sempre a dormir…Ainda não começaram os ciúmes. Ainda bem!

sábado, agosto 18, 2007

Amor de Pai

Já disse aqui que tenho dois filhos…um com menos de um mês e outro com dois anos e meio...
Quando se tem que dar atenção a muita gente, algo acaba sempre por ficar para trás…neste caso tem sido o blog…peço desculpa, mas prefiro assim.



quarta-feira, agosto 15, 2007

terça-feira, agosto 14, 2007

"Emigrantices!"


Não poderia passar o mês de Agosto sem falar em ... Emigrantes!! (Consideram-se emigrantes portugueses, os cidadãos portugueses que tiverem deixado o território nacional para, no estrangeiro, exercerem uma actividade remunerada e aí residirem com carácter permanente...)


Porquê? They are everywhere!!!


E porque os admiro. É verdade. Admiro-lhes a vontade de “gozarem” o seu país de origem, o tal que os viu nascer. Passam um ano inteiro a trabalhar, uns com mais sacrifício do que outros, mas entram nas terrinhas com o coração aberto, a carteira solta, o pé mais leve para o bailarico, a goela solta, a sede assumida e a fome na barriga... ""Eu vou comer, eu vou comer, até me lambusar, porque se eu não comer vem outro e come em meu lugar..."


Experimentem ir a um baile de uma aldeia. Experimentem e sintam-se pequeninos. Ele é vê-los a dançar como se o corpo fosse elástico; conseguem fazer malabarismos com as pernas sem entornar um pinguinho do copo que seguram, religiosamente, na mão e refiro o que mais me deixa intrigada: como conseguem eles pegar nas senhoras, fazê-las rodopiar incessantemente, levantá-las, dar voltas à sua volta, e mesmo assim, não cair e não desmanchar as cabeleiras?? Mistério, sorte ou boa laca???


Querem lá saber se só dançam música pimba. É aquela que tem ritmo, alegria e letras malandras. É com elas que esboçam aquele sorrizinho maroto e piscam o olho às meninas das proximidades... E na altura dos “slows” sabem agarrar. Literalmente. E é lindo vê-los a olhar languidamente para o par e depois pousar a cabecinha no ombro...


Querem lá saber se o ouro lhes pesa no pescoço e nos pulsos. Reluz. Fica bem na indumentária escolhida meticulosamente.


Querem lá saber se exageraram no perfume francês que, de tão caro que foi, cheira-se a quilómetros de distância. Cá para mim partilho da opinião: ou se põe ou não se põe de todo. E se se põe não sejamos egoístas: deixemos que TODA a gente o sinta.


Querem lá saber se não os entendem quando misturam línguas e dizem qualquer coisa do género : “ Tu és belle e joli. Queres danser? Coladinhos?” Gosto desta “poliglotice”. É que às tantas já estamos na mesma onda e respondemos: “ Non quiero. Doem-me os pieds”...


Querem lá saber se lhes chamam “avecs”, “emigras”, “franciús” (mesmo que estejam emigrados na América) ou até os “ventania” (há muita imaginação na minha terra)...


Querem lá saber se fazem barulho. Para eles é sinónimo de cumplicidade, de comunhão, de partilha com aqueles que estiveram longe demasiado tempo. Onde há música alta, por estes dias, das duas uma: ou estamos perto de um desses festivais de Verão ou é festa de emigrante!!


E também não pensam na despedida. Vivem cada dia intensamente. Cansam-se num cansaço que faz inveja. Divertem-se numa diversão que só eles sabem construir. Nós, por cá, dizemos baixinho: “Olha-me para aquele... que figurinha... carro alugado, vê-se logo... grande penteado...” mas, lá no íntimo, sentimos orgulho daqueles que se aventuraram para além das nossas fronteiras, que trabalham arduamente e nos representam lá fora. São nossos. Hão-de sê-lo sempre porque à primeira nesga da porta escapam-se para cá...


Dou-lhes as boas vindas e prometo não me rir mais de penteados até ao tecto, de roupas do século “troca o passo”, de carros “chunguing”, de músicas em altos berros para toda a cidade ouvir, e de piropos imperceptíveis... Ok, não prometo, mas vou-me esforçar para não o fazer!!

quarta-feira, agosto 08, 2007


A noite foi praticamente passada com os olhos abertos.
Por mais voltas que desse na cama não conseguia deixar de pensar nele. A sua voz, as suas palavras ecoavam na cabeça e a proximidade do dia desejado deixava-a sem chão e ansiosa.


O dia finalmente clareou. Levantou-se e, depois de fazer todos os seus rituais matinais sempre de cabeça no ar, tomou um banho de longos minutos. Olhou para o seu corpo. E pensou como ele o veria e sentiria...
Saíu de casa, entrou no carro e fez um esforço para se concentrar quer na condução quer no percurso. Poucas horas os separavam. Um momento há muito esperado mas, por uma ou por outra razão, sempre adiado.
Chegou, estacionou o carro e dirigiu-se ao local combinado. Veio mais cedo propositadamente. Sentia que precisava de se preparar. O quarto não era grande mas já o sabia de cor... e jamais esqueceria cada pormenor. Desde as cortinas até à cor dos tapetes.


Olhou para o relógio mais uma vez e o seu coração bateu desenfreadamente. Viu-se ao espelho. Ajeitou o cabelo e a camisa pela milésima vez e optou por esperar sentada... pacientemente.


Sabia muito sobre ele, conhecia-lhe até alguns segredos e naqueles meses tinham partilhado todas as suas vidas em palavras: ditas e escritas. Apercebeu-se que nunca na vida tinha esperado por alguém daquela forma. Sentia-o tão perto e antagonicamente tão longe... desejava-o sem nunca o ter olhado nos olhos. Queria que fosse tudo perfeito. Queria ser ela sem pensar em constrangimentos porque ele, inconscientemente, a libertava e permitia que a sua alma, as suas fantasias ganhassem nova vida. Tinha esse poder!


Olhou uma vez mais para o relógio e os seus olhos pousaram nas suas mãos. Hoje estariam preenchidas com o corpo dele, com o seu cheiro, com o seu calor... quantas vezes quis que aquelas mãos fossem as dele!
Levantou-se. Sentiu os passos de alguém no corredor e o seu coração endoideceu. Ficou parada ouvindo atentamente. Tornaram-me mais próximos e mais próximos e por fim pararam. E a sua respiração adormeceu.


Alguém bate. Ela hesita. Caminha lentamente sabendo que aquelas eram, naturalmente, as horas de ambos. Apeteceu-lhe abrir a porta de olhos fechados, talvez uma forma de “temperar” o momento: primeiro a voz, depois o toque e depois, aliado a isso tudo, a imagem real dele. Mas não o fez. A mão abre a porta e o corpo recua para o deixar entrar... O seu corpo treme e as mãos não encontram posição...


Ele aparenta mais calma e tranquilidade. Aproxima-se dela, ou ela dele, não interessa. Na penumbra daquele quarto ficam frente a frente pela primeira vez. Ouvem-se as respirações de corpos imóveis que se sentem uma única vez no mesmo espaço. As mãos dela vão ao encontro da sua face. Os dedos percorrem os olhos, o nariz, os lábios e desenham as suas formas suavemente... depois tocam no cabelo e pousam no pescoço. O perfume que emana dele anestesia-lhe os sentidos e a respiração cola-se à sua... As mãos dele seguem o mesmo ritual.


São apenas segundos mas prolongados no tempo. Este parou. Cúmplice.


Os lábios tocam-se. Um beijo a medo, típico da adolescência, e quase roubado! Mas... o beijo perde a vergonha e os lábios colam-se e perdem-se apaixonadamente. Ela cabe perfeitamente nos seus braços. Sente-se protegida e feliz. Ele aperta-a contra si. E não proferem palavra. Tornaram-se inúteis e completamente desnecessárias.
A casualidade uniu-os, a oportunidade foi aproveitada e o destino cumpriu-se. Ali vive-se um amor que muitos não entenderão. Sabem-no mas entendem-no eles. É o suficiente. Aquele é o momento. Naquele quarto, naquele dia, naquela cidade, àquela hora...


... e por fim... amam-se!





sexta-feira, agosto 03, 2007

Sempre...

Sempre acreditei que o amor se faz e constrói de muitas coisas que passam pelas palavras, pelo carinho, pelo respeito, pela amizade, pela química, pela verdade, pela partilha até de silêncios...

Sempre acreditei no destino. Não sei porquê mas acredito em caminhos traçados. Se optamos por algo tem alguma razão de ser e não vem do nada. Porque estaria eu naquela sala, naquele dia e não a ver televisão ou a ler um livro como o fazia tantas outras vezes?

Sempre acreditei em pessoas especiais. Aquelas que nos abrem os olhos, que nos ensinam a ver aquilo que está para além do óbvio, do elementar. Aquelas que nos abraçam sem braços, nos beijam sem lábios e nos fazem felizes mesmo distantes... Pessoas especiais enchem uma sala. Não precisa de haver mais nada. Pessoas especiais fazem-nos sentir especiais também. Contagiam-nos e fazem com que sejamos pessoas melhores todos os dias. Num momento difícil, perante um qualquer obstáculo, sorrimos porque simplesmente e só por isso amamos alguém especial...

Sempre acreditei na química entre duas pessoas. Do prazer que sentem quando se unem. Da sensação do mundo acabar a qualquer instante e não importar nada... no partilhar e compartilhar de corpos que se amam e entregam totalmente. A liberdade de movimentos naturais que se coadunam e formam suor e calor. A cumplicidade de gestos que, mesmo descoordenados se encontram e tocam intensamente.

Sempre acreditei em beijos e abraços. São fiéis. Não enganam. Transmitem exactamente o que vai na alma, sem pudor. Não há beijos simples. Ou são o espelho de sentimentos ou então não são beijos. Os abraços exprimem carinho, força, segurança... são perfeitos! É o encaixar perfeito de um corpo no outro. É um acto que, infelizmente, se perde a cada dia... abraça-se sem apertar. Abraça-se por abraçar.

Sempre acreditei em ti. Porque me fazes sentir isto tudo: fazes-me amar-te pelas palavras, pelo carinho, pela amizade, pelo respeito, pela verdade e pela partilha de tudo o que já confessámos e, até, vivemos.
Fazes-me acreditar que o destino fez-se e desfez-se mas cumpriu o seu papel. Mesmo que amanhã nos volte a separar.
Fazes-me acreditar em pessoas especias porque tu és uma delas. Pela simplicidade, pela inteligência, pelo humor, pelo homem que és todos os dias.
Fazes-me acreditar na química, na paixão que já se instalou e existe entre nós... em palavras apenas!
E fazes-me acreditar em beijos e abraços fortes e sentidos. Porquê? Porque não há um único dia que passe sem que pense naquele beijo e naquele abraço que ainda não me deste, mas que, por incrível que pareça, eu já senti...

sábado, julho 28, 2007

O Afonso nasceu!

No passado dia vinte e quatro, pelas sete horas e vinte e sete minutos vi pela primeira vez o meu filho…é um matulão, tem mais de quatro quilos, mais cinquenta gramas para ser exacto, e tem cinquenta e cinco centímetros.
O Parto correu maravilhosamente bem, foi muito rápido, mal chegamos ao hospital fomos logo encaminhados para a sala onde, passado pouco tempo, o Afonso acabaria por nascer.
É um rapaz calminho, chora pouco, fica muito quietinho nos nossos braços, raramente começa a chorar no colo de alguém…está a começar a angariar votos para quando concorrer a presidente da republica.
Estes últimos dias têm sido muito agitados, quer para o Afonsinho que para mim e para a minha mulher…toda a gente que conhecemos quer ter a sua oportunidade de ver o menino e não conhecemos assim tão pouca gente.
O Afonso desenvolveu uma fixação pela médica…que por acaso é minha amiga hà muitos anos…sempre que a ouve começa logo a emitir o lamuriar que nós, após o ouvirmos algumas vezes, identificamos como sendo um pedido de atenção…Ficarei sempre na dívida para com ela.

Falando agora concretamente acerca das manias do Afonso…

- Dorme de dia e está acordado de noite ( estamos a trabalhar para mudar esse hábito..ontem tivemos exactamente setenta minutos para dormir depois da uma da manhã)

- Adora ficar aninhado no nosso peito ( confesso que fui eu que comecei essa mania…era a única maneira de conseguir que ele dormisse)

- Tem uma maneira de mamar muito cómica ( começa muito devagar e o ritmo vai subindo…depois diminui…os olhos acompanham a cena…quando o ritmo é lento estão fechados, quando acelera abre-os)

- Quando adormece no berço tem de ficar com a mão em volta do nosso dedo ( para nos sentir próximos)

- Quando ando a passear com ele agarra-me a camisa como se não houvesse amanhã ( É um moço que presa a segurança)

Quanto à mãe…

- Desenvolveu um fascínio por gelatina ( E é VERDADE!...Foi a primeira coisa que ela disse que queria…depois foram maçãs…)

- Não entrou em stress, nem antes, durante e após o parto ( Provando a toda a gente que é uma grande mulher)

- Não perdeu o sentido de humor em nenhum momento ( até cantou a música do Mika…numa tentativa de me gozar…só conseguiu que eu me risse [ Relax…take it easy :P]

- Não se queixa de nada

- Está sempre pronta a dar-me daqueles abraços que me acalmam e só ela consegue.

…………….Por essas e por muitas outras coisas é que eu a amo…e sempre amarei………………………

Esta está a ser umas das semanas mais felizes da minha vida…Apesar de não ser o meu primeiro filho continua a ser único e especial à sua maneira.
Agora só peço para estar sempre disponível para tudo o que a minha família precisar, pois são eles que fazem com que eu lute todos os dias pelo que acredito…quero vê-los crescer, quero crescer com eles, quero dar-lhes tudo o que tive e muito mais…quero ser o mais perfeito possível…pois os meus filhos e a minha mulher o são.


PS: Como já prometemos...a menina já está a ser pensada.

terça-feira, julho 10, 2007

ONLY HOPEBy: Mandy Moore

There's a song that's inside, filled my soul
it's the one that I've tried to write over and over again
I'm awake in the infinite cold
But you sing to me over and over and over again
So I lay my head back down
and I lift my hands and pray
to be only yours I pray to be only yours
I know now you're my only hope
Sing to me the song of the stars
of your galaxy dancing and laughing and laughing again
when it feels like my dreams are so far
sing to me of the plans that you have for me over again
So I lay my head back down
and I lift my hands and pray
to be only yours I pray
to be only yours I know now
your'e my only hope
I give you my destiny I'm giving you all of me
I want your symphony singing in all that I am
at the top of my lungs I'm giving it back
So I lay my head back down
and I lift my hands and pray
to be only yours I pray
to be only yours I pray
to be only yours I know now
you're my only hope


“Finalmente a Lua, com as suas crateras, resplandecente, iniciou a sua aparente ascensão a partir do mar, projectando um prisma de luz através das águas que escureciam devagar, dividindo-se em mil partes distintas, cada uma mais bonita do que a outra. Exactamente ao mesmo tempo, o Sol encontrava-se com o horizonte na direcção oposta, pintando o céu de vermelho, cor-de-laranja e amarelo, como se o Paraíso acima tivesse subitamente aberto as suas portas e deixado toda aquela beleza evadir-se dos seus confins divinos. O oceano transformava-se em prata dourada à medida que as cores volúveis se reflectiam nele, as águas encrespando-se e cintilando com a mudança de luz, uma visão gloriosa, quase como no princípio do mundo.
O Sol continuou a cair, projectando o seu brilho tão longe quanto a vista podia alcançar, antes de por fim, lentamente, desaparecer sob as ondas. A Lua continuava a sua vagarosa escalada, tremeluzindo em mil diferentes tons de amarelo, cada vez mais pálidos, antes de finalmente se tornar da cor das estrelas.
Jamie observou tudo isto e silêncio, o meu braço apoiando-a com firmeza, a sua respiração ofegante e fraca. Quando o céu, por fim, escureceu e as primeiras luzes cintilantes começaram a aparecer no distante firmamento do sul, tomei-a nos braços. Beijei-lhe delicadamente ambas as faces e depois, por fim, os lábios.
- É isto – disse eu – exactamente o que eu sinto por ti.”



N.Sparks in " Walk to remember"

sábado, julho 07, 2007

Tenho pena...


Tenho pena daqueles casais…daqueles casais que entram numa monotonia tão extrema…que acabam por achar normal.

Tenho pena daqueles casais…daqueles casais em que as datas são recordadas mais por obrigação que por gosto.

Tenho pena daquele casal em que o toque nada mais é que fraternal…

…tenho pena daquele homem que entra em casa, depara com a mulher com quem casou e naquele corpo não vê mais que uma amiga das horas más.

…tenho pena daqueles casais…em que os gestos são calculados, as carícias programadas…frases gravadas: “ Olá como estás? Como foi o teu dia ( beijo na testa e não esperam pela resposta).

Tenho pena daquela mulher que procura o olhar do marido e encontra-o perdido algures no passado.

… pobre do casal que relembra os momentos do passado com saudade, sem esperança…” Lembras-te como nos conhecemos? Foram anos inesquecíveis!”.

... Tenho pena, muita pena, daquele marido ou mulher que questiona continuamente “ Onde está o homem\mulher que eu amei? Como é que pude gostar de tal sujeito?”.

No fundo tenho pena de todos os que não amam e sujeitam-se a uma vida rotineira…tenho pena de ti…tenho pena dele, dela…

Tenho medo…de ficar assim com o tempo…
…vamos fazer de cada momento uma dada para recordar com prazer…vamos fazer com que cada minuto seja o mais perfeito das nossas vidas…vamos fazer que sejamos tu e eu…ou outros também…mas, prometo-te…aconteça o que acontecer, venha quem vier…terás sempre em mim um mundo teu, aquele momento em que nada mais existe, nada mais importa…apenas tu e eu…os outros, também, mas não neste mundo tão nosso.

sexta-feira, julho 06, 2007

Chefe ou o empregado?


É nestas alturas que eu não sei quem devo defender…o chefe ou o empregado?

Por um lado tenho um cargo de comando, tenho umas dezenas de homens e mulheres que respondem perante mim com uma dedicação própria dos militares…por outro, tenho de prestar contas a um oficial superior, como todos os militares mais jovens.

Quem já foi ou é tropa sabe que a primeira regra no quartel é “ Não acordar o comandante”…aconteça o que acontecer o comandante é o último recurso para tarefas de importância reduzida…mas porque é que esta regra não resulta comigo?
Continuo a achar que, como líder, me envolvo muito com os meu subordinados…saímos juntos, bebemos juntos, conversamos, gozamos de uma relação de informalidade fora de muralhas muito pouco característica dos militares…mas gozamos.

Agora falando do meu “chefe”…espero que ele não leia… É um ser desprezível. Quem já foi ao jardim zoológico consegue identificar parecenças entre o “Mr.Barrigudo” e um chimpanzé…

- Não sabe comer ( ODEIO jantar na mesa do comando!)…Não sei como faz mas consegue fazer com que metade da comida se infiltre em todos os locais menos na boca ( o que não condiz com a sua barriga de doze meses)
- Não sabe falar…
- Não sabe andar ( tem aquela maneira característica de andar dos chimpanzés…quase que leva as mãos ao chão, inclina-se para a frente e balança as ancas…imaginem por vocês)
- É grunho ( burro, idiota, iletrado…continuo a dizer que a academia onde ele andou ardeu…deram-lhe o título por pena…promoções dos cravos [ 25 de Abril] é no que dá.
- Tem a mania de deixar as acções difíceis para os subordinados ( tipo eu..[ Faça-me o favor de dizer a fulano X que vai ser suspenso] [ Acha que devemos reagir?]…
- É muito adepto do “Diz que disse” o que me enerva seriamente.

Concluindo…não é a minha pessoa preferida.

PS: Imagino o que é que os meus subordinados dizem de mim…

Chefe, mas pouco...


Já se depararam com um ser tão desprezível mas tão desprezível que só vos apetece esganá-lo???
Felizmente posso afirmar que nesta ainda curta vida (penso viver até aos 100 mas não neste trabalho), as pessoas que se cruzaram no meu caminho foram e são todas de índole positiva. Com os seus defeitos obviamente, também eu os tenho e não são poucos, mas com uma capacidade de entrega à amizade, ao respeito e sinceridade, valores que eu, fundamentalmente, comungo. Mas perdoem-me a sinceridade: há situações em que engolimos muitos deles.
Odeio gente hipócrita. Gente que se esconde atrás de uma cara que não tem. Gente que mente descaradamente para conseguir atingir objectivos. É que parece digno de uma novela mas é a pura realidade deste ser desprezível de que vos falo. É um chefe... mas pouco!! Porque não tem carisma, porque não defende quem trabalha, porque não zela pelo bom ambiente e porque o sucesso dos outros é seu.


Primeiro ponto: é chefe. Provavelmente pensará que logo aí tem o direito de interferir na personalidade de cada um. De fazer o que lhe apetece, quando lhe apetece mesmo que, todos, e repito, todos, lhe digam educamente que a ideia é péssima e pouco prática.


Segundo ponto: é mulher. Este factor, torna-o um ser ainda mais perigoso. Para além de exigente é fria e calculista (acredito piamente que não o somos todas). Uma mulher nunca cai sozinha. Um homem assume o erro sozinho (acredito piamente também que nem todos o façam). Uma mulher arranja alguém para culpar pela falha, nem que seja a pobre da senhora da limpeza que deixou cair os papéis que estavam, caoticamente, espalhados na secretária do seu gabinete. Um homem chefe perdoa mais facilmente um deslize; uma mulher chefe não perdoa e se, por alguma eventualidade o faz, garanto-vos que não esquece.


Terceiro ponto: é um ser só. E gosta de o ser porque nunca foi de outra maneira. Desconhece. Conclusão: todos os seus subordinados têm que ter a sua capacidade de entrega ao trabalho nem que isso implique entrar às 9 da manhã e sair às 9 da noite. Não tem família e como tal nunca entenderá que mulheres como ela, por exemplo, tenham marido, filhos, tarefas domésticas e tempo familiar. É um ser desprezível porque não respeita a individualidade de cada um, impondo-se, valorizando apenas e somente os seus semi- princípios. Mesmo antes desta coisa da “Flexissegurança” já esta senhora praticava muitos dos conceitos base no meu local de trabalho. E agora que falo nisso interrogo-me: “_Humm, há dedinho dela neste novo modelo de trabalho! Segunda-feira, secretamente, falarei sobre isso... aos aliados!!”

E o difícil?? O difícil é fazer com que tudo isto nos passe ao lado; é complicado imaginar que o dia de amanhã será melhor, até porque é muito pouco provável que o seja. Intolerável é ouvir determinadas palavras e tecer um comentário educado e coerente. E é um acto heróico esboçar um sorriso. Não há empregos nem trabalhos perfeitos. Sei-o. A maturidade faculta-nos armas de protecção e de salvaguarda e proporciona-nos a calma suficiente para contarmos até dez, lentamente, e agir com serenidade. É a parte do engolir, a parte da aniquilação do nosso “eu” porque todos temos uma vida lá fora, com responsabilidades com as quais não podemos falhar nem por um milímetro! E depois, olhamos à volta, e em vez de um ser desprezível, aparece outro... e talvez ainda outro...
Mas alguém me explica porque razão um tomate podre dentro do frigorífico, rodeado de tomates frescos e brilhantes, de um dia para o outro contagia todos os que se encontram perto de si e os aprodece???? [Ok, devia ter pensado noutro fruto (sim porque o tomate é um fruto do tomateiro e não um legume como muitos pensam) mas nada mais me ocorreu]. Com maçãs seria bem mais simpático...

Enfim, contagiada pelo mau humor nada próprio de uma sexta-feira, resta-me escrever que neste momento sinto inveja de todos aqueles que, ao ler este texto, estão a dar graças a Deus pelo chefe chatinho que têm.