quinta-feira, junho 21, 2007

Frases famosas...

“Quase sempre as mulheres fingem desprezar o que mais vivamente desejam” , Shakespeare – Não se nota logo que foi um homem que a escreveu??? É que há “nãos” que só podem ser lidos como tal... não há engano possível!!
“Meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado” – Oh Einstein, devias viver cá em Portugal pá. É que aqui há Democracia mas ninguém é respeitado. E venerados há muitos: principalmente dirigentes de futebol.
Se se quer ser alguém, deve venerar-se a própria sombra”, Nietzsche – e em dias nublados e de chuva hã???
“Que vantagem têm os mentirosos? A de não serem acreditados quando dizem a verdade.”, Aristóteles – Pára tudo. Onde está a vantagem mesmo????? Não percebi Tótlezinho. Adiante.
Se não há café para todos, não terá para ninguém”, Che Guevara – O conceito é bonito. E dizer isso lá no local do trabalho????? É um ver se te avias...
“O homem que trabalha somente pelo que recebe, não merece ser pago pelo que faz”, Abraham Lincoln – Deus queira que os patrões deste país não leiam esta frase eloquente.
“O que nos salva é dar um passo e outro ainda”, Saint-Exupéry - Claro, dependendo do sítio onde nos encontramos. Imaginem uma falésia...
“A simpatia consiste em amar as pessoas mais do que elas merecem”, Joseph Joubert – Já lhe ouvi chamar muita coisa... nunca “simpatia”...
“Um sorriso falso é como um cheque sem cobertura,” Jô Soares – Conheço algumas pessoas sem credibilidade bancária...
"Se me obrigassem a dizer porque o amava, sinto que a minha única resposta seria: Porque era ele, Porque era eu” Michel de Montaigne – Uma resposta clara. Quase tão boa como “Porque sim.”
"Não são os outros que nos dão oportunidade, nós é que temos que buscá-la” , Alfieri - Terá este senhor ouvido falar no “Factor C”???
"Dado que o homem é o único animal que bebe sem sede, convém que o faça com discernimento" Farnoux-Reynaud - E é a falta de discernimento que o torna um homem.

terça-feira, junho 19, 2007

Mundo!!


Foi criado um mundo paralelo. Ao real. Porém, este mundo é caracterizado por ser quase tão real como a realidade. Vive-se, respira-se, sente-se, sonha-se...
Neste mundo, criado por ambos, não há casas, nem carros, nem passeios, nem pessoas... apenas janelas! Uma sala enorme, duas cadeiras frente a frente, pouca luz artificial, já que pelas janelas entra a luz suficiente para os guiar. Não lhes importa quem são, apenas o que sentem. Não lhes importa o passado nem o futuro, apenas o presente. Nem sequer lhes importa como se sentem, apenas o facto de se sentirem.
No mundo paralelo de que vos falo não há tempo, nem constrangimentos, nem vergonha, nem limites, nem meias palavras ou meias frases, nem silêncios, nem vozes circundantes, nem ruído... apenas música que acompanha a veracidade destes seres que são aquilo que, na verdade, são. E livres de o serem. Fazem ligações directas entre pensamento e a palavra dita ou escrita. Não pensam interiormente. Ambos o fazem automatica e espontaneamente... entregam-se porque se querem. E querem-se porque a cada minuto, que não existe, se entregam mais...
Este mundo paralelo que foi criado, e que quase ninguém sabe que existe, é feito de histórias passadas, só aquelas que merecem ser contadas; de sorrisos; de tristezas que duram segundos que não são contados; de partilha de sentimentos novos e desconhecidos, porém, intensos; de carícias e mimos; de confissões profundas e sentidas; de surpresas; de descontracções físicas e mentais...
É um mundo pequeno. Novo. Pode até ser um mundo insignificante e comum... Não é isso que realmente interessa. É deles e só deles.
E se mais nada possuirem daqui para a frente, num futuro sobre o qual nunca falam, pelo menos terão a certeza de que, ali, naquelas horas que existiram sem minutos ou segundos, foram felizes...

segunda-feira, junho 18, 2007

Uma breve reflexão sobre: Os Agricultores… porque eles alimentam/ comem o mundo…


Hoje acordei para criticar tudo e todos…Será que me estou a transformar no Saramago??
Enquanto estava perdido a ver as notícias, a minha atenção foi chamada a intervir…fixei o ecrã, num daqueles minutos raros em que não se fala do Pinto da Costa, da OPA do Benfica, ou da Madeleine ( que é o único assunto que na minha opinião ainda merece um pouco de antena…embora esteja a tornar-se exageradamente mediático)…retomando, num desses momentos em que se discute alguma coisa nova falaram de Agricultura.

Pois bem, começando com as questões…
Lembram-se de existir algum ano próspero para a agricultura em Portugal??
Já ouviram algum agricultor a dizer que a produção foi muito acima das suas expectativas?
Algum agricultor doou parte dos seus excedentes a alguém que não eles próprios e as suas famílias?
Muda o ano, não muda a cassete. Todos,e quando digo todos são mesmo todos,os anos os agricultores de Portugal têm alguma queixa:

- Choveu muito;
- Choveu pouco;
- O Verão chegou muito cedo;
- O Verão chegou muito tarde;
- Foram atacados por pestes;
- As sementes não pegaram;
- etc., etc.…

Existe alguém mais infeliz e insatisfeito que um agricultor? Conhecem alguém com mais argumentos que um agricultor?? Conhecem alguém mais *****( a palavra que antecede este aviso não pode ser pronunciada por mim…temos pena).
Se chove... querem indemnizações por causa das inundações… se não chove querem que o estado os indemnize pela seca…se arde o estado tem que reconstruir as casas ( sim, porque foi o estado que não limpou a mata…em frente da casa do agricultor!)…Eu acho que se tiverem produção a mais vão pedir uma indemnização por não terem a quem vender tanto produto!
Resumindo, o estado ( através dos nossos impostos) paga por tudo e por nada indemnizações aos agricultores…e depois o estado é mau…eu continuo a defender que o estado é “burro”…porque isto de dar indemnizações e não ver nada em troca é…um bocado mau…

Agora vou pensar no que vou criticar mais tarde.

Uma breve reflexão sobre Os média…porque eles governam o mundo.

Há muito, muito tempo eu considerava que para se ser jornalista era preciso ser-se uma pessoa bastante culta…interessada um pouco por todos os temas, com vontade para aprender…para descobrir… Passando um dito um tanto ou quanto modificado por mim ( porque eu quero, se alguém se importa que me processe), mudam-se os tempos mudam-se os requisitos e as funções.
Passo a explicar, sucintamente (ou não), a minha modesta opinião ( admito que é modesta…só estou a escrever isto porque não me lembrei de nada mais poético).
Quando a principal função dos jornalista era informar ainda assistíamos a demonstrações de grande erudição…agora, como querem governar o mundo começaram a adoptar as características dos seus principais oponentes…os políticos, ou seja, ( atenção agora é importante…façam a “cena” do rufar dos tambores) ficaram ignorantes.

Passo a exemplificar…porque não há nada como ver (ler) para crer:

- O acidente fez um total de um morto e três desaparecidos. Teme-se que não haja vitimas. ( Acabaram de fazer outra vítima…eu estou em choque)

-Os nossos leitores nos desculparão por este erro indesculpável. ( Eu quanto a vocês não sei…mas eu não desculpo…Recuso-me!)

- Quatro hectares de trigo foram queimados. Em principio trata-se de um incêndio. ( Não terá sido inundação??)

- Os sete artistas compõem um trio de talento. ( Eu nem encontro comentário possível…)

- A vitima foi estrangulada a golpes de “facão”. ( Ao menos admitem que é Vítima!)

- Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça. ( Eu acho que ele perdeu a cabeça quando leu este comentário).


E muitas mais poderia colocar aqui…Nem vou transcrever as “calinadas” dos políticos…porque amanhã trabalho e teria que ter um blog extra…ponho só a mais, digamos, estranha ( estou a ser simpático)

- Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para satisfação dos habitantes.

Ainda dizem que o poder político não influencia a nossa sociedade, que as pessoas não admiram os políticos…eu diria que admiram…ou pelo menos gostam de os imitar.
Se eu começar a ficar com perfil de político…por favor…digam-me.

Selene...

Espero que não te importes…estava a ficar farto do tom claro do nosso blog…

Para ti camarada iluminada

Ela bem dizia que saía Pessoa…”Memorial do Convento…aquele pseudo romance, cínico, contra tudo e contra todos??Não…Vai sair Pessoa…” Disseste ou não disseste senhora futura polícia?
Pois bem, em homenagem aos jovens que hoje fizeram o exame Nacional de Português…e principalmente em tua homenagem…o poema que te fez gastar a tua caneta da sorte :

Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo.
São – tictac vísivel – quatro horas de tardar o dia.
Abro a janela directamente, no desespero da insónia.
E, de repente, humano,
O quadrado com cruz de uma janela iluminada!
Fraternidade na noite!

Fraternidade involuntária, incógnita, na noite!
Estamos ambos despertos e a humanidade é alheia.
Dorme. Nós temos luz.

Quem serás? Doente, moedeiro falso, insone simples como eu?
Não importa. A noite eterna, informe, infinita,
Só tem, neste lugar, a humanidade das nossas duas janelas,
O coração latente das nossas duas luzes,
Neste momento e lugar, ignorando-nos, somos toda a vida.

Sobre o parapeito da janela da traseira da casa,
Sentindo húmida da noite a madeira onde agarro,
Debruço-me para o infinito e, um pouco, para mim.

Nem galos gritando ainda no silêncio definitivo!
Que fazes, camarada, da janela com luz?

Sonho, falta de sono, vida?
Tom amarelo cheio da tua janela incógnita…
Tem graça: não tens luz eléctrica.
Ó candeeiros de petróleo da minha infância perdida!




Álvaro de Campos

Assim de repente ocorrem-me algumas coisas que pudessem ser ditas…mas o que tu disseste…é teu e só teu…segredo de justiça.

domingo, junho 17, 2007

O teste =)

You Will Be a Cool Parent

You seem to naturally know a lot about parenting, and you know what kids need.
You can tell when it's time to let kids off the hook, and when it's time to lay down the law.
While your parenting is modern and hip, it's not over the top.
You know that there's nothing cool about a parent who acts like a teenager... or a drill sergeant!

sábado, junho 16, 2007

Saber

Quando te conheci, ou começava a conhecer ( pois o acto de conhecer é infinito), desejava saber tudo acerca de ti…inconscientemente, mas era o meu desejo.

Lembro-me das perguntas parvas que fiz, das perguntar impertinentes, “saídas da casca” como tu costumavas dizer…lembro-me de uma…ora relembra:
“ – Ama-lo?
- Ah? – Perguntaste tu como se não esperasses a pergunta.
- Amas o teu namorado?
- Não me podes perguntar isso! – Disseste “chocada”.
- Tanto posso que perguntei…se não responderes eu deduzo pelo silêncio.”
Respondeste…e sinceramente nunca nenhuma resposta me fez sentir tão bem e tão mal ao mesmo tempo. O remorso e a esperança aliados numa batalha que apenas tinha começado…Foi o principio não concordas?

Em todas as relações, principalmente no inicio, existe a vontade de saber “ Quantas pessoas te amaram? Quantas amaste?”, é instintivo…saber para proteger...proteger mais a nós mesmo que à cara-metade.
Depois de muitas perguntas lá vamos ouvindo a famosa “ Mas o que é que isso importa??O que passou, passou, estou aqui não estou?”…E, friamente, é verdade.
Nesse momento começamo-nos a focar em planear o futuro. Antes de se largar o passado o futuro não pode ser construído, todos trazemos “bagagem”, uma mais pesada que outra, mas toda pode ser arrumada.

Algumas respostas fui descobrindo enquanto traçava o futuro, a cada pergunta respondida surgem mil por responder porque…sejamos sinceros, o amor é interessante, estimula todos os sentidos, naquele momento todos somos poetas, polícias, médicos e filósofos…sabemos o que dizer, quando dizer, sabemos o que investigar e como o fazer, sabemos satisfazer e provocar a dor, elaboramos teorias e vivemo-las…naquele momento todos sabemos o que fazer, porque é inato…tudo na vida nos prepara para aquele momento…aquele momento prepara-nos para a vida.

Por isso, meu amor…e como já dizia Virgílio Ferreira:
“Que importa que já o saibas? Só se sabe o que já nos não surpreende.”Prefiro não saber tudo sobre ti…quero ter sempre novas perguntas…novas respostas…mas sobretudo interesse em descobrir. Porque tu surpreendes-me e surpreenderás até ao fim dos meus dias…porque ainda tenho muito para te dar e descobrir…é uma promessa.





( Pareço um rapazito obcecado…eu sei…mas, não sei explicar, é mais forte que eu falar de ti…porque, epah…és, digamos…hum…ah…tudo para mim :D)

quarta-feira, junho 13, 2007

Uma breve reflexão sobre :



Pois bem…em Portugal parece que tudo acontece por acaso..até as grandes coisas…

O texto que se segue é baseado em factos verídicos, facilmente comprovados ( ou não), extraídos de uma longa pesquisa ( porque vinte minutos pode ser muito tempo)…Não tentem isto em casa.

O Vinte Cinco de Abril…uma teoria fechada a discussões ( AZAR!) Versão para totós ( sem ofensa aos possíveis leitores)Era uma vez um senhor muito mau que decidiu que este país à beira mar plantado haveria de ficar para todo o sempre ligado à agricultura, à igreja e à tradicional família ( pai, mãe e montes de filhos…ainda bem que ele não sabe que agora vai passar a ser pai, pai, um filho…vice versa)…para isso criou uma policia muito má…muito má…
Ok…vocês sabem a história, desenvolvendo…
Certo dia…uns senhores que por acaso estudaram e que, só por acaso, eram militares, receberam a triste notícia de que outros senhores, que por acaso não estudaram, não sabiam usar talheres e para eles a pistola ainda tinha uma “espada” à frente, iam receber cursos intensivos para receberem o estatuto de oficial miliciano…os primeiros são ( quem advinha?)Os famosos…os únicos…capitães..futuros capitães de Abril…os segundos são ( não que interesse para a história) os grunhos dos milicianos das colónias ( que ainda hoje conseguem entrar facilmente em qualquer coisa em Portugal..porque será?)…Prosseguindo…como é lógico os capitães acharam que os milicianos iriam substitui-los..porque não tinham poder reivindicativo, trabalhavam e não falavam, não precisavam de andar tão equipados…vestiam-se tipo à índio e matavam os inimigos à dentada, etc.…etc ( lembra-vos alguém??).…juntaram-se no chamado Movimento dos Capitães ( muito original se me é permitido opinar…se não é AZAR) contra a integração dos milicianos na carreira militar.
Tiveram tanto sucesso…mas tanto sucesso que pensaram “ Epah nós somos mesmos bons! Bora libertar o povo da tirania do Estado Novo? Pelo caminho até podemos resolver a questão do Ultramar…é que está a dar é o futebol e o pessoal não quer ficar sem pernas na guerra!” ( pronto…esta alegoria pode ofender algumas pessoas…não é a intenção).
Por acaso…andavam pela cidade uns oportunistas…tipo Spínolas e Costas Gomes que decidiram negar o apoio ao Governo…estavam de mau humor naquele dia…o governo não gosta de ser gozado e exonerou-os…ou, mais comummente falando, mandou-os procurar um trabalho novo…
Esses oportunistas ( para não dizer pior) pensaram, “ Não temos nada para fazer…daqui a uns dias o dinheiro que fomos desviando da messe para o bolso acaba…depois o que fazemos?? É melhor irmos comandar aquele movimento reles dos capitães…deixa de se chamar movimento dos capitães e passa a ser das Forças Armadas…é mais sonante e tudo…”
Lá foram a correr ter com os capitães…que tão generosos ( ou não) que são deixaram-nos mandar.
Passados uns tempos saíram à rua…os capitães ( porque à hora que foi os comandantes ainda estavam a dormir…não se deve acordar os comandantes!)…cercaram aquilo tudo…e,quando iam prender o Sr. Marcello Caetano este disse…” Oh Capitão! Tira lá as mãozinhas daqui…eu mereço um oficial superior!” ( sim porque quem tinha o poder de decisão era ele…os capitães nem estavam armados…ok tinham cravos nas armas…à América latina, se me permitem ou não). Foram chamar o Sr. Oficial Superior…Exmo.General Spinola que, apesar de não ter feito nada…ficou com o poder…e passou a acordar ainda mais tarde.

Moral da história:
- Se forem os capitães da vida não deixem que os generais se metam nos vossos projectos pessoais…podem ficar a ser comandados no vosso próprio plano…
- Melhor ainda…Em Portugal…se não fores chefe…arranja maneira de seres, ou então…é melhor não pensares em mudar o mundo.

Ps: Viva o Maia! ( agora a sério…era o único inteligente)

domingo, junho 10, 2007

Ain't No Sunshine - Bill Withers

“Ain't no sunshine when she's gone
It's not warm when she's away
Ain't no sunshine when she's gone
She's gone much too long
Any time she goes away”



Por alguma razão esta música é interpretada por vários cantores, grupos…Na minha opinião é uma das músicas que melhor descreve a sensação de estar apaixonado…
No outro dia, numa festa, passaram esta música no karaoke…não a ouvia há muito tempo, mas sempre que a oiço desperta em mim aquela sensação de necessidade extrema de olhar para aquela pessoa…a “tal” que nos faz brilhar os olhos…entre desatinos, tentativas desesperadas para interpretar a música, risadas e gritos, tentei captar aquela sensação…tentei analisá-la, perceber a pessoa que a escreveu…que para mim é um génio, porque conseguiu descrever em música o que eu nunca conseguiria por palavras…escusado será dizer que me foi impossível descodificar os sentimentos da pessoa que a escreveu ( os gritos desafinados de certas pessoas também devem ter ajudado ao fracasso)...independentemente do autor sentir tudo ou nada do que transpôs para a música…continua e continuará a ser uma das minhas músicas de eleição.

“Ain't no sunshine when she's gone
It's not warm when she's away
Ain't no sunshine when she's gone
She's gone much too long
Any time she goes away

Ain't no sunshine when she's gone
Wonder if she's gone to stay
Ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't no home
Anytime she goes away


I know
She's gone to stay
It's breakin' me up
Anytime she goes away
Gotta leave the young thing alone
There ain't no sunshine when she's gone


Ain't no sunshine when she's gone
It's not warm when she's away
Ain't no sunshine when she's gone
And she's gone much too long
Any time she goes away


Ain't no sunshine when she's gone
I wonder if she's gone to stay
There ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't a home
Any time she goes away


I know
She's gone to stay
It's breaking me up
Any time she goes away
Gotta leave the young thing alone
There ain't no sunshine when she's gone


Ain't no sunshine when she's gone
I wonder if she's gone to stay
Ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't no home
Any time she goes away
Any time she goes away”

sexta-feira, junho 08, 2007

Porquê?

_ Porque é que é de noite?



_ Porque é a vez das estrelas entrarem pela tua janela...



_ Porquê?



_ Porque o sol cansou-se e é a altura certa para a lua brilhar...



_ Porquê?



_ Porque é a lua que tem o poder de adormecer as pessoas e os animais...



_ Porquê?



_ Porque a sua luz tem muita força e obriga-nos a fechar os olhos...



_ Porquê?



_ Porque os nossos olhos estiveram abertos o dia todo, atentos a tudo e todos e agora querem dormir...



_ Porquê?



_ Porque amanhã é outro dia e, se os olhos não estiverem despertos, há muita coisa que não vão ver...



_ Porquê?



_ Porque todos os dias aparece algo novo...



_ Porquê?



_ Porque todos os dias são diferentes...



_ Porquê?



_ Porque sim...



_ Isso não é resposta...



_ E isso não serão “porquês” a mais?



_ Porquê?



_ Hora de dormir. Amanhã explico-te o porquê de ser dia...

quarta-feira, junho 06, 2007

E uma música...

Simples, para ti...

http://www.youtube.com/watch?v=USFr5VeLQ2o

O meu cão e eu!


Sempre gostei de ler biografias e livros de histórias reais. As fantasias e contos imaginários estão na minha cabeça e já os considero demasiados. Não sei porquê mas tenho curiosidade em saber como foi ou é a vida das pessoas, viajando pelo livro, como foram ou são experiências vividas e gosto de bisbilhotar (não me parece muito bonito) pormenores na esperança de encontrar esta ou aquela semelhança, este ou aquele ponto em comum com a minha própria vida!

Acabei agora de ler um livro desses e decidi escrever sobre o assunto. Marley e Eu é o título. Faço questão de um dia o oferecer a alguém.
Houve uma altura em que pensei que era impossível chorar ao ler um livro. Ao ouvir uma determinada música, ao ver um filme, tudo bem, mas a ler um livro?? Mas de facto, há livros que possuem uma vertente cinematográfica muito grande, que ilustram na perfeição personagens e acontecimentos e nos levam para dentro dele. Ultimamente acontece-me chorar ao ler algumas histórias. Penso que acontece por duas razões: primeiro porque são narradas situações que sei que aconteceram e logo o sofrimento, a alegria, o entusiasmo, a dor existiram num tempo e espaço realmente vivido. Segundo porque são bem escritas e as palavras são claras e combinam na perfeição com os meus ideias de vida. Confuso??
Este livro alia dois factores importantes: uma família, normalíssima não fosse a entrada, sui generis, de um... cão. Não é um cão qualquer. É um cão fotocópia do meu. Aquele que vive feliz da vida na casa dos meus pais. Vi-o nascer e acompanhei cada fase do seu crescimento. A cada instante descobria-lhe uma “pancada” nova. Definitivamente fui constantemente enganada por ele. Gritava-lhe, ele lambia-me. Batia-lhe com o jornal, ele gania. Ignorava-o, ele saltava-me para o colo sabendo que era mesmo impossível não o sentir. Tal como o Marley, o meu cão tem uma personalidade forte, é inteligente e meigo e só aprende o que lhe convém... mais importante: quando lhe convém!!
A cada capítulo do livro revi-me no desespero do dono mas igualmente na capacidade de amar um animal sem regras, doido varrido, bem como na entrega a uma amizade incondicional, a uma protecção simultânea e à dor dos castigos (des)necessários.

Tanto ele como eu adorávamos a barragem perto de casa. Ao fim de semana, enfiava-o, literalmente, no carro e íamos para lá, os dois... durante a viagem fazia-me a limpeza aos ouvidos, gania e ladrava a todas as alminhas que passavam por nós. Nem os biscoitos que comprei, para o manter mais ou menos quieto, funcionavam. Devorava-os e estava pronto para a brincadeira num instante...
Quando chegávamos, prendia-o e era arrastada para um lado qualquer. Lindo de se ver. Com frequência ouvia comentários destes: “Mas, afinal, quem passeia quem???”. Sorria e dizia sempre que o meu cão era doido e não tinha emenda.
Fugiamos sempre das multidões. Tinha um cão muito dado a contactos físicos, portanto, era bem mais seguro irmos para um lado da barragem mais isolado e calmo. Aí soltava-o e deixava-o snifar incessantemente flores, ervas, árvores, pedras e tudo o que mais houvesse por ali... Normalmente nunca saía de perto de mim. Eu ficava sentada perto da água a observar os seus movimentos. Nesse dia, não sei se por distracção minha ou por excesso de olfacto dele, fugiu... Rapidamente encetei numa corrida, tresloucada, chamando o seu nome vezes sem conta... nem vê-lo...
Passados longos, pelo menos a mim pareceram-me ser, minutos e já perto de um local próprio para piqueniques e afins, vejo o meu cão a correr velozmente na minha direcção. “Ahhh, estás aí. Olha o que eu encontrei!!??” parecia dizer... na sua boca, nada mais nada menos, do que um naco de carne, enorme, crú... incrédula, vejo um senhor atrás dele praguejando coisas menos bonitas a seu respeito. Por segundos desejei que o meu cão passasse por mim e não me conhecesse.
Ele sabia o que eu estava a pensar e, por isso mesmo, fez exactamente o contrário. Parou, deixou cair a carne, saltou-me para cima, lambeu-me a cara, pegou novamente na carne, sentou-se aos meus pés e começou a comer o produto do seu roubo. Não tinha como fugir. O cão era meu!!
Desculpei-me da melhor forma que consegui, sugeri até ir comprar carne mas o senhor, vermelho de raiva, só dizia que tinha toda a gente à espera das febras. Nada feito. Metade das febras já tinham ido à vida...

Este livro, teve este efeito em mim: não me senti tão sozinha na angústia de querer educar um cão e não conseguir. Era mais forte do que ele. E sempre acreditei que há instintos que não podem e, talvez até, não devam ser aniquilados. O meu cão é mal educado, maluco, irrequieto, enérgico, bruto e desobediente. Mas se ele não fosse assim, eu também não teria história nenhuma para contar... e as nossas vidas são tão mais ricas e felizes se tivermos alguma coisa a dizer...

quarta-feira, maio 30, 2007

Sicilia Patria Mia!


Seguindo o exemplo da minha camarada de caneta, Selene, decidi descrever a ilha onde nasci.

Para quem não sabe, nasci na Sicília, uma região autónoma de Itália.
Desde pequenino que percebi que, independentemente do que crescesse ou do que fosse, iria ser sempre o “ menino”, o filho do senhorzinho e neto do senhor…” Menino o senhorzinho e o senhor já estão à espera para jantar” ( quem apanhar a conversa a meio não percebe a quem é que se estão a referir.
As tradições são tão poderosas na minha ilha que estender a mão a um familiar mais velho é quase tão ofensivo como esbofeteá-lo…pelo menos na minha zona, Siracusa…Os dois beijos na face continuam a prevalecer, ou então o beijo da mão ( não, não é só nos filmes), depende tudo da influência da pessoa, a sua idade e sexo.
Por exemplo a um senhor de mais idade deve-se inclinar ligeiramente a cabeça em sinal de respeito. A uma senhora devemos beijar a mão, assim como a um familiar mais velho e mais influente. Aos muitos primos, irmãos ou indivíduos mais próximos, os dois beijos na face são o indicado…mas vai depender muito de cada um e, como é lógico, as tradições têm-se esmorecido, e as gerações mais novas já não são tão cordiais.
Na zona em que nasci todos se conhecem uns aos outros, nem todos se dão bem…as rivalidades entre famílias são tão intensas que nos são incutidas logo à nascença, derivam já de guerras passadas, lares passados e não é muito complicado imaginar essas disputas a terminarem em banho de sangue ou lágrimas. Essa é uma das coisas que menos gosto na minha terra natal, as distinções que se fazem…questioná-las quase que conduz à expulsão da família.
Os jovens ficam a viver com os pais quase sempre até ao dia do casamento, por essa mesma razão as regras para utilizações secundárias dos carros são diferentes das dos nossos países. Não é raro encontrar um homem de trinta anos a viver em casa dos pais…se não casou dificilmente sai de casa. Existem apenas duas excepções…os universitários e os das forças armadas ( e mesmo assim dentro da excepção existem excepções).
A minha ilha tem influências de vários povos, por isso temos um dialecto só nosso. Os conterrâneos do continente continuam a ter alguma dificuldade em nos perceberem ( o contrário não se aplica).
Crescemos em contacto com a água…Não existe um único Siciliano que não saiba nadar, mesmo os mais citadinos…pelo menos eu nunca ouvi falar de tal espécime.
Aprendemos desde novos a respeitar o Etna e, ao mesmo tempo, a admirá-lo pela sua beleza e “ simpatia”…pois a sua lava nunca atinge populações e fertiliza os campos em redor.
A coisa melhor na minha terra é a abundância de histórias…muitas exageradas, como a da Máfia…mas mesmo assim interessantes o suficiente para as querer ouvir várias vezes, ouvindo o som do mar ou desfrutando do calor da lareira.


...amuri e fantasìa,
Sicilia, Sicilia, Tu si' la Patria mia...!

terça-feira, maio 29, 2007

A minha cidade...

Era uma cidade pequenina mas especial. Penso até que o nascimento desta terra não esteve nunca devidamente previsto porque foi construída num local onde quase nada poderia existir...Não há árvores, nem pássaros, nem jardins, nem parques, nem fontes... apenas casas aleatoriamente empoleiradas no mar!!
Nesta ilha onde me encontro tudo tem a mesma cor: amarelo, amarelado, torrado, da cor do pó que o vento Suão traz aos braços. O mar que banha esta ilha é turbulento, inquieto e impaciente. Nunca o vi calmo. Os barcos estão sempre em movimento e provavelmente os seus cascos já foram reforçados mais vezes do que aquelas que os pescadores desejariam...
Quase todas as tardes vou até ao paredão do porto da minha ilha. O mar é a minha companhia predilecta e sinto que me chama ao fim de cada dia de trabalho. Faço-lhe companhia livremente. Sento-me, dobro as pernas e encosto-me às rochas...à minha frente, um mar de infinitas fantasias e desejos!!
Numa dessas tardes observo dois grandes peixes a dirigirem-se para o paredão onde me encontrava. Automaticamente pensei em golfinhos e levantei-me nem segundo de tempo. Vi-os a chegar. Roçaram-se nas rochas velhas e gastas e partiram. Mais uma vez e o mesmo ritual... Mais tarde disseram-me, com a maior naturalidade do mundo, que os tubarões coçavam-se no paredão da minha ilha... de longe a longe apareciam!! No fundo, descobri que tanto eles como eu eramos fiéis dependentes daquele bloco de pedras: eles coçavam-se, eu encostava-me!!
Para além do horizonte marítimo também me distraiam os barcos que atracavam no porto da minha ilha. Pousava os olhos em qualquer pessoa que entrava ou saía deles e tentava adivinhar-lhes a razão da visita: trabalho, férias, visita familiar, trabalho, perdido... Dei por mim a querer escapar-me por entre alguns deles. Gostaria de ser aquela senhora de branco, ou aquela criança que vai de mão dada com o pai, ou aquela menina que vai sorridente... sentia que a cada barco que partia, uma parte de mim estava numa mala qualquer!!
Mas todos os barcos partiam e eu nunca saí do meu lugar. A solidão era atroz e o silêncio de tal forma avassalador que, em alguns momentos, gritei e cantei com a intenção precisa de saber se ainda tinha voz... Quando o sol começava a desaparecer, despedia-me dele e regressava a casa. Nunca saí do paredão da minha ilha sem antes ter a absoluta certeza de que o sol daria mesmo o seu lugar à lua. Era a vez dela. Merecia-o.
Pelo caminho encontrava sempre as mesmas pessoas, no exacto lugar onde estavam no dia anterior, a fazer mecanicamente o que faziam desde que se conheciam. Delas destacou-se sempre o Sr. Baldé. Pescador. Nunca lhe soube a idade porque nem ele próprio sabia. Uma vez contou-me o seu maior desejo:
“Bô tá bê aquele barco ali abandonado? Quando 'tiver pa morrê mi querer qui bô botâ ali. Querê morrê sem vê à terra, só água em todo o lado! Dixâ-m’ quétu!”.

Baldé tinha na cara, nas mãos e nos braços o peso e a crueldade do mar, do sal e do sol. Desconfio até que era feliz. Era o seu mundo, sabia-o de cor e conhecia-o como ninguém... quantos de nós temos um mundo com tudo e não nos sentimos presença nele??!!
A estrada era poeirenta. Era engraçado ver as casas apenas pintadas na fachada. Para a fotografia. Atrás e de lado eram amarelas e cinzentas. A tinta era fornecida pela Câmara e como tal tinha de chegar para todos... os menos influentes pintavam uma porta ou uma janela... cidade estranha a minha!!!
Na beira da minha casa estava sempre o Aitô. Pequenino, sujo e rasgado. Esboçava um sorriso e timidamente me perguntava se íamos à água. “Sim, Aitô, vamos! Vou buscar os garrafões.” Pelo caminho nem uma palavra. Houve alturas em que pensei que ele me via como um ser de outro planeta, de hábitos estranhos. O pior deles era fumar. Ficava atónito quando me observava a fumar da janela. Com vergonha, muitas vezes, escondia-me dele... tinha um olhar que me fragilizava. Perguntou-me uma vez, num daqueles dias estanhos em que lhe apetecia conversar:
- Bô tê crianças?
- Não, ainda não.
- Bô tê quanto ano?
- 25, porquê? Estou velhota é isso?
- Sim.
As meninas eram mães cedo. Tão cedo que eram crianças a criar crianças. Deixavam de brincar e de ir à escola para cuidarem de um filho que, muitas delas, não queriam. Os homens excluíam-se dessas tarefas. Faziam e existiam como se não fosse problema deles.
No Natal chamei o Aitô e ofereci-lhe um helicóptero. Eu própria o embrulhei cuidadosamente. E fiz questão de colocar um laço. Pegou no embrulho, olhou-me nos olhos para se certificar que era verdade, era mesmo para ele, sentou-se no chão e, lentamente, começou a abrir o presente. Fiquei em cócoras a estudar as reacções.Quando o papel deixou de tapar o helicóptero, pegou nele e analisou meticulosamente cada pormenor. Esqueceu-se de mim. Fotografou clinicamente cada peça. Levantou-se num ápice. Beijou-me timidamente e correu com o braço levantado a segurar o helicóptero, deixando atrás de si um rasto de poeira misturada com felicidade... Os meus vizinhos não devem ter gostado desta oferta porque, desde aí, sem hora certa para voar, ouvia-se na rua “BRUUUBRRRRR BBRRUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUBRUUUMMMMMMMMMMMMM” e o Aitô descalço desaparecia por entre as casas...
Finalmente, à noite, quando o meu corpo não aguentava o cansaço, abria as janelas do quarto e deitava-me... Adormeci algumas vezes a chorar. Mas adormeci sempre embalada pelo som das ondas, do vento e do mar. E hoje, à luz da distância, tenho saudades... da tranquilidade, do tempo para tudo, do estar só comigo mesma...
Um dia volto à minha ilha. Talvez hoje a minha cidade esteja mais crescida e madura. Espero que não. O seu encanto residia naquela ingenuidade de ver o mundo passar ao lado e nem ligar. Provavelmente o Sr. Baldé já só vê a água e talvez o Aitô não se lembre de mim... mas ainda gostaria de lhes provar que já não sou o “sorriso triste”... como muitas vezes me chamaram...


Ôi Cábu Vêrdi,Bô qu’ ê nhâ dôr más sublími
Ôi Cábu Vêrdi,Bô qu’ ê nhâ angústia,
nhâ paxõNhâ vída nâceDí disafíu dí bú clíma ingrátu
Vontádi férru ê bô nâ nhâ pêtu
Gôstu pâ lúta ê bô nâ nhâs bráçuBô qu’ ê nhâ guérra,
Nhâ dôci amôr
Stênde bús bráçu,
Bú tomâ-m’ nhâ sángui,
Bú rêga bú tchõ,Bú flúri!
Pâ térra lôngi
Bêm cába pâ nôs
Bô cú már, cêu í bús fídju
N’ úm dôci abráçu dí páz

segunda-feira, maio 21, 2007

É tudo uma questão de níveis…




Nível um

- O Primeiro sorriso
- O primeiro beijo
- O som do primeiro “adoro-te”

Nível dois
- O primeiro e intimidador “amo-te!”
- A entrega das chaves para a casa e para o coração
- O primeiro anel
- O primeiro grande jantar de família

Nível três

.- O primeiro mal entendido
- A primeira noite no sofá ( Ahhhhhh)
- As merecidas tréguas

Nível quatro

- O casamento
- As férias de sonho
- Os pais a pedirem netos
- O primeiro filho
- O segundo
- O terceiro ( ????)

Nível cinco

- Os filhos no auge
- Os netinhos a chegar
- O merecido descanso
- Um “ Amo-te”permanente…até ao fim


Até que nível vamos nós? =D Dizes-me amanhã?

(Kaching!!!… my dear! Luv u =P)

quarta-feira, maio 16, 2007

É um rapaz…


Finalmente o excelentíssimo D. Afonso permitiu que o pai e a mãe pudessem vislumbrá-lo correctamente!
Pesa já duas mil e sessenta e sete gramas, tem cento e vinte batimentos cardíacos por minuto e encontra-se na posição ideal…tudo a caminhar bem para o dia vinte e sete de Julho…ou nas proximidades do mesmo…Qualquer que seja o dia…vai ser muito especial para nós.
Para ser sincero, era o rapaz que queríamos…claro que não se dizia a ninguém, nem um ao outro… “ Que venha com saúde…que seja boa pessoa!”…mas no fundo, sonhávamos com as roupinhas azuis e os carrinhos espalhados pela casa.

As tecnologias actuais dão aos pais um contacto com o bebé que há uns anos seria impossível de imaginar…eu garanto que vi as feições da mãe na carinha pequenina do meu filhote…mas ela diz que é parecido comigo…só no dia é que se verá.

Agora a questão em que os pais entram em acordo…Vai ser lindo!

sábado, maio 12, 2007

Os meus pais...

Esta é a primeira vez que escrevo um texto deste género. Uma homenagem??
Nunca antes os meus textos tiveram apenas um destinatário... os meus pais!! No entanto, agora, partilho-o convosco...

Amo-os da mesma forma. Com a mesma intensidade, admiração e respeito... mas o meu pai marcou-me, e marca-me, de uma forma especial. É o meu exemplo máximo. Representa aquilo que eu quero ser quando for grande.
Quando olhamos para o meu pai vemos um homem sério, a barba branca, meticulosamente aparada, confere-lhe aquele ar autoritário que nunca perdeu... os olhos são pequenos, castanhos, mas expressivos. Sabia perfeitamente interpretar os seus olhares e todas as mensagens que passavam sem proferir uma única palavra: “estás definitivamente de castigo” (mais vezes do que desejei), “horas de deitar”, “já estudou?”, “esta miúda dá-me cabo dos nervos”... e lembro-me com bastante frequência da frase dita por ele infinitamente: “Devia dar-te os parabéns?! Não. Os resultados são teus, para o teu bem. Fico feliz.” Muitas vezes o achei injusto e mau porque sobre as minhas falhas e os meus erros conversávamos sempre... sobre os meus sucessos nem por isso!!
A minha mãe é muito bonita e fica toda contente quando vamos a alguma loja e, enquanto ela experimenta uma roupa lhe perguntam: “ Quer que vá chamar a sua irmã para dar a sua opinião?”; “É minha filha e sim, pode chamá-la se faz favor.” É vaidosa, herdei isso dela, e diz que nunca tem nada para vestir apesar de ter um casaco para cada dia do mês, se assim o entendesse.
É uma verdadeira dona de casa, uma excelente cozinheira (nunca hei-de saber fazer um arroz como o dela) e, apesar de não ser muito dada a expressar os seus sentimentos, era a primeira a sair do trabalho a correr quando nos acontecia alguma coisa. Nunca me contou histórias, como o pai, mas ensinou-me a ser mulher.

Quando era ainda pequenina tinha medo de ficar sozinha no quarto. A minha irmã, mais valente, ficava sempre na sua cama em dias calmos ou de tempestade. Eu não. Nos dias de trovoada (ainda hoje fico nervosa), nas noites dos pesadelos, nas insónias, lá ía eu, de almofada em punho para a cama dos meus pais. O meu pai abraçava-me, contava-me uma história ao ouvido, adormecia e no dia seguinte acordava sempre na minha cama...
Enquanto adolescente dei-lhe algumas dores de cabeça. Nada de grave, sei-o hoje. Coisas de miúda que, sendo a mais nova, se queria impôr, redefinir e questionar regras antigas, galgar terreno nunca antes conquistado. Como me custou caro esta atitude, às vezes. “Esta miúda vai ser comunista”, brincava o pai... Era boa aluna apesar de não me dedicar como ele gostaria.
(fim do 2º Período Lectivo)
- Pai, hoje tenho treino.
- E?
- Levas-me?
- Qual foi a tua nota a Matemática?
- Mas às outras disciplinas tive 4s e 5s.
- Perguntei: qual foi a tua nota a Matemática.
- 2.
- Não preciso de dizer mais nada, pois não?
- Mas...
- Já devias saber distinguir um Não. (Com aquele ar impávido e sereno. Não valia a pena tentar mais. Era irredutível)
O meu treinador elogiava-me a velocidade de passe, a força, a garra... porém, uma boa andebolista, na opinião do pai, tem de ser boa aluna a Matemática. Esta disciplina destruiu a minha carreira desportista...
Saídas à noite. Pesadelo. Cheguei a escapar-me pela varanda do meu quarto à sucapa... (esqueci-me que ele vai ler isto). As minhas colegas saíam todas, encontravam-se com os rapazes, davam uns beijitos e eu em casa a olhar para a televisão!!??
- Pai, posso sair logo à noite?
- Vai falar com a tua mãe.
- Mãe, posso sair logo à noite?
- Vai falar com o teu pai.
- Posso decidir eu então?
(Nunca resultava!!) Era o jogo do empurra. Nem a minha irmã se chegava à frente. Raios!! Eu não queria propriamente estar colada a ela. Era só para o disfarce caramba!! Mas a minha irmã não ía em cantigas. Sabia que eu não era de confiar. As duas de manhã dela eram as minhas quatro!!
Resultado: varanda. Nunca fui apanhada. E feliz ficou o meu cão “Sebastião” com as bolachinhas extra. No íntimo ele adorava e ansiava pelas noites de sábado.

Hoje, já adulta, reconheço-lhes todas estas precauções e cuidados. Creio que, quando tiver um filho não mudarei muito a educação e as regras que me foram impostas. Cresci feliz, realizada e sei que a pessoa que sou hoje é exclusivamente mérito deles. Prezo todos os valores que me foram incutidos: o respeito pela diferença, a honestidade, a responsabilidade, o poder do sonho e das palavras, o saber chorar, o significado da palavra “ajudar”, os amigos...
- Estás a mentir.
- Não estou.
- Estás.
- Não estou.
- Se disseres a verdade eu vou ficar feliz...
- Pai, menti...
Apesar de abominar a palavra “mentira”, o meu pai nunca me castigou quando, finalmente, contava a verdade. E isso ensinou-me que dá trabalho mentir. É bem mais fácil dizer a verdade de uma vez por todas...

Há uma altura das nossas vidas que os papéis, inevitavelmente, se invertem. Antigamente cuidavam de mim, vigiavam-me os passos, preocupavam-se se comia, se dormia bem, ficavam doentes se me sentia menos bem... Hoje, assumo na plenitude o papel outrora protagonizado por eles. Vejo-os e sinto-os a envelhecer. E o meu coração envia-me sinais de aviso. Agora, o tempo, pode ser quase contabilizado e não consigo passar um dia sem lhes dizer: “Adoro-vos”...

E aquela música que a mãe nos ensinou...

“Quero levar-te para longe
a um lugar
Onde nunca na vida
Pensaste chegar
Construir um abrigo
Onde estejas comigo
E o teu nome ao vento
Bem alto
Gritar!
...”

sexta-feira, maio 11, 2007

Vem comigo


Vem comigo… ensinar-te-ei o que é amar para sempre.
…aprenderás a descodificar cada suspiro, cada palavra…dita ou não dita…a ouvir o sussurro mais longínquo.
Vem comigo e até o mais profundo sonho será realizado, só peço que venhas comigo. Confias em mim?
Dá-me a tua mão, dá-me todo o teu corpo…vou ensinar-te a sentir o que não imaginas ser possível sentir…mas tens de vir comigo.
Larga tudo…tudo o que te afasta de mim…eu tudo largarei, só para fugir contigo.
Que me dizes?
Vem, não precisamos de mais nada…apenas eu de ti…tu de mim, não negues.
Que me dizes?
Vem comigo, vamos abalroar fronteiras, cortar preconceitos, estabelecer novas metas…tu e eu, nada mais.
Prometo que te ensino a respirar o oxigénio dos abraços…a viver apenas de beijos e longas conversas…Mas tens de vir comigo!
Confias em mim?
Não voltaremos…jamais. Fecharemos portas aos sujeitos passados, rasgaremos as fotografias da mesinha de cabeceira…construiremos uma nova história, só nossa. Tu proteges-me, eu protejo-te…Vem comigo.
Levar-te-ei a lugares apenas palmilhados em sonhos…descobriremos as sensações perdidas…ou por descobrir…tu e eu…que me dizes? Vens comigo?
Dá-me a mão, o corpo, o teu ser… dar-te-ei tudo o que tenho e o que terei.
Vem comigo e far-te-ei feliz…sorrirás dia e noite…eu sorrirei só por te ver sorrir.
Confia em mim e ensinar-te-ei o que é amar para sempre.

quinta-feira, maio 10, 2007

Diz-me alguma coisa…


Diz-me alguma coisa…- pediu-me ela fitando o campo infinito à sua frente.
- Que tipo de coisa?
- Qualquer coisa.
- Não sei que te dizer…Que queres ouvir?
- Diz-me o que vez quando olhas para ali. – pediu apontando para a frente, onde o velho celeiro abandonado se erguia e abrangendo de seguida toda a vastidão verde.
Levantei-me ligeiramente e apoiei-me nos cotovelos, captando a paisagem que já sabia de cor.
- Vejo relva, árvores, pássaros…hum…um tronco caído, o ribeiro lá ao longe, vejo o céu azulinho…ah, vejo o celeiro. – Olhei para ela que continuava a olhar para a frente, sorvendo algo mais, algo que a fazia sorrir, não só com os lábios mas também com os olhos…aqueles olhos verdes e brilhantes que me encantavam. – Que vês tu? – perguntei, embevecido pelo seu sorriso.
Olhou para mim e depois apontou para o terreno do celeiro.
- Ali vejo uma casa…branca, de madeira. Pequenina, só tem um piso. – apontou para as “árvores gémeas”, que se erguiam uma em frente da outra. – Ali vejo uma rede para descansar numa tarde solarenga…Não ouves as gargalhadas?
Olhei para ela e novamente para a frente.
- São os meninos…estão a nadar no ribeiro.
Sorri e deitei-me para trás colocando um braço ao longo do corpo e outro na nuca. Ela imitou-me encostando a cabeça ao meu peito.
- Já ouço…- Disse passados uns minutos. – Estava distraído.


Passou-se mais ou menos dez anos.
O celeiro foi restaurado e agora está lá uma casa…branca, muito, muito, simples. Com o tempo vou trabalhar nela…
O ribeiro está mais pequeno e parece ficar mais distante…mas ainda é perfeito para nadar…Depois dos longos banhos nas águas frias, a rede “ olha” para nós como a pedir que nos deitemos…a vontade dela é quase sempre cumprida.
Não é O paraíso…mas é um local que aspira a isso.