sábado, junho 16, 2007

Saber

Quando te conheci, ou começava a conhecer ( pois o acto de conhecer é infinito), desejava saber tudo acerca de ti…inconscientemente, mas era o meu desejo.

Lembro-me das perguntas parvas que fiz, das perguntar impertinentes, “saídas da casca” como tu costumavas dizer…lembro-me de uma…ora relembra:
“ – Ama-lo?
- Ah? – Perguntaste tu como se não esperasses a pergunta.
- Amas o teu namorado?
- Não me podes perguntar isso! – Disseste “chocada”.
- Tanto posso que perguntei…se não responderes eu deduzo pelo silêncio.”
Respondeste…e sinceramente nunca nenhuma resposta me fez sentir tão bem e tão mal ao mesmo tempo. O remorso e a esperança aliados numa batalha que apenas tinha começado…Foi o principio não concordas?

Em todas as relações, principalmente no inicio, existe a vontade de saber “ Quantas pessoas te amaram? Quantas amaste?”, é instintivo…saber para proteger...proteger mais a nós mesmo que à cara-metade.
Depois de muitas perguntas lá vamos ouvindo a famosa “ Mas o que é que isso importa??O que passou, passou, estou aqui não estou?”…E, friamente, é verdade.
Nesse momento começamo-nos a focar em planear o futuro. Antes de se largar o passado o futuro não pode ser construído, todos trazemos “bagagem”, uma mais pesada que outra, mas toda pode ser arrumada.

Algumas respostas fui descobrindo enquanto traçava o futuro, a cada pergunta respondida surgem mil por responder porque…sejamos sinceros, o amor é interessante, estimula todos os sentidos, naquele momento todos somos poetas, polícias, médicos e filósofos…sabemos o que dizer, quando dizer, sabemos o que investigar e como o fazer, sabemos satisfazer e provocar a dor, elaboramos teorias e vivemo-las…naquele momento todos sabemos o que fazer, porque é inato…tudo na vida nos prepara para aquele momento…aquele momento prepara-nos para a vida.

Por isso, meu amor…e como já dizia Virgílio Ferreira:
“Que importa que já o saibas? Só se sabe o que já nos não surpreende.”Prefiro não saber tudo sobre ti…quero ter sempre novas perguntas…novas respostas…mas sobretudo interesse em descobrir. Porque tu surpreendes-me e surpreenderás até ao fim dos meus dias…porque ainda tenho muito para te dar e descobrir…é uma promessa.





( Pareço um rapazito obcecado…eu sei…mas, não sei explicar, é mais forte que eu falar de ti…porque, epah…és, digamos…hum…ah…tudo para mim :D)

quarta-feira, junho 13, 2007

Uma breve reflexão sobre :



Pois bem…em Portugal parece que tudo acontece por acaso..até as grandes coisas…

O texto que se segue é baseado em factos verídicos, facilmente comprovados ( ou não), extraídos de uma longa pesquisa ( porque vinte minutos pode ser muito tempo)…Não tentem isto em casa.

O Vinte Cinco de Abril…uma teoria fechada a discussões ( AZAR!) Versão para totós ( sem ofensa aos possíveis leitores)Era uma vez um senhor muito mau que decidiu que este país à beira mar plantado haveria de ficar para todo o sempre ligado à agricultura, à igreja e à tradicional família ( pai, mãe e montes de filhos…ainda bem que ele não sabe que agora vai passar a ser pai, pai, um filho…vice versa)…para isso criou uma policia muito má…muito má…
Ok…vocês sabem a história, desenvolvendo…
Certo dia…uns senhores que por acaso estudaram e que, só por acaso, eram militares, receberam a triste notícia de que outros senhores, que por acaso não estudaram, não sabiam usar talheres e para eles a pistola ainda tinha uma “espada” à frente, iam receber cursos intensivos para receberem o estatuto de oficial miliciano…os primeiros são ( quem advinha?)Os famosos…os únicos…capitães..futuros capitães de Abril…os segundos são ( não que interesse para a história) os grunhos dos milicianos das colónias ( que ainda hoje conseguem entrar facilmente em qualquer coisa em Portugal..porque será?)…Prosseguindo…como é lógico os capitães acharam que os milicianos iriam substitui-los..porque não tinham poder reivindicativo, trabalhavam e não falavam, não precisavam de andar tão equipados…vestiam-se tipo à índio e matavam os inimigos à dentada, etc.…etc ( lembra-vos alguém??).…juntaram-se no chamado Movimento dos Capitães ( muito original se me é permitido opinar…se não é AZAR) contra a integração dos milicianos na carreira militar.
Tiveram tanto sucesso…mas tanto sucesso que pensaram “ Epah nós somos mesmos bons! Bora libertar o povo da tirania do Estado Novo? Pelo caminho até podemos resolver a questão do Ultramar…é que está a dar é o futebol e o pessoal não quer ficar sem pernas na guerra!” ( pronto…esta alegoria pode ofender algumas pessoas…não é a intenção).
Por acaso…andavam pela cidade uns oportunistas…tipo Spínolas e Costas Gomes que decidiram negar o apoio ao Governo…estavam de mau humor naquele dia…o governo não gosta de ser gozado e exonerou-os…ou, mais comummente falando, mandou-os procurar um trabalho novo…
Esses oportunistas ( para não dizer pior) pensaram, “ Não temos nada para fazer…daqui a uns dias o dinheiro que fomos desviando da messe para o bolso acaba…depois o que fazemos?? É melhor irmos comandar aquele movimento reles dos capitães…deixa de se chamar movimento dos capitães e passa a ser das Forças Armadas…é mais sonante e tudo…”
Lá foram a correr ter com os capitães…que tão generosos ( ou não) que são deixaram-nos mandar.
Passados uns tempos saíram à rua…os capitães ( porque à hora que foi os comandantes ainda estavam a dormir…não se deve acordar os comandantes!)…cercaram aquilo tudo…e,quando iam prender o Sr. Marcello Caetano este disse…” Oh Capitão! Tira lá as mãozinhas daqui…eu mereço um oficial superior!” ( sim porque quem tinha o poder de decisão era ele…os capitães nem estavam armados…ok tinham cravos nas armas…à América latina, se me permitem ou não). Foram chamar o Sr. Oficial Superior…Exmo.General Spinola que, apesar de não ter feito nada…ficou com o poder…e passou a acordar ainda mais tarde.

Moral da história:
- Se forem os capitães da vida não deixem que os generais se metam nos vossos projectos pessoais…podem ficar a ser comandados no vosso próprio plano…
- Melhor ainda…Em Portugal…se não fores chefe…arranja maneira de seres, ou então…é melhor não pensares em mudar o mundo.

Ps: Viva o Maia! ( agora a sério…era o único inteligente)

domingo, junho 10, 2007

Ain't No Sunshine - Bill Withers

“Ain't no sunshine when she's gone
It's not warm when she's away
Ain't no sunshine when she's gone
She's gone much too long
Any time she goes away”



Por alguma razão esta música é interpretada por vários cantores, grupos…Na minha opinião é uma das músicas que melhor descreve a sensação de estar apaixonado…
No outro dia, numa festa, passaram esta música no karaoke…não a ouvia há muito tempo, mas sempre que a oiço desperta em mim aquela sensação de necessidade extrema de olhar para aquela pessoa…a “tal” que nos faz brilhar os olhos…entre desatinos, tentativas desesperadas para interpretar a música, risadas e gritos, tentei captar aquela sensação…tentei analisá-la, perceber a pessoa que a escreveu…que para mim é um génio, porque conseguiu descrever em música o que eu nunca conseguiria por palavras…escusado será dizer que me foi impossível descodificar os sentimentos da pessoa que a escreveu ( os gritos desafinados de certas pessoas também devem ter ajudado ao fracasso)...independentemente do autor sentir tudo ou nada do que transpôs para a música…continua e continuará a ser uma das minhas músicas de eleição.

“Ain't no sunshine when she's gone
It's not warm when she's away
Ain't no sunshine when she's gone
She's gone much too long
Any time she goes away

Ain't no sunshine when she's gone
Wonder if she's gone to stay
Ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't no home
Anytime she goes away


I know
She's gone to stay
It's breakin' me up
Anytime she goes away
Gotta leave the young thing alone
There ain't no sunshine when she's gone


Ain't no sunshine when she's gone
It's not warm when she's away
Ain't no sunshine when she's gone
And she's gone much too long
Any time she goes away


Ain't no sunshine when she's gone
I wonder if she's gone to stay
There ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't a home
Any time she goes away


I know
She's gone to stay
It's breaking me up
Any time she goes away
Gotta leave the young thing alone
There ain't no sunshine when she's gone


Ain't no sunshine when she's gone
I wonder if she's gone to stay
Ain't no sunshine when she's gone
And this house just ain't no home
Any time she goes away
Any time she goes away”

sexta-feira, junho 08, 2007

Porquê?

_ Porque é que é de noite?



_ Porque é a vez das estrelas entrarem pela tua janela...



_ Porquê?



_ Porque o sol cansou-se e é a altura certa para a lua brilhar...



_ Porquê?



_ Porque é a lua que tem o poder de adormecer as pessoas e os animais...



_ Porquê?



_ Porque a sua luz tem muita força e obriga-nos a fechar os olhos...



_ Porquê?



_ Porque os nossos olhos estiveram abertos o dia todo, atentos a tudo e todos e agora querem dormir...



_ Porquê?



_ Porque amanhã é outro dia e, se os olhos não estiverem despertos, há muita coisa que não vão ver...



_ Porquê?



_ Porque todos os dias aparece algo novo...



_ Porquê?



_ Porque todos os dias são diferentes...



_ Porquê?



_ Porque sim...



_ Isso não é resposta...



_ E isso não serão “porquês” a mais?



_ Porquê?



_ Hora de dormir. Amanhã explico-te o porquê de ser dia...

quarta-feira, junho 06, 2007

E uma música...

Simples, para ti...

http://www.youtube.com/watch?v=USFr5VeLQ2o

O meu cão e eu!


Sempre gostei de ler biografias e livros de histórias reais. As fantasias e contos imaginários estão na minha cabeça e já os considero demasiados. Não sei porquê mas tenho curiosidade em saber como foi ou é a vida das pessoas, viajando pelo livro, como foram ou são experiências vividas e gosto de bisbilhotar (não me parece muito bonito) pormenores na esperança de encontrar esta ou aquela semelhança, este ou aquele ponto em comum com a minha própria vida!

Acabei agora de ler um livro desses e decidi escrever sobre o assunto. Marley e Eu é o título. Faço questão de um dia o oferecer a alguém.
Houve uma altura em que pensei que era impossível chorar ao ler um livro. Ao ouvir uma determinada música, ao ver um filme, tudo bem, mas a ler um livro?? Mas de facto, há livros que possuem uma vertente cinematográfica muito grande, que ilustram na perfeição personagens e acontecimentos e nos levam para dentro dele. Ultimamente acontece-me chorar ao ler algumas histórias. Penso que acontece por duas razões: primeiro porque são narradas situações que sei que aconteceram e logo o sofrimento, a alegria, o entusiasmo, a dor existiram num tempo e espaço realmente vivido. Segundo porque são bem escritas e as palavras são claras e combinam na perfeição com os meus ideias de vida. Confuso??
Este livro alia dois factores importantes: uma família, normalíssima não fosse a entrada, sui generis, de um... cão. Não é um cão qualquer. É um cão fotocópia do meu. Aquele que vive feliz da vida na casa dos meus pais. Vi-o nascer e acompanhei cada fase do seu crescimento. A cada instante descobria-lhe uma “pancada” nova. Definitivamente fui constantemente enganada por ele. Gritava-lhe, ele lambia-me. Batia-lhe com o jornal, ele gania. Ignorava-o, ele saltava-me para o colo sabendo que era mesmo impossível não o sentir. Tal como o Marley, o meu cão tem uma personalidade forte, é inteligente e meigo e só aprende o que lhe convém... mais importante: quando lhe convém!!
A cada capítulo do livro revi-me no desespero do dono mas igualmente na capacidade de amar um animal sem regras, doido varrido, bem como na entrega a uma amizade incondicional, a uma protecção simultânea e à dor dos castigos (des)necessários.

Tanto ele como eu adorávamos a barragem perto de casa. Ao fim de semana, enfiava-o, literalmente, no carro e íamos para lá, os dois... durante a viagem fazia-me a limpeza aos ouvidos, gania e ladrava a todas as alminhas que passavam por nós. Nem os biscoitos que comprei, para o manter mais ou menos quieto, funcionavam. Devorava-os e estava pronto para a brincadeira num instante...
Quando chegávamos, prendia-o e era arrastada para um lado qualquer. Lindo de se ver. Com frequência ouvia comentários destes: “Mas, afinal, quem passeia quem???”. Sorria e dizia sempre que o meu cão era doido e não tinha emenda.
Fugiamos sempre das multidões. Tinha um cão muito dado a contactos físicos, portanto, era bem mais seguro irmos para um lado da barragem mais isolado e calmo. Aí soltava-o e deixava-o snifar incessantemente flores, ervas, árvores, pedras e tudo o que mais houvesse por ali... Normalmente nunca saía de perto de mim. Eu ficava sentada perto da água a observar os seus movimentos. Nesse dia, não sei se por distracção minha ou por excesso de olfacto dele, fugiu... Rapidamente encetei numa corrida, tresloucada, chamando o seu nome vezes sem conta... nem vê-lo...
Passados longos, pelo menos a mim pareceram-me ser, minutos e já perto de um local próprio para piqueniques e afins, vejo o meu cão a correr velozmente na minha direcção. “Ahhh, estás aí. Olha o que eu encontrei!!??” parecia dizer... na sua boca, nada mais nada menos, do que um naco de carne, enorme, crú... incrédula, vejo um senhor atrás dele praguejando coisas menos bonitas a seu respeito. Por segundos desejei que o meu cão passasse por mim e não me conhecesse.
Ele sabia o que eu estava a pensar e, por isso mesmo, fez exactamente o contrário. Parou, deixou cair a carne, saltou-me para cima, lambeu-me a cara, pegou novamente na carne, sentou-se aos meus pés e começou a comer o produto do seu roubo. Não tinha como fugir. O cão era meu!!
Desculpei-me da melhor forma que consegui, sugeri até ir comprar carne mas o senhor, vermelho de raiva, só dizia que tinha toda a gente à espera das febras. Nada feito. Metade das febras já tinham ido à vida...

Este livro, teve este efeito em mim: não me senti tão sozinha na angústia de querer educar um cão e não conseguir. Era mais forte do que ele. E sempre acreditei que há instintos que não podem e, talvez até, não devam ser aniquilados. O meu cão é mal educado, maluco, irrequieto, enérgico, bruto e desobediente. Mas se ele não fosse assim, eu também não teria história nenhuma para contar... e as nossas vidas são tão mais ricas e felizes se tivermos alguma coisa a dizer...

quarta-feira, maio 30, 2007

Sicilia Patria Mia!


Seguindo o exemplo da minha camarada de caneta, Selene, decidi descrever a ilha onde nasci.

Para quem não sabe, nasci na Sicília, uma região autónoma de Itália.
Desde pequenino que percebi que, independentemente do que crescesse ou do que fosse, iria ser sempre o “ menino”, o filho do senhorzinho e neto do senhor…” Menino o senhorzinho e o senhor já estão à espera para jantar” ( quem apanhar a conversa a meio não percebe a quem é que se estão a referir.
As tradições são tão poderosas na minha ilha que estender a mão a um familiar mais velho é quase tão ofensivo como esbofeteá-lo…pelo menos na minha zona, Siracusa…Os dois beijos na face continuam a prevalecer, ou então o beijo da mão ( não, não é só nos filmes), depende tudo da influência da pessoa, a sua idade e sexo.
Por exemplo a um senhor de mais idade deve-se inclinar ligeiramente a cabeça em sinal de respeito. A uma senhora devemos beijar a mão, assim como a um familiar mais velho e mais influente. Aos muitos primos, irmãos ou indivíduos mais próximos, os dois beijos na face são o indicado…mas vai depender muito de cada um e, como é lógico, as tradições têm-se esmorecido, e as gerações mais novas já não são tão cordiais.
Na zona em que nasci todos se conhecem uns aos outros, nem todos se dão bem…as rivalidades entre famílias são tão intensas que nos são incutidas logo à nascença, derivam já de guerras passadas, lares passados e não é muito complicado imaginar essas disputas a terminarem em banho de sangue ou lágrimas. Essa é uma das coisas que menos gosto na minha terra natal, as distinções que se fazem…questioná-las quase que conduz à expulsão da família.
Os jovens ficam a viver com os pais quase sempre até ao dia do casamento, por essa mesma razão as regras para utilizações secundárias dos carros são diferentes das dos nossos países. Não é raro encontrar um homem de trinta anos a viver em casa dos pais…se não casou dificilmente sai de casa. Existem apenas duas excepções…os universitários e os das forças armadas ( e mesmo assim dentro da excepção existem excepções).
A minha ilha tem influências de vários povos, por isso temos um dialecto só nosso. Os conterrâneos do continente continuam a ter alguma dificuldade em nos perceberem ( o contrário não se aplica).
Crescemos em contacto com a água…Não existe um único Siciliano que não saiba nadar, mesmo os mais citadinos…pelo menos eu nunca ouvi falar de tal espécime.
Aprendemos desde novos a respeitar o Etna e, ao mesmo tempo, a admirá-lo pela sua beleza e “ simpatia”…pois a sua lava nunca atinge populações e fertiliza os campos em redor.
A coisa melhor na minha terra é a abundância de histórias…muitas exageradas, como a da Máfia…mas mesmo assim interessantes o suficiente para as querer ouvir várias vezes, ouvindo o som do mar ou desfrutando do calor da lareira.


...amuri e fantasìa,
Sicilia, Sicilia, Tu si' la Patria mia...!

terça-feira, maio 29, 2007

A minha cidade...

Era uma cidade pequenina mas especial. Penso até que o nascimento desta terra não esteve nunca devidamente previsto porque foi construída num local onde quase nada poderia existir...Não há árvores, nem pássaros, nem jardins, nem parques, nem fontes... apenas casas aleatoriamente empoleiradas no mar!!
Nesta ilha onde me encontro tudo tem a mesma cor: amarelo, amarelado, torrado, da cor do pó que o vento Suão traz aos braços. O mar que banha esta ilha é turbulento, inquieto e impaciente. Nunca o vi calmo. Os barcos estão sempre em movimento e provavelmente os seus cascos já foram reforçados mais vezes do que aquelas que os pescadores desejariam...
Quase todas as tardes vou até ao paredão do porto da minha ilha. O mar é a minha companhia predilecta e sinto que me chama ao fim de cada dia de trabalho. Faço-lhe companhia livremente. Sento-me, dobro as pernas e encosto-me às rochas...à minha frente, um mar de infinitas fantasias e desejos!!
Numa dessas tardes observo dois grandes peixes a dirigirem-se para o paredão onde me encontrava. Automaticamente pensei em golfinhos e levantei-me nem segundo de tempo. Vi-os a chegar. Roçaram-se nas rochas velhas e gastas e partiram. Mais uma vez e o mesmo ritual... Mais tarde disseram-me, com a maior naturalidade do mundo, que os tubarões coçavam-se no paredão da minha ilha... de longe a longe apareciam!! No fundo, descobri que tanto eles como eu eramos fiéis dependentes daquele bloco de pedras: eles coçavam-se, eu encostava-me!!
Para além do horizonte marítimo também me distraiam os barcos que atracavam no porto da minha ilha. Pousava os olhos em qualquer pessoa que entrava ou saía deles e tentava adivinhar-lhes a razão da visita: trabalho, férias, visita familiar, trabalho, perdido... Dei por mim a querer escapar-me por entre alguns deles. Gostaria de ser aquela senhora de branco, ou aquela criança que vai de mão dada com o pai, ou aquela menina que vai sorridente... sentia que a cada barco que partia, uma parte de mim estava numa mala qualquer!!
Mas todos os barcos partiam e eu nunca saí do meu lugar. A solidão era atroz e o silêncio de tal forma avassalador que, em alguns momentos, gritei e cantei com a intenção precisa de saber se ainda tinha voz... Quando o sol começava a desaparecer, despedia-me dele e regressava a casa. Nunca saí do paredão da minha ilha sem antes ter a absoluta certeza de que o sol daria mesmo o seu lugar à lua. Era a vez dela. Merecia-o.
Pelo caminho encontrava sempre as mesmas pessoas, no exacto lugar onde estavam no dia anterior, a fazer mecanicamente o que faziam desde que se conheciam. Delas destacou-se sempre o Sr. Baldé. Pescador. Nunca lhe soube a idade porque nem ele próprio sabia. Uma vez contou-me o seu maior desejo:
“Bô tá bê aquele barco ali abandonado? Quando 'tiver pa morrê mi querer qui bô botâ ali. Querê morrê sem vê à terra, só água em todo o lado! Dixâ-m’ quétu!”.

Baldé tinha na cara, nas mãos e nos braços o peso e a crueldade do mar, do sal e do sol. Desconfio até que era feliz. Era o seu mundo, sabia-o de cor e conhecia-o como ninguém... quantos de nós temos um mundo com tudo e não nos sentimos presença nele??!!
A estrada era poeirenta. Era engraçado ver as casas apenas pintadas na fachada. Para a fotografia. Atrás e de lado eram amarelas e cinzentas. A tinta era fornecida pela Câmara e como tal tinha de chegar para todos... os menos influentes pintavam uma porta ou uma janela... cidade estranha a minha!!!
Na beira da minha casa estava sempre o Aitô. Pequenino, sujo e rasgado. Esboçava um sorriso e timidamente me perguntava se íamos à água. “Sim, Aitô, vamos! Vou buscar os garrafões.” Pelo caminho nem uma palavra. Houve alturas em que pensei que ele me via como um ser de outro planeta, de hábitos estranhos. O pior deles era fumar. Ficava atónito quando me observava a fumar da janela. Com vergonha, muitas vezes, escondia-me dele... tinha um olhar que me fragilizava. Perguntou-me uma vez, num daqueles dias estanhos em que lhe apetecia conversar:
- Bô tê crianças?
- Não, ainda não.
- Bô tê quanto ano?
- 25, porquê? Estou velhota é isso?
- Sim.
As meninas eram mães cedo. Tão cedo que eram crianças a criar crianças. Deixavam de brincar e de ir à escola para cuidarem de um filho que, muitas delas, não queriam. Os homens excluíam-se dessas tarefas. Faziam e existiam como se não fosse problema deles.
No Natal chamei o Aitô e ofereci-lhe um helicóptero. Eu própria o embrulhei cuidadosamente. E fiz questão de colocar um laço. Pegou no embrulho, olhou-me nos olhos para se certificar que era verdade, era mesmo para ele, sentou-se no chão e, lentamente, começou a abrir o presente. Fiquei em cócoras a estudar as reacções.Quando o papel deixou de tapar o helicóptero, pegou nele e analisou meticulosamente cada pormenor. Esqueceu-se de mim. Fotografou clinicamente cada peça. Levantou-se num ápice. Beijou-me timidamente e correu com o braço levantado a segurar o helicóptero, deixando atrás de si um rasto de poeira misturada com felicidade... Os meus vizinhos não devem ter gostado desta oferta porque, desde aí, sem hora certa para voar, ouvia-se na rua “BRUUUBRRRRR BBRRUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUBRUUUMMMMMMMMMMMMM” e o Aitô descalço desaparecia por entre as casas...
Finalmente, à noite, quando o meu corpo não aguentava o cansaço, abria as janelas do quarto e deitava-me... Adormeci algumas vezes a chorar. Mas adormeci sempre embalada pelo som das ondas, do vento e do mar. E hoje, à luz da distância, tenho saudades... da tranquilidade, do tempo para tudo, do estar só comigo mesma...
Um dia volto à minha ilha. Talvez hoje a minha cidade esteja mais crescida e madura. Espero que não. O seu encanto residia naquela ingenuidade de ver o mundo passar ao lado e nem ligar. Provavelmente o Sr. Baldé já só vê a água e talvez o Aitô não se lembre de mim... mas ainda gostaria de lhes provar que já não sou o “sorriso triste”... como muitas vezes me chamaram...


Ôi Cábu Vêrdi,Bô qu’ ê nhâ dôr más sublími
Ôi Cábu Vêrdi,Bô qu’ ê nhâ angústia,
nhâ paxõNhâ vída nâceDí disafíu dí bú clíma ingrátu
Vontádi férru ê bô nâ nhâ pêtu
Gôstu pâ lúta ê bô nâ nhâs bráçuBô qu’ ê nhâ guérra,
Nhâ dôci amôr
Stênde bús bráçu,
Bú tomâ-m’ nhâ sángui,
Bú rêga bú tchõ,Bú flúri!
Pâ térra lôngi
Bêm cába pâ nôs
Bô cú már, cêu í bús fídju
N’ úm dôci abráçu dí páz

segunda-feira, maio 21, 2007

É tudo uma questão de níveis…




Nível um

- O Primeiro sorriso
- O primeiro beijo
- O som do primeiro “adoro-te”

Nível dois
- O primeiro e intimidador “amo-te!”
- A entrega das chaves para a casa e para o coração
- O primeiro anel
- O primeiro grande jantar de família

Nível três

.- O primeiro mal entendido
- A primeira noite no sofá ( Ahhhhhh)
- As merecidas tréguas

Nível quatro

- O casamento
- As férias de sonho
- Os pais a pedirem netos
- O primeiro filho
- O segundo
- O terceiro ( ????)

Nível cinco

- Os filhos no auge
- Os netinhos a chegar
- O merecido descanso
- Um “ Amo-te”permanente…até ao fim


Até que nível vamos nós? =D Dizes-me amanhã?

(Kaching!!!… my dear! Luv u =P)

quarta-feira, maio 16, 2007

É um rapaz…


Finalmente o excelentíssimo D. Afonso permitiu que o pai e a mãe pudessem vislumbrá-lo correctamente!
Pesa já duas mil e sessenta e sete gramas, tem cento e vinte batimentos cardíacos por minuto e encontra-se na posição ideal…tudo a caminhar bem para o dia vinte e sete de Julho…ou nas proximidades do mesmo…Qualquer que seja o dia…vai ser muito especial para nós.
Para ser sincero, era o rapaz que queríamos…claro que não se dizia a ninguém, nem um ao outro… “ Que venha com saúde…que seja boa pessoa!”…mas no fundo, sonhávamos com as roupinhas azuis e os carrinhos espalhados pela casa.

As tecnologias actuais dão aos pais um contacto com o bebé que há uns anos seria impossível de imaginar…eu garanto que vi as feições da mãe na carinha pequenina do meu filhote…mas ela diz que é parecido comigo…só no dia é que se verá.

Agora a questão em que os pais entram em acordo…Vai ser lindo!

sábado, maio 12, 2007

Os meus pais...

Esta é a primeira vez que escrevo um texto deste género. Uma homenagem??
Nunca antes os meus textos tiveram apenas um destinatário... os meus pais!! No entanto, agora, partilho-o convosco...

Amo-os da mesma forma. Com a mesma intensidade, admiração e respeito... mas o meu pai marcou-me, e marca-me, de uma forma especial. É o meu exemplo máximo. Representa aquilo que eu quero ser quando for grande.
Quando olhamos para o meu pai vemos um homem sério, a barba branca, meticulosamente aparada, confere-lhe aquele ar autoritário que nunca perdeu... os olhos são pequenos, castanhos, mas expressivos. Sabia perfeitamente interpretar os seus olhares e todas as mensagens que passavam sem proferir uma única palavra: “estás definitivamente de castigo” (mais vezes do que desejei), “horas de deitar”, “já estudou?”, “esta miúda dá-me cabo dos nervos”... e lembro-me com bastante frequência da frase dita por ele infinitamente: “Devia dar-te os parabéns?! Não. Os resultados são teus, para o teu bem. Fico feliz.” Muitas vezes o achei injusto e mau porque sobre as minhas falhas e os meus erros conversávamos sempre... sobre os meus sucessos nem por isso!!
A minha mãe é muito bonita e fica toda contente quando vamos a alguma loja e, enquanto ela experimenta uma roupa lhe perguntam: “ Quer que vá chamar a sua irmã para dar a sua opinião?”; “É minha filha e sim, pode chamá-la se faz favor.” É vaidosa, herdei isso dela, e diz que nunca tem nada para vestir apesar de ter um casaco para cada dia do mês, se assim o entendesse.
É uma verdadeira dona de casa, uma excelente cozinheira (nunca hei-de saber fazer um arroz como o dela) e, apesar de não ser muito dada a expressar os seus sentimentos, era a primeira a sair do trabalho a correr quando nos acontecia alguma coisa. Nunca me contou histórias, como o pai, mas ensinou-me a ser mulher.

Quando era ainda pequenina tinha medo de ficar sozinha no quarto. A minha irmã, mais valente, ficava sempre na sua cama em dias calmos ou de tempestade. Eu não. Nos dias de trovoada (ainda hoje fico nervosa), nas noites dos pesadelos, nas insónias, lá ía eu, de almofada em punho para a cama dos meus pais. O meu pai abraçava-me, contava-me uma história ao ouvido, adormecia e no dia seguinte acordava sempre na minha cama...
Enquanto adolescente dei-lhe algumas dores de cabeça. Nada de grave, sei-o hoje. Coisas de miúda que, sendo a mais nova, se queria impôr, redefinir e questionar regras antigas, galgar terreno nunca antes conquistado. Como me custou caro esta atitude, às vezes. “Esta miúda vai ser comunista”, brincava o pai... Era boa aluna apesar de não me dedicar como ele gostaria.
(fim do 2º Período Lectivo)
- Pai, hoje tenho treino.
- E?
- Levas-me?
- Qual foi a tua nota a Matemática?
- Mas às outras disciplinas tive 4s e 5s.
- Perguntei: qual foi a tua nota a Matemática.
- 2.
- Não preciso de dizer mais nada, pois não?
- Mas...
- Já devias saber distinguir um Não. (Com aquele ar impávido e sereno. Não valia a pena tentar mais. Era irredutível)
O meu treinador elogiava-me a velocidade de passe, a força, a garra... porém, uma boa andebolista, na opinião do pai, tem de ser boa aluna a Matemática. Esta disciplina destruiu a minha carreira desportista...
Saídas à noite. Pesadelo. Cheguei a escapar-me pela varanda do meu quarto à sucapa... (esqueci-me que ele vai ler isto). As minhas colegas saíam todas, encontravam-se com os rapazes, davam uns beijitos e eu em casa a olhar para a televisão!!??
- Pai, posso sair logo à noite?
- Vai falar com a tua mãe.
- Mãe, posso sair logo à noite?
- Vai falar com o teu pai.
- Posso decidir eu então?
(Nunca resultava!!) Era o jogo do empurra. Nem a minha irmã se chegava à frente. Raios!! Eu não queria propriamente estar colada a ela. Era só para o disfarce caramba!! Mas a minha irmã não ía em cantigas. Sabia que eu não era de confiar. As duas de manhã dela eram as minhas quatro!!
Resultado: varanda. Nunca fui apanhada. E feliz ficou o meu cão “Sebastião” com as bolachinhas extra. No íntimo ele adorava e ansiava pelas noites de sábado.

Hoje, já adulta, reconheço-lhes todas estas precauções e cuidados. Creio que, quando tiver um filho não mudarei muito a educação e as regras que me foram impostas. Cresci feliz, realizada e sei que a pessoa que sou hoje é exclusivamente mérito deles. Prezo todos os valores que me foram incutidos: o respeito pela diferença, a honestidade, a responsabilidade, o poder do sonho e das palavras, o saber chorar, o significado da palavra “ajudar”, os amigos...
- Estás a mentir.
- Não estou.
- Estás.
- Não estou.
- Se disseres a verdade eu vou ficar feliz...
- Pai, menti...
Apesar de abominar a palavra “mentira”, o meu pai nunca me castigou quando, finalmente, contava a verdade. E isso ensinou-me que dá trabalho mentir. É bem mais fácil dizer a verdade de uma vez por todas...

Há uma altura das nossas vidas que os papéis, inevitavelmente, se invertem. Antigamente cuidavam de mim, vigiavam-me os passos, preocupavam-se se comia, se dormia bem, ficavam doentes se me sentia menos bem... Hoje, assumo na plenitude o papel outrora protagonizado por eles. Vejo-os e sinto-os a envelhecer. E o meu coração envia-me sinais de aviso. Agora, o tempo, pode ser quase contabilizado e não consigo passar um dia sem lhes dizer: “Adoro-vos”...

E aquela música que a mãe nos ensinou...

“Quero levar-te para longe
a um lugar
Onde nunca na vida
Pensaste chegar
Construir um abrigo
Onde estejas comigo
E o teu nome ao vento
Bem alto
Gritar!
...”

sexta-feira, maio 11, 2007

Vem comigo


Vem comigo… ensinar-te-ei o que é amar para sempre.
…aprenderás a descodificar cada suspiro, cada palavra…dita ou não dita…a ouvir o sussurro mais longínquo.
Vem comigo e até o mais profundo sonho será realizado, só peço que venhas comigo. Confias em mim?
Dá-me a tua mão, dá-me todo o teu corpo…vou ensinar-te a sentir o que não imaginas ser possível sentir…mas tens de vir comigo.
Larga tudo…tudo o que te afasta de mim…eu tudo largarei, só para fugir contigo.
Que me dizes?
Vem, não precisamos de mais nada…apenas eu de ti…tu de mim, não negues.
Que me dizes?
Vem comigo, vamos abalroar fronteiras, cortar preconceitos, estabelecer novas metas…tu e eu, nada mais.
Prometo que te ensino a respirar o oxigénio dos abraços…a viver apenas de beijos e longas conversas…Mas tens de vir comigo!
Confias em mim?
Não voltaremos…jamais. Fecharemos portas aos sujeitos passados, rasgaremos as fotografias da mesinha de cabeceira…construiremos uma nova história, só nossa. Tu proteges-me, eu protejo-te…Vem comigo.
Levar-te-ei a lugares apenas palmilhados em sonhos…descobriremos as sensações perdidas…ou por descobrir…tu e eu…que me dizes? Vens comigo?
Dá-me a mão, o corpo, o teu ser… dar-te-ei tudo o que tenho e o que terei.
Vem comigo e far-te-ei feliz…sorrirás dia e noite…eu sorrirei só por te ver sorrir.
Confia em mim e ensinar-te-ei o que é amar para sempre.

quinta-feira, maio 10, 2007

Diz-me alguma coisa…


Diz-me alguma coisa…- pediu-me ela fitando o campo infinito à sua frente.
- Que tipo de coisa?
- Qualquer coisa.
- Não sei que te dizer…Que queres ouvir?
- Diz-me o que vez quando olhas para ali. – pediu apontando para a frente, onde o velho celeiro abandonado se erguia e abrangendo de seguida toda a vastidão verde.
Levantei-me ligeiramente e apoiei-me nos cotovelos, captando a paisagem que já sabia de cor.
- Vejo relva, árvores, pássaros…hum…um tronco caído, o ribeiro lá ao longe, vejo o céu azulinho…ah, vejo o celeiro. – Olhei para ela que continuava a olhar para a frente, sorvendo algo mais, algo que a fazia sorrir, não só com os lábios mas também com os olhos…aqueles olhos verdes e brilhantes que me encantavam. – Que vês tu? – perguntei, embevecido pelo seu sorriso.
Olhou para mim e depois apontou para o terreno do celeiro.
- Ali vejo uma casa…branca, de madeira. Pequenina, só tem um piso. – apontou para as “árvores gémeas”, que se erguiam uma em frente da outra. – Ali vejo uma rede para descansar numa tarde solarenga…Não ouves as gargalhadas?
Olhei para ela e novamente para a frente.
- São os meninos…estão a nadar no ribeiro.
Sorri e deitei-me para trás colocando um braço ao longo do corpo e outro na nuca. Ela imitou-me encostando a cabeça ao meu peito.
- Já ouço…- Disse passados uns minutos. – Estava distraído.


Passou-se mais ou menos dez anos.
O celeiro foi restaurado e agora está lá uma casa…branca, muito, muito, simples. Com o tempo vou trabalhar nela…
O ribeiro está mais pequeno e parece ficar mais distante…mas ainda é perfeito para nadar…Depois dos longos banhos nas águas frias, a rede “ olha” para nós como a pedir que nos deitemos…a vontade dela é quase sempre cumprida.
Não é O paraíso…mas é um local que aspira a isso.

quarta-feira, maio 09, 2007

Continuo desta forma:

Coisas que faço muito mal ou pessimamente:
- passar a ferro (por isso gosto mais do Inverno já que me preocupo mais com os colarinhos, afinal de contas a camisola tapa o resto)
- mudar pneus (que nome estranho deram àquela coisa que levanta o carro – macaco – faz-me logo lembrar algo que me irrita)
- esticar o cabelo (aqulas máquinas milagrosas das duas uma: ou são publicidade enganosa ou não funcionam nas minhas mãos. Estico à frente, tudo bem, encaracola atrás. Lindo!!)
- fazer a depilação com cera nas pernas (choro, faço caretas, grito, praguejo e, o resultado final, é quase sempre apenas uma perna depilada)
- feijoada ( não sei porque carga d’água o meu feijão desaparece sempre. E garanto-vos que ponho muito. Fica a carne, os chouriços, arroz... feijão, nem vê-lo!)
- escolher roupa de criança (a última prenda que dei a um bebé está a ser usada nos dias de hoje. Dois anos depois)
- dar indicações a pessoas que andam perdidas ( desconfio que os perdidos que me reencontrassem não me diriam palavras muito bonitas)
- beber vinho maduro (admito, não sei. Ao primeiro copo dá-me logo ganas de cantar o fado)
- maquiar-me (fico sempre com um aspecto duvidoso)


Coisas que me envergonham:
- corar (acontece sempre quando estou a ser observada e a tendência é a intensificar, para mal dos meus pecados) Nota: normalmente o corar acontece quando me maquio!!
- partir tacões e cair (aquela vez que caí aos joelhos de um colega fica para a história)
- ir com a cadela à rua, às seis da manhã, ainda a dormir, e ser “agrafada” por um vizinho no elevador (xiii)
- engasgar-me com água (ridículo)
- cometer gaffes ( como aquela em Cabo Verde. Sala cheia de gente local. Todos sentados. Dirijo-me à secretária e vejo que não tenho cadeira. Digo à minha colega, caboverdiana também, com o ar mais idiota do mundo: “E eu? Sou preta, não me sento?? – ai Jesus)

Coisas que me irritam:
- todas as que referiste Aquiles mais
- gente inconveniente (sem explicação possível)
- ver um homem a cuspir para o chão ( reco!!!!!)
- ouvir uma mulher a dizer palavrões (aos homens também não fica bem)
- sandes de presunto (será que ainda ninguém reparou que à primeira dentada o presunto desaparece?? É que é difícil cortar aquela coisa... depois fica só o pão!)
- praias cheias de gente (tanto espaço mas aquele casal, com dois filhos, um cão, quatro cadeiras, dois guarda-sóis, uma lancheira, e quatro sacos tem mesmo de se encostar à minha toalha. Tudo bem, eu até gosto do convívio mas... quero paz e só ouço roncos!)
- gente que rumina no cinema ( abaixo as pipocas e coca-colas. Aquele ruído tira-me do sério)
- o Pedro (irrita-me ao ponto de, cá no intimo, lhe chamar “pain in the ass”)
- gente que faz crochet (fico sempre com a sensação que sou pouco feminina já que as agulhas daquelas coisas, para mim, são pauzinhos)
- não acertar num único número no Euromilhões ( nem unzinho,nem estrelinha)

Coisas que me comovem:
- uma criança a sorrir (felicidade plena)
- um atleta ou equipa portuguesa a esforçar-se para ser o melhor (chorona até dizer chega durante o Euro, por exemplo)
- um bilhete que me deixaram no carro uma vez (“foi-se o tempo e a oportunidade, permanece o sonho e a saudade)
- o rosto do meu pai (como tem mudado!!!!)
- a força da minha mãe (Mulher!!)
- gente que deixa o conforto de uma vida para se dedicar a causas nobres e pessoas desfavorecidas (sinto-me verdadeiramente pequenina perante elas)
- o Natal (quanto mais não seja quando vejo o meu extracto bancário)

terça-feira, maio 08, 2007

7 coisas que

7 coisas que tenho que fazer antes de morrer:

- Ter pelo menos mais dois filhos ( não me mates querida);
- Escrever um livro ( e esperar que alguém o queira ler);
- Ver os meus filhos realizados em todos os níveis; ( o meu objectivo principal);
- Construir um villa na ilha onde nasci ( Sicília) para ter alguma independência;
- Aprender a pilotar; ( porque o céu é o limite);
- Chegar ao topo ( ou quase) da carreira militar.

7 coisas que eu mais digo:

- Café! ( Quase sempre quando entro no quartel);
- Porra! ( Tenho de melhorar o vocabulário)
- Estás aqui estás a beijar o alcatrão ( tipo eufemismo);
- Amo-te ( há quem diga que até enerva);
- Que Romântico ( quase sempre ironicamente…aprendi com uma amiga minha);
- Estou-me a passar; ( e quando digo isso já estou mesmo chateado);
- Porquê? ( Nunca deixei de ter três anos)

7 coisas que faço bem:
- Conduzir ;
- Contar histórias a criancinhas ( tadinhas, não são exigentes);
- Dormir ;
- Observar;
- Ficar horas deitado no sofá, com uma bebida quente à frente a conversar com a minha mulher ;
- Fazer sorrir as pessoas que gosto ( e vice-versa);
- Meninos loirinhos de olhos azuis! ( Muitos mais virão)

7 coisas que eu não faço:

- Correr atrás de autocarros ( está perdido…está perdido, outros virão);
- Responder a quem me grita ( pessoas que me gritam não têm interesse para mim);
- Perdoar quem me acusou injustamente ( É um principio meu, pode estar errado);
- Fumar ( Não vejo a lógica);
- Ficar quieto quando alguém está a magoar crianças, mulheres, velhotes e animais ( É um dever cívico ajudar nesses casos);
- Abandonar um amigo que precisa de ajuda ( nem comento);
- Trocar um fim de semana com a família por um fim de semana, teoricamente, perfeito ( sem eles nunca seria perfeito!)

7 coisas que me encantam:

- Ouvir o meu filho a dizer “ Calacolinos, clavelos amalelos e olos azulis!” ( Imaginem só);
- Ver a minha mulher a fazer cara de rufia ( Quem a conhece sabe que é algo interessante para se ver);
- Ouvir as gargalhadas dos meus camaradas ao almoço;
- Ver o meu mano a tentar convencer a namorada que gosta mais dela do que da consola ( hilariante);
- Encostar a cabeça à barriguinha da minha mulher e ouvir “ o Júnior” ( =D);
- Ler um bom livro;
- Sentir, ver e ouvir a alegria da família numa reunião familiar

7 coisas que odeio:

- Sentir que estou a ser usado;
- Gritos;
- Choradeiras;
- “Pitinhas histéricas” ( como diz a minha grande amiga);
- Peixe;
- Sargentos;
- Atrasos


Selene...Dás-me o prazer de ler as tuas respostas? Por favor? :D

Sentidos...

Uma vez ouvi alguém dizer que gostaria de escrever um livro sobre os sentidos. Duas pessoas que se amavam porém nenhuma delas tinha um sentido. Será possível? Creio que não. Como saberiam da presença uma da outra se não se ouviam, falavam, tocavam, sentiam, cheiravam e viam??? Hum, parece-me tarefa árdua falar do amor sem sentidos...
Cada vez que penso num homem, como homem, não o imagino sem sentidos bem como não o conheço com todos eles. Eu explico.
- Se um homem é bom ouvinte provavelmente falta-lhe o tacto das situações mais intimistas;
- se um homem é observador com toda a certeza não possuí o gosto das palavras mais doces e fortes;
- se um homem é institivo e sente o “odor” dos vários perigos que o rodeiam então muito provavelmente a sua visão estará limitada a um perimetro muito curto e de fácil alcance...
Mas se, por um dia, eu pudesse criar o homem ideal não seria perfeito porque a perfeição é uma chatice desmedida... teria defeitos, grandes e incomodativos e pequenos e insignificantes. Desenharia as suas qualidades. Mas como o meu forte nunca foi o desenho provavelmente sairia um rabisco pior do existente... No entanto, vou esforçar-me para fazer a receita sem falhar nenhum ingrediente. Sobre a mesa estão 5 taças. Cada uma delas contém um sentido e, como em qualquer cozinhado, é importante escolher a ordem dos condimentos bem como a quantidade. Fá-lo-ei à minha maneira, ao meu gosto e isso, inevitavelmente, não agradará a todos/as.

A minha primeira taça tem escrito “Visão”. Escolho este como o principal porque comparo-o ao “alho”: faz toda a diferença no tempero. Um homem sem poder de observação é como um carro sem velocidade. Aos seus olhos conferia o poder de ver tudo de todas as maneiras: do geral ao particular, do supérfluo ao importante, do grande ao pequeno, da marca ao pormenor. Ser-lhe-ía dada a capacidade de estudar as pessoas e os seus comportamentos, antecipando-lhes, invariavelmente, atitudes e até, quem sabe, pensamentos mais secretos. Como cozinheira tenho consciência que é um poder heróico este. Correria o risco de enfraquecer algumas mulheres que, muitas vezes, preferem passar despercebidas: pela manhã, com o cabelo desalinhado, a cara matinal, as calças que deveriam ficar melhor apesar de terem sido carííííssimas, a maquilhagem que borrou... Porém, esqueço estas pequenas desvantagens e continuo.
Pego na segunda taça. Escrito “Audição”. O alho ganha um sabor especial quando a ele se junta um pouco de azeite. Pois bem, a audição, neste caso, é o azeite. O alho funciona sozinho mas ganha um gosto especial quando tem por aliado o azeite de origem. Pode ser de Trás-os-Montes. Um exímio ouvinte. Que consegue ouvir até a conversa mais parva do mundo, que ouve atentamente as nossas dúvidas existenciais (como achas que devo cortar o cabelo, estou gorda?, esta ruga não estava aqui pois não?, vais gostar sempre de mim?, porque dizes que sim se não sabes?). Que saiba ouvir o nosso coração quando não nos apetece falar.
Parece-vos um cozinhado requintado demais???? Continuando...
A terceira taça não está cheia. “Tacto”. Alho, azeite e agora o vinho branco (vinagre????).Creio que ficam bem todos juntos. Este homem, munido deste ingrediente, teria umas mãos diferentes do comum dos mortais. Não apenas mãos para tocar nem braços para abraçar mas, antes, mãos para descobrir e redescobrir terreno, mãos e braços para emitir sinais de paz, tranquilidade, segurança... mãos e braços esclarecedores do que é o amor, a paixão, a química...
Restam duas taças. São especiarias. Raras. Podemos juntá-las porque os sabores são tão distintos que não se misturam. Distinguem-se. Pimenta da índia e tinta de lulas (dizem que é bom). Gosto e Olfacto respectivamente. Este teria um paladar requintado, saberia distinguir na íntegra os pormenores essenciais da vida, sentiria o cheiro do perigo antecipando-o e precavendo-se automaticamente. Conseguiria vislumbrar na penumbra de um quarto repleto de gente o perfume do meu corpo, bem como reconheceria, como a palma das suas mãos, o sabor dos meus lábios!

Para finalizar, acrescentaria uma mão cheia de sal (o colesterol não é para aqui chamado), uma malagueta do México (não vou explicar o óbvio) e tapava cuidadosamente. Reservava durante uns tempos para ganhar maturidade e...

Tolice, não é? Só escrevo disparates...

domingo, maio 06, 2007

Aquela janela...




Em qualquer história, real ou imaginária, há um espaço, um tempo e uma ou mais personagens que tocam, ao de leve, na virtualidade da vida, no seu lado mais sonhador e escondido.

Naquela casa há sem dúvida uma particularidade: uma janela. É grande, larga e de lá pode-se avistar o verde dos campos em volta... Apesar da proximidade com o bulício da cidade, aqui, neste espaço, ainda se pode respirar com tranquilidade, ainda se pode andar sozinho sem medo, ainda se ouvem os pássaros... Foi de certeza esta janela que a apaixonou naquela casa. Viu nela a sua escapatória para os seus momentos de instropecção, para a sua solidão consciencializada...
...ao lado da janela, estrategicamente colocada, está uma secretária. Nela, o computador... é aqui que ela se senta todos os dias. Coloca um CD na aparelhagem, música calma, e tranquilamente vai tocando no teclado, embalada pela música que escolheu.

O tempo. O tempo é o presente ou um passado muito recente. Tão recente que os dedos das mãos são suficientes para contar os dias... No entanto, caracterizar este tempo torna-se tarefa árdua. Os minutos transformaram-se inevitavelmente em horas, as horas cresceram para dias e estes evoluiram para anos. O tempo perde a sua definição porque na vida que envolve a personagem deixou de ter sentido. E importância...

Acordou cedo. Aliás, ultimamente, devido ao ritmo de trabalho, tem acordado sempre à mesma hora. Mas estava de férias. Depois de ter concluído todas as tarefas a que se propôs fazer, decidiu deitar-se um pouco no sofá, estender as pernas, deitar a cabeça nas almofadas e ficar ali... inerte, a brincar com o comando da televisão. Algumas tentativas falhadas de programas pouco convidativos e rendeu-se ao seu livro... Ela sempre gostou de ler. Diz, frequentemente, que é a sua forma predilecta de viajar. Porém, o livro pesava-lhe mais do que habitual. Lia desconcentradamente sendo obrigada a voltar atrás demasiadas vezes... Pousou o livro. Sobe as escadas e refugia-se na janela.

Os seus olhos ficam naquela casa, abandonada, no meio de nada. Às vezes imagina como terá sido a vida de quem ali viveu. Família numerosa, filhos pequenos, um cão... deviam ser felizes! Fica prostrada no sofá que colocou em frente à janela. Dobra as pernas e acende um cigarro. Permanece imóvel e em silêncio... quase consegue ouvir os batimentos do seu coração acomodado a uma calma que não gosta e que não o preenche. É um coração que nasceu para ser agitado, para chorar e rir com tudo e com quase nada... é um coração de repetidos esforços e de uma longa paciência. E de esperança...

Recolheu-se em si. A música que hoje seleccionou é calma o suficiente para ela fechar os olhos e materializar palavras dentro de si. O vazio ficou de repente a abarrotar de palavras que cumprem imediatamente a sua maior função: harmonizar o espírito de quem as recriou. Se pudesse voltava atrás... Não teria desaparecido sem deixar rasto. Se pudesse voltar umas horas, que seja, atrás, não teria dito o que disse... nem da forma como o fez!
Se os minutos pudessem ser parados ficaria nos braços dele por longos períodos. Adormeceria sentindo a sua respiração no cabelo e o peito nas suas mãos. Se as horas parassem de repente ficaria quieta, imóvel observando-lhe os movimentos: como olha para a televisão, como come, o sorriso, a forma natural com que sai do banho, despenteado e feliz... Se os dias parassem de um momento para o outro escolheria ficar sentada ao seu lado. Deixava que o mundo avançasse com a certeza que ambos o alcançariam quando acordassem do estado de inércia. De todos os motivos que ele tem para não a amar, ela mostrar-lhe-ía apenas aquele que ele tem para amá-la...

Mas, hoje, está simplesmente sentada naquele sofá com vontade de esquecer o mundo, de esquecer o que a boca disse mas o coração não sentiu...

“Assim que se olharam, amaram-se; assim que se amaram, suspiraram; assim que suspiraram, perguntaram-se um ao outro o motivo; assim que descobriram o motivo, procuraram o remédio.”
(Shakespeare)





quinta-feira, maio 03, 2007

As coisas que me irritam ( Take 2)


- Fico irritado quando o computador vai a baixo e eu estou a escrever alguma coisa importante. ( Principalmente quando não me lembro de tudo o que escrevi)

- Pessoas adultas a mascar pastilha elástica com a boca aberta e a fazer balões como as crianças. ( Então aquelas que se sentam à minha frente…parece que estão a gozar com a minha cara)

- Irritam-me os “brancos” que querem a toda a força parecer “ pretos” ( não sou muito racista mas isso irrita-me profundamente)

- Odeio a falta de pontualidade dos transportes públicos ( Se um comboio sai às 14:15 é certo e sabido que não arranca antes das 14:22)

- Fico enervado com os amasses desenfreados dos casais em locais públicos ( Arranjem um quarto…não sou adepto de novelas mexicanas em directo)

- Moedas de um e dois cêntimos ( as máquinas automáticas não aceitam moedas de um e dois cêntimos, os comerciantes não gostam de receber essas moedas…Porque não as tiram de circulação??)

- Mulheres que gritam por tudo e por nada ( Como diz uma amiga minha, as “pitinhas histéricas”… “aiiiiiiii um carro”… “aiiiiiiiii o céu é azul”…por favor…cuidado com os gritos perto de mim)

- Irritam-me os jornalistas, escritores, ou genéricos que assassinam o português diariamente. ( Não os ensinam a falar na Universidade?)

- Irritam-me as pessoas que dizem bófia em vez de polícia ( Fico mesmo ofendido…não percebo qual a razão de tal acto!)

- Fico chateado quando chove e eu não estava à espera ( Ou seja… quando apanho uma molha)

- Pessoas que cancelam os compromissos cinco minutos antes ( Cancelem pelo menos com três horas…posso ter outros planos)

- Irritam-me os fanáticos religiosos ( “ Aiiiiiii minha nossa senhora de Fátima me acuda…caiem os santinhos todos do altar com tal heresia filho! És o anticristo!” ...Ainda por cima são histéricas)

- José Saramago irrita-me ( Só vem a Portugal receber prémios e despejar literatura “massuda”…os lucros são gozados em Espanha)

- Irritam-me as pessoas burras que querem a toda a força dizer alguma coisa…( depois dizem coisas assim : “Lavoisier foi guilhotinado por ter inventado o oxigénio.”)

É melhor parar por aqui…pelo menos por hoje.

segunda-feira, abril 30, 2007

Recuso-me a dar titulo...


Selene?
Andamos trocados...quando eu acordo tu adormeces :D

sexta-feira, abril 20, 2007

Sete horas

Tenho sete horas antes do despertador romper o silêncio com o seu toque estridente…Se olhar novamente já não vou ter as sete horas…menos um minuto.
Também vos acontece?
Deitam-se na cama e sabem que não vão dormir mais que sete horas, aconteça o que acontecer…não dormem mais que sete horas.
Mexem-se na cama, o sono não vem, a impaciência acumula-se e o cansaço faz latejar a cabeça…mas o sono não vem. Olham para o lado, ela dorme calmamente…Viram-se e olham novamente para o relógio, mais dez minutos que se perderam em divagações, mas o sono…esse não vêm. Ouvem o respirar calmo próprio do sono profundo.
No vosso intimo pedem para que vos deixem dormir as sete horas…pronto…as seis horas e quarenta minutos que vos restam…olham para o telemóvel, querem desligá-lo mas não podem…”deixa-me dormir as minhas sete horas” pensam sem parar.
Viram-se e voltam-se a virar, o olhar viaja pelo velho triângulo, o relógio, ela e o telemóvel. Procuram conforto junto à pessoa ao vosso lado…acalmam e adormecem. Sonham com tudo menos com as sete horas de sono.
Acordam…o telemóvel vibra, as luzes brilham..
Estou…”, dizem para o telemóvel, do outro lado a voz fala, calma, pausada e profundamente, como se vos quisesse adormecer. “ OK.”, respondem vocês finalmente…sete horas…sete horas, pensam.
Olham para o lado, a respiração calma, o peito a subir e a descer…
Querida, tenho de ir…”
Também vos acontece?

quarta-feira, abril 18, 2007

Eu estou grávido!



Nunca pensei dizer tal coisa. Mas agora digo e volto a dizer…eu…estou GRÁVIDO!
No passado, que não é assim tão longínquo embora pareça, encarava as grávidas como mulheres calminhas, necessitadas de carinho e atenção, que facilmente ficavam deprimidas…ok…estava muito, muito, enganado.
Eu fui com minhas ideias preconcebidas, li o manual “ De solteirão para pai de família” de trás para a frente mais de três vezes, fiz sondagens, aceitei sugestões, preparei-me para me tornar sócio da loja de chocolates e da florista…estava muito, muito enganado.
Como já devem ter reparado, quando se vê um casal de futuros papás a mãe vem à frente, linda, esbelta, cabelo todo arranjado, roupa perfeitamente engomada…resumindo perfeita…e o papá vem atrás, imaginem comigo… olheiras do tamanho de rodas de automóvel, cara encovada de quem não consegue dormir só de pensar que alguma coisa pode acontecer, cabelo desalinhado, roupa amarrotada, colado aos pés da mulher como quem amparada uma criança endiabrada…Acabei de vos pintar um retrato de família.
A grávida que eu tanto amo está durona como sempre, aprecia a atenção, é certo…calminha??? NÃO! A minha grávida tem um humor tão oscilante como o mercado do petróleo…varia com o tempo, com as quantidades de atenção oferecida, as quantidades de afecto procurada e com a disponibilidade de negociação. Passo a exemplificar:

(Eu) – Gosto da tua camisola vermelha…fica-te bem!
( Ela) – Pensando melhor…acho que vou vestir a azul…

(Ela) – Não me apetece ficar em casa hoje…está um dia tão bonito!
( Eu) – Podemos ir dar uma volta.
( Passado meia hora, preparados para sair)
( Ela) – Afinal...acho que é melhor deixar-mos o passeio para outro dia. Podíamos ver um filme.

Eu TENTO, Mas a minha amada grávida é uma mulher especial e até neste período de fragilidade tem de ser especial…
Posso esquecer as tardes calmas no sofá ( pés inchados???), as idas apressadas à loja dos chocolates, os elogios constantes…Vamos ao ginásio, compremos iogurtes e…sejamos como sempre.
Estou a adorar estar grávido e partilhar isso com a minha mulher.

domingo, abril 15, 2007

Tempo ( Isto de dar titulos está a dar cabo de mim!)

Há uns anos, quando ainda estava na academia, um instrutor, no primeiro dia de aulas, aproximou-se da turma e disse:
“ O que vocês fizeram, foram ou pensaram antes não me interessa…o que vão fazer, pensar ou ser no futuro não me interessa... Quero saber o que são hoje, ver o que fazem hoje e adivinhar o que estão a pensar agora. O amanhã pode não existir…provem-me hoje que merecem a farda que envergam!”
Naquela altura a frase caiu em saco roto…turma de infantaria, terra à terra…os “sabe tudo, faz tudo” da zona, encaráramos aquela frase como um mero incentivo, algo que nos fizesse correr mais rápido, suar menos e vencer.
Agora, passados alguns anos, faço questão de passar a mensagem.
Tudo o que fazemos hoje vai influenciar o amanhã e foi, de alguma maneira, influenciado pelo que fizemos ontem. A nossa vida não é um mero filme, não podemos carregar no botão de pause cada vez que estamos aborrecidos ou temos algo melhor para fazer…não a podemos acelerar para alcançar os objectivos mais rapidamente…não se saltam os intervalos ou as partes mortas…e, infelizmente, não podemos andar para trás e emendar os nossos erros.
A vida não pode ser planeada…não podemos contabilizar quantas lágrimas vamos verter, quantas dores de cabeça nos vão impedir de avançar, quantos obstáculos vamos ter pela frente…a vida é um sistema aberto, somos influenciados por pessoas que amamos e por pessoas que não conhecemos. Como um soldado que não contabiliza as balas, o homem não contabiliza as alegrias e as tristezas…mas umas balas provocam mais estragos que outras.
Numa maneira rude, aquele militar tentou passar-nos a sua mensagem, uns captaram…outros não. Eu, ainda estou na dúvida.

sexta-feira, abril 13, 2007

Tu sabes que é verdade

Hoje é um dia especial, como vai ser o dia de amanhã, o depois de amanhã e todos os dias depois desse. Para pensar, falar ou escrever a pensar em ti não é preciso ser um dia diferente…basta acordar de manhã, saber, mesmo sem olhar, que estás lá, quase a acordar e a dizer “ Epah! Já é de manhã? Bora fazer greve!”.
Como diz a música “ Não há nenhum amor como o teu amor”, aprendi, não digo que facilmente, todas as tuas rotinas…o que fazes de manhã, a ordem como o fazes, aprendi a distinguir todos os teus sorrisos, todos os teus gestos e, principalmente, todos os teus olhares.
“Tudo o que faço, faço por ti”…mesmo aquelas coisas que tu não gostas que eu faça.
Não gostas que eu te abra a porta, ou que te ajude a pegar na pasta, “ Não sou aleijada, Tenente…”, como disseste a primeira vez que nos vimos…Odeias as crises de ciúmes, infelizmente eu não consigo evitar pegar em alguns moços pelos colarinhos. Também sei que não gostas que te peça para abrandares quando trabalhas de mais…mas faço-o por vocês.
Acredita que todos os dias tento adequar um pouco o meu feitio…tento ser mais calmo, menos ciumento, mais atencioso…não tenho conseguido grandes melhorias, mas tu continuas aqui, agradeço-te por isso ( à minha maneira).
Temos os nossos problemas…atiramos as nossas almofadas, batemos portas, batemos com a cabeça na parede, mas não se pode dizer que não temos tentado, mesmo quando o mundo exterior nos conduz para o “fundo do túnel”.
Será que sabes o quanto te amo? Quando o trabalho me chama, naqueles momentos antes da adrenalina explodir, é essa questão que me vem à cabeça…será que sabes o quanto te amo? Se algo me acontecesse nesses momentos saberias que faria tudo para te manter comigo?

“ Sim…eu lutaria por ti, morreria por ti!”

segunda-feira, abril 09, 2007

Boas!

Estou aqui...

Tenho tido muito trabalho e um novo extra, muito positivo, para me preocupar :D.

Charles Chaplin

"Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risadas quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
“quebrei a cara muitas vezes”!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é “muito” pra ser insignificante.

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Quintus Horatius Flaccus »

quinta-feira, abril 05, 2007

O meu Tempo...

Frequentemente me perco nas ruas desta cidade. Não é minha. Não foi aqui que cresci. Ela não me conhece. Muitas vezes me dou conta da minha pequenez quando ando por aí...
No lugar onde cresci era díficil conseguir descortinar este tipo de coisas. Ao virar de uma esquina estava sempre alguém conhecido. Alguém que me perguntasse como estavam as coisas. Alguém que retribuisse o meu sorriso... alguém familiar...
Viver numa cidade grande, viver a correr, viver sem tempo, viver para o trabalho, casa, trabalho, definitivamente... não cabe em mim!!!
Eu gosto do meu tempo. Aquele que é exclusivamente meu e que faço questão de não o partilhar com ninguém. Não é egoísmo. É apenas um preservar de algo construído por mim, à medida certa...
é ficar em silêncio, durante largos minutos, na varanda da minha casa, a olhar para longe e fumar um cigarro calmamente...
é passear o cão, respeitando e seguindo os seus passos, sendo guiada exclusivamente por ele... é chegar a casa, descalçar-me, tirar a roupa, pôr a música alto e dançar até me doerem os pés...
é tomar um banho, demoradooooooo, fechar os olhos e deixar que a água toque suavemente na face...
é ler um livro com as pernas dobradas no sofá e com a cabeça deitada nas almofadas...
é comer chocolate até doer a barriga...
é olhar-me ao espelho com e sem vaidade, tentando perceber o que já mudou no meu corpo...
é beber champanhe sem razão nenhuma, só porque me apetece...
é ouvir uma daquelas músicas que já quase ninguém ouve e chorar porque o coração parece pequenino demais...
é ficar calada. Não dizer uma palavra simplesmente porque não me apetece falar. Quero ouvir apenas a voz que há cá dentro...
é recordar aqueles que já passaram na minha vida e que se foram por esta ou por aquela razão... ou até sem razão nenhuma...
é fazer instrospecções tentando compreender o que poderei fazer melhor com o intuito de me tornar numa pessoa melhor...
é respeitar a minha solidão, conferir-lhe tanta importância como aquela que dou aos momentos em que me encontro rodeada de gente...
No fundo, na nossa relação pessoal, o poder que esta cidade tem é... nenhum. Não me dá minutos para me dedicar a mim própria, não me deixa respirar como gostaria, não me dá espaço, nem liberdade, portanto a sua força é nula...
Só sentimos a força e o poder de alguma coisa ou de alguém quando nos vemos a crescer e a evoluir. E eu sinto-me cada vez mais pequenina...

(Onde andas tu Aquiles??!!)

sexta-feira, março 09, 2007

Porque

'Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos calados
Onde germina calada podridão
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.'

Sophia de Mello Breyner Andresen


Parece que foi escrito a pensar numa pessoa que eu conheço :D

sábado, março 03, 2007

Destinos...

Momentos há na vida em que pensamos ter tudo sob controle. Está tudo nas nossas mãos. Pois bem, para quem tem os dias equilibrados por rotinas, para quem pensa mil e uma vezes antes de agir, para quem calca cuidadosamente o chão onde pisa, para quem nunca é sobressaltado por precipitações ou actos inusitados, cá vai a bomba...
A VIDA É AREGRADA.
Não adianta. Não vale a pena. Somos levados pura e simplesmente por algo que nos marca e segue: o destino.
Acredito que há um destino para cada uma das vidas que surge todos os dias. Caso contrário porque razão não fui naquele autocarro,(depois de ter esperado horas por ele e, por ter adormecido, não ocupei o meu lugar), que uns kms mais à frente se despistou e foi por uma ribanceira abaixo, ferindo alguns ocupantes??!!
Então e aquela vez que me cruzei na rua contigo, naquela tarde de véspera de Natal, nós os dois atulhados de sacos, e nos olhámos, primeiro seriamente, depois mais descontraidamente para logo a seguir nos “agarrarmos” a uma vida que deixou de ser só tua ou minha, passando inevitavelmente a ser nossa??!
O fado, destino, caminho traçado que todos temos pode, no entanto, ser contornado algumas vezes... Porém, são apenas curvas maldosas, enganadoras, porque o percurso é sempre o mesmo e possui igualmente o mesmo fim...
Somos nós quem constrói o nosso futuro?? Não acredito. Não tivemos interferência no nosso passado mais antigo, temos implicações nas acções do dia a dia do presente embora o façamos de forma quase transparente e indelével. Mas, relativamente ao futuro, é o “esperar e ver”. Escolhemos uma carreira pensando que é o que nos realiza hoje, amanhã não sabemos. Encontramos alguém que nos preenche e completa hoje, amanhã não fazemos a mínima ideia se nos sentiremos vazios novamente.
Decidimos aquilo que entendemos de “melhor” para os nossos... pensamos, estudamos, vemos e analisamos e chegamos a conclusões óbvias, logo viáveis. Pois, mas o que é evidente e claro hoje, amanhã poderá ser subjectivo e obsoleto...
Portanto, só uma coisa a fazer: viver cada minuto, cada segundo, cada inspiração de ar como se fosse a nossa última oportunidade de nos olharmos ao espelho. Viver sem pensar demasiado. Viver de precipitações e impulsos. Aproveitar cada uma das pessoas que nos amam, amá-las e deixar que elas nos amem. Aprender todos dias algo de novo e, no fim do dia, partilhá-lo com alguém porque não sabemos se amanhã cá estaremos para o fazer. Dividir sorrisos, lágrimas, forças e fragilidades sem medo de sermos catalogados.
Viver é tão difícl. Não é só respirar.
Partilho um poema de Alberto Caeiro. Penso que ele seria feliz. Creio que a sua capacidade para não pensar, o tornou num ser mais perto da Natureza, em comunhão perfeita com ela...

“Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar... “

domingo, fevereiro 25, 2007

O meu espaço especial


Inspirado pela música fiquei a pensar no meu “espaço especial”, mais correctamente, o Nosso espaço especial.
Se observar o local diria que é um pouco primitivo, nada, mesmo nada romântico…mas foi ali que, mesmo teatralmente, tudo começou.
A privacidade era inexistente, o ambiente era péssimo ( e Tu sabes), a ocasião era muito aborrecida…estávamos a trabalhar, mal nos conhecíamos…
Quantas vezes depois daquele dia chuvoso lá passei simplesmente para observar.
Passados mais de três anos ainda consigo abstrair-me de tudo e projectar naquela parede o que passamos, como se de um filme se tratasse, consigo visualizar a cor do teu blusão, consigo distinguir os aromas do teu perfume, consigo, facilmente, ouvir o que me disseste, como um sussurro, é certo, mas oiço…
Lembro-me também muito bem que naquele momento não significou muito para mim, é verdade, não conseguimos perceber naquele momento que aquela encenação “privada” ia fazer com que tantas emoções fluíssem.
Mesmo assim, acho que se pudesse recuar no tempo não tinha mudado o local, não tinha pedido um dia de sol, um espaço mais intimo…queria tudo igual.
Quando falamos daquele dia não referimos o que aconteceu depois, não falamos das portas que bateram, dos gritos que se ouviram…só falamos daquela pequena esquina, daquela rua escura, do bairro perigoso, e, claro, do que entre nós se passou…Falamos disso porque é o que importa, como se costuma dizer, gravamos o que mau se passa na areia e o melhor em pedra…Tu estás cravada no meu coração…que não é de pedra porque te conheci….e se de cada vez que penso em ti, em nós me caísse um pedaço…neste momento eu não existia. O resto é história…é privado...mais importante ainda, Tu sabes.

sábado, fevereiro 24, 2007

Uma música...

Caminhar por uma terra vazia,
Conhecer o caminho como as palmas das minhas mãos
Sentir a terra debaixo dos meus pés...
Sentar-me à beira rio e sentir-me completa...

Para onde terás ido??
Estou a envelhecer e preciso de me apoiar em algo...
Diz-me quando me vais deixar entrar porque estou a envelhecer
E preciso de começar de novo por algum lado

Passei por uma árvore caída
e senti os seus ramos...
estarão a olhar para mim??
É este o sítio que amávamos,
é este o sítio com o qual tenho sonhado??

E se tiveres um minuto porque não vamos?!
Falar sobre isso num sítio que só nós conhecemos?!
Pode ser o fim de tudo e então porque não vamos? Porque não vamos?

Para algum sítio que só nós conhecemos???

Será que era isto que ele pretendia transmitir??? É que se era, eu entendi perfeitamente... Todos nós temos lugares especiais como este... O meu realmente está vazio. Está guardado. E visito-o sempre que posso.
Para ouvir e pensar...


http://www.youtube.com/watch?v=Ai-iXXVeuwA&mode=related&search=

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte

"A felicidade exige valentia.
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

domingo, fevereiro 18, 2007

Teve de ser...


Desde pequenino, naqueles momentos antes de cair no sono profundo, quando o mínimo ruído nos acorda e o abraço mais terno nos embala, que estipulo objectivos para a minha vida futura. Quando era pequenino queria ir para a escola e jogar futebol, mais tarde, já na Academia Militar pensava em ser o chefe de turma...de ano, ir à frente e controlar a marcha dos meus camaradas…Com a idade os objectivos foram mudando, ganhando consistência...acabaram mesmo por se repetir.
Agora quando me deito penso “ Vou acordar amanhã porque tenho um filho para educar, uma mulher que amo, quero escalar a hierarquia militar.”…É um pensamento constante.
Muitos chamar-lhe-ão sonho…É verdade é um sonho, mas quantos de nós não têm sonhos? Aqueles objectivos que nos fazem acordar de manhã, olhar para o espelho e pensar “ Epah…Acorda para a vida...vive-a!”…
Não sei porque razão me lembrei disto agora, não sei porque estou a escrever sobre algo que nem na minha mente está claro…Talvez tenha pensado nisto ontem, quando me virava na cama a procurar a posição ideal, se calhar estou apenas melancólico… Qualquer que seja a razão…teve de ser.


PS:Para os que me conhecem desde pequenino...
Sim...Ainda penso que um dia...longínquo ou não, vou mudar o mundo...

Labirinto


.... se me pedissem para fazer uma analogia entre a minha vida e outra coisa qualquer seria fácil. A minha vida é como um labirinto. Pauta-se pelo leque de variados caminhos, pelas escolhas múltiplas, pelas decisões difíceis e sem retorno, mas, apenas uma meta...
Quantas vezes já dei por mim a optar pelo caminho da direita, por me parecer mais rápido e menos doloroso, e bater com o nariz num beco sem saída?!
Tantas outras escolhi o caminho da esquerda e percorri, exausta, kms e kms de estrada alcançando no fim a porta almejada devidamente aberta...
Alturas houve em que o labirinto que é a minha vida me colocou tão grandes obstáculos, dissimulados, escondidos entre as pedras, em formas de buracos fundos e escuros, apenas com a certeza que eu cairia neles em momentos de descontracção e de desatenção. A astúcia e até a intuição me alertaram para estes perigos e, de olhos bem abertos, pé ante pé, fui apalpando o terreno sinuoso cuidadosamente. Uma vez, caí. Deixei o corpo dentro do buraco escuro mas os meus braços permaneceram heroicamente do lado de fora... presos à vida! Icei-me, a custo, raspei os joelhos, esfolei as mãos do esforço mas passei ferozmente para o outro lado!! Ofegante limpei as lágrimas de dor, ajeitei o cabelo, sacudi o pó da roupa e ergui a cabeça. Continuei...
Também já aconteceu no final de um longo caminho descobrir duas portas, lado a lado, exactamente iguais. Aproximei-me e espreitei por ambas fechaduras na esperança de encontrar algo que as distinguisse seriamente e que me levasse a tomar a atitude correcta. Nada. Do outro lado das portas a mesma paisagem, o mesmo cheiro, as mesmas perspectivas. Pensei automaticamente: “Abrindo qualquer uma delas usufruirei do mesmo bem estar e conforto”... sim, aconteceu de facto ter tido já a sorte de após a passagem ter iniciado uma caminhada solarenga! Mas já abri uma porta e depois outra e depois outra e depois outra e depois outra...

No labirinto que é a minha vida há frases escritas nas paredes. Frases que marcam o meu percurso. Frases escritas por mim, frases de conhecidos, de pessoas que se cruzaram e me tocaram na minha excursão, de desconhecidos que, sem interpretarem e sentirem o meu corpo, me tatuaram com a simplicidade própria de letras que se unem e formam pensamentos... Cada frase é uma escada e cada escada é uma etapa concluída...
Acompanhando a sombra dos meus passos existe também a música. Em cada compartimento paira no ar uma melodia diferente: nas encruzilhadas e nos caminhos íngremes músicas com mais ritmo, com mais energia. Nas ruelas estreitas, onde normalmente não posso caminhar lado a lado com mais ninguém, músicas suaves impregnadas de metáforas e sentimentos...
No labirinto que é a minha vida há apenas uma certeza: do lugar onde pretendo chegar. Como, quando e com quem pretendo lá chegar são apenas pormenores. Fazem a diferença, obviamente, mas quem abre as portas sou eu...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Bem re-voltada sejas!

Bem..Bem...e eu que já vinha de arma em punho pronto a destruir o blog...a impedir-me de te ler...
Bravo sócia..continua! =D

Não me perguntes como o fiz... fi-lo! Finalmente!!!!!! E cá estou eu... :)

O que Há...


"O que há em mim é sobretudo cansaço

Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,

As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,

Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?

Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço..."

Álvaro de Campos – Fernando Pessoa



Pediram-me um poema!! O quê?!! Não, eu não sei escrever poemas. Aliás, não sei escrever coisa nenhuma.
Não, um poema que te toque!!
Fui buscar os dossiers velhos que guardo no sotão. Sabia o que queria, até porque alguns versos vagueavam pela minha mente...

Na altura do liceu alguém o tinha lido, alguém o tinha recitado de tal forma que, por momentos, fechei os olhos e devorei as palavras. Na altura tornou-se incontornável o desejo de saber quem o tinha escrito. Quem quer que o tenha feito conhecia-me... de alguma maneira...
Quando ouvimos uma música que gostamos a tendência é aplicá-la à nossa própria vida. Faz sentido. Gostamos dela porque retrata este ou aquele momento, fala de esta ou daquela pessoa...
A poesia, aprendi eu então, tem esse mesmo dom.
E Fernando Pessoa começou a fazer parte de mim.
O que mais me fascina é que depois de ter lido biografias, descobri que o que é realmente importante nele é a sua poesia. Dedicou-se a inventar pessoas, que fazendo parte dele, tinham vidas paralelas, independentes.

E todos somos um pedaço dele. Não o assumimos, mas somos. Tal como a roupa que vestimos adequada a qualquer situação, possuímos dentro de nós capas. Capas que nos cobrem, protegem e denunciam. E a facilidade com que as vestimos e despimos é a mesma com que ele escrevia poemas.
Raras são as vezes que perdemos o pudor pela nudez e mostramos o nosso corpo tal como ele é. Sem subterfúgios nem capas ilusórias. E quase nunca nos congratulam pelo nú explícito...

sábado, fevereiro 03, 2007

Procura-se sócia...

Ohhh Selene...Falta de inspiração ou tempo? =D

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Apenas uma ideia

Aqueles que escrevem mil louvores \ de formosura, graça e gentileza \ todos foram, senhora, uns borradores \ de tua perfeitíssima beleza”

Luís de Camões

Proponho que, por momentos, o “senhora” seja substituído por “ amor” ou “ paixão”.
Não sei se já falei neste tema, é natural que tenha, pois é algo que me incomoda.
Incomoda-me que o verbo amar seja usado, nos nossos dias, como um imperativo, ou algo inócuo, básico e fútil. O verbo amar é algo que deve ser usado com moderação…
Dizer uma “amo-te” tem de ser um marco, algo que nos faça acelerar a pulsação, tremer as pernas, brilhar os olhos… Não se pode dizer “ ama!”, não pode ser pedido ou ordenado…tem de ser sentido.
Posso contar pelos dedos da mão as pessoas que realmente amei, amo…delas posso dizer o nome, a idade, a cor preferida…o maior medo, a maior alegria, a cor dos olhos, o cheiro do cabelo…não posso explicar por palavras o que sinto pois nenhum sentimento se repete duas vezes.
Espanto-me com a facilidade com que , ultimamente, se ouve um “amo-te”, se diz “amo-te”, é incrível e, na minha opinião, sem significado. Desde jovem que afirmo que o amor à primeira vista não existe. Não se ama uma pessoa sem saber o nome, a idade, a profissão, sem a ter visto a comer, a vestir…é preciso conhecer a outra pessoa como nos conhecemos a nós, ainda melhor, conhecer cada expressão, cada ponto mais sensível…devemos conhecer. Sem conhecer é impossível amar…por mais que se queira sentir que se ama.
Sei que o que digo ou escrevo não vai mudar nada, mas cá fica…Na próxima vez que pensares em dizer um “amo-te”, pensa em tudo…pensa para não “borrar”, porque amar não é gostar, não é admirar…Amar é viver para estar com aquela pessoa…acordar só para a ver,,,não sejas um “borrador” daquele sentimento utópico que é o Amor…


Obrigado

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Até o mais ateu, como eu, baixa a cabeça e a diz ( Já era dia)

Dai-nos, Senhor, tudo aquilo que nunca Vos é pedido.

Não Vos pedimos o descanso

nem a tranquilidade do corpo

nem tão pouco a do espirito.

Não Vos pedimos riqueza,

nem o êxito e as honrarias

nem sequer o reconhecimento dos homens

De tudo isto, que insistentemente Vos pedem, talvez quase nada já Vos reste



Dai-nos, pois, ó Deus, o que ninguém quer, o que todos regeitam:

A insegurança, a incomodidade,

a inquietude, a tormenta e o risco.

A vereda estreita e agreste que vai até Vós.



Concedei-nos isto, nós Vos suplicamos, definitivamente, porque a

fraqueza, fruto do egoísmo humano que em nós existe, talvez nos tire a

coragem de o solicitar de novo

Dai-nos, Senhor, o que Vos sobra, aquilo que ninguém nem sequer Vos

pedem mas, dai-nos, ao mesmo tempo, o valor, a vontade, a força e a fé

que temperam a alma do soldado

na grandeza da sua servidão.

Por ultimo, Vos rogamos, ó Senhor, por aqueles que, de entre nós, em

todos os tempos, caíram no campo da Honra e derramaram o seu sangue

pela Independência e Liberdade da Pátria

Nós Vos pedimos, ó Deus dos Exércitos, que, no Vosso Seio, repousem na paz

eterna as almas destes bravos.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Inacreditável

Tenho estado afastado do blog, não é por falta de inspiração mas sim por excesso…de trabalho.

Num destes dias, penso que segunda-feira, quando fui buscar o meu filho ao infantário, presenciei uma situação que me deixou preocupado, não comigo, não com a segurança do meu imperador, mas sim com aquele menino.
Estava eu parado à porta, a ouvir as últimas do nosso país, já que cheguei cedo, quando os meninos da escola ao lado começam a sair. Meninos que deviam andar no primeiro ou segundo ano, apostaria mais do primeiro, que acabado o dia de escola e de actividades extracurriculares falam de tudo e de mais alguma coisa, querem ir para casa descansar e ver os desenhos animados…estou a divagar…Pois bem, os pais, os avós, e familiares que os vinham buscar estavam à espera à porta. As avozinhas com os sacos com o lanche, os avós a pegar nas malas, as mães a arranjar os casacos e os pais a remexer os cabelos…Começo a olhar para eles, uns correm, outros contam aos pais como foi o dia…com aquele menino passava-se algo de semelhante, um menino normal, com pais, aparentemente normais.
O Pai entra no carro, a mãe vai para o lugar do morto…mas o menino decidiu que tinha que se despedir de um amigo…
Um pai competente teria olhado para trás, arranjado o cinto, ou a cadeirinha, como está na lei, teria visto se trazia tudo, se tinha ficado algum objecto na escola…aqueles pais estavam demasiado distraídos.
Até ali nada me tinha parecido estranho, até ao momento em que o carro começa a andar e o menino fica em terra…
Ao inicio pensei, “Bem, deve ir para casa com outra pessoa”, “ Vai ter mais alguma actividade…”… Os meus pensamentos pararam quando aquele menino, de seis anos, sete no máximo, se lançou numa perseguição aberta ao carro dos pais. Ora se punha no meio da estrada, subia para o passeio, gritava, descia para a estrada, arriscando-se a ser atropelado…neste momento já se ouviam umas buzinas que tentavam alertar os pais..algumas tipo todos os pais que assistiram à cena… no final da rua aquele casal lá se lembrou que tinha um filho, parou e a criança lá entrou.
Esta situação fez-me lembrar uma cena de um filme em que a mãe, perturbada, deixava a cadeirinha do bebé no tejadilho do carro e só deu conta quando o policia lhe bateu na janela…
Depois de procurar justificações na minha cabeça para o que aconteceu, comecei a pensar… Onde é que se vão esquecer do menino da próxima vez… por essas e por outros, sou da opinião que se devia fazer um teste de admissão à “profissão” de pai, nem todos merecem essa bênção.